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O olhar de Maria Fernanda Marques para jardins mais vivos e conectados ao território

Destaque da CASACOR São Paulo 2026, Maria Fernanda Marques fala sobre biodiversidade, processo criativo e paisagens que respeitam o entorno

Por Milena Garcia

Publicado em 5 de out. de 2026, 14:00

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Maria Fernanda Marques

Maria Fernanda Marques (CASACOR)

Há duas décadas, Maria Fernanda Marques constrói uma trajetória marcada por uma leitura sensível e técnica da paisagem. À frente do escritório que leva seu nome, a paisagista desenvolve jardins a partir do encontro entre paisagismo regenerativo, ciência do solo, biofilia e conhecimento da flora brasileira, entendendo a natureza não apenas como cenário, mas como parte ativa da experiência de habitar.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

Na CASACOR São Paulo 2026, essa visão ganhou forma em Da Terra ao Solo, projeto de 330 m² que reuniu algumas das principais ideias desenvolvidas pela profissional ao longo de sua carreira. O jardim combinou paisagismo ecológico, obras de arte e uma abordagem holística do território, com rochas posicionadas a partir da medicina do habitat, colmeias que destacam o papel das abelhas nativas na biodiversidade e obras de Carol Ambrósio integradas à paisagem. No alpendre, memórias e fragmentos de sua trajetória completavam o espaço pensado para desacelerar.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

Na entrevista a seguir, Maria Fernanda Marques compartilha as referências, inspirações e experiências que moldaram sua trajetória, além de revelar como esses repertórios se traduzem em sua maneira de pensar o paisagismo.

1. Quais foram os principais desafios de participar da CASACOR 2026? E as principais conquistas alcançadas desde então?

Maria Fernanda Marques: Estar em uma área de passagem foi um desafio desde a montagem, com fluxo intenso dos profissionais envolvidos, até o período da mostra. Os visitantes passavam ansiosos para conhecer os ambientes internos e nós tínhamos a missão de fazê-los parar para conhecerem as causas-base do nosso projeto: biodiversidade de espécies nativas do Brasil, existência dos insetos e animais no jardim para equilíbrio ecológico, arte brasileira a partir do barro, compostagem e cobertura de folhas para o jardim.


Quanto às conquitas, acredito que sejam a relação com os profissionais envolvidos na CASACOR, a exposição sobre o tema do projeto, que direciona os trabalhos desenvolvidos no escritório, e a divulgação da importância da biofilia ecológica para diversos públicos.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

2. Qual foi o elemento mais especial do seu projeto na CASACOR São Paulo 2026?

MF: Os elementos mais especiais foram as esculturas do Hotel de Insetos e as colmeias artísticas, manifestando interação ecológica e beleza. Essas peças mostram que é possível criar soluções baseadas na interação do ecossistema natural.

3. O que você descobriu fazendo a CASACOR que quem vê de fora nem imagina?

MF: O evento é desafiador e exige atenção e profissionalismo em todas as etapas. Os bastidores são intensos devido ao curto período de tempo e às diversas exigências para garantir o sucesso da mostra.

Totens da série Verdades, de Carol Ambrósio, no ambiente

Totens da série Verdades, de Carol Ambrósio, no ambiente (Adriana Barbosa/CASACOR)

4. Como funciona o seu processo criativo para desenhar um novo projeto?

MF: Nosso processo criativo é iniciado a partir da observação do potencial do local através da análise da paisagem. Observamos relevo, percurso das águas, áreas de preservação ou locais com necessidade em arborizar, construções, divisas, posição solar, ventos e solo.


A partir do potencial natural, iniciamos os estudos relacionados às solicitações trazidas pelo cliente. Buscamos inspiração na natureza, fugindo do senso comum. Realizamos muitas pesquisas sobre vegetação local e buscamos sempre trazer elementos de arte.

Projeto de Maria Fernanda Marques

Projeto de Maria Fernanda Marques (CASACOR)

5. O que um paisagista precisa ter para se destacar no mercado atualmente?

MF: O paisagista precisa compreender os impactos do projeto no meio ambiente como um todo. Quando falamos em aquecimento global e bem-estar das pessoas, isso exige paisagens que se comunicam com equilibrio, colaborando com os ciclos ecológicos.


Além disso, projetos que reúnem arte, ecologia e pesquisa conseguem destaque no mercado, uma direção contraria a globalização da paisagem.

6. Qual sonho profissional você gostaria de realizar?

MF: Temos realizado muitos sonhos desde o início da empresa e novos sonhos se formam a partir dos sonhos conquistados anteriormente. Atualmente, nosso sonho é impactar um número maior de pessoas sobre a consciência ambiental, que gera maior consciência sobre a beleza cênica dos locais onde moramos. Também queremos informar sobre a importância do meio ambiente preservado e bem cuidado, os impactos gerados na saúde emocional, sobre como nos alimentamos e a origem dos alimentos.

Projeto de Maria Fernanda Marques

Projeto de Maria Fernanda Marques (CASACOR)

7. Indique um livro, filme ou até mesmo um destino que moldou seu olhar criativo.

MF: As paisagens naturais em cada canto desse planeta são tão diversas e cada uma abre diversos aprendizados, encantamentos e sempre despertam a criatividade. Seria injusto indicar uma única referência e deixar tantas outras com menor expressão.


O mais gostoso e mágico são essas diferenças. Observar os cenários naturais é pura inspiração. Então, explorar esse universo em locais diferentes é extremamente importante para gerar repertório para projetar, sem globalizar plantas e paisagens.


A diversidade e sabedoria da natureza me encantam e geram o desejo de replicar jardins que dialogam com o ambiente local. Somos uma potencia quântica abundante quando em ressonância com as paisagens naturais.

Maria Fernanda Marques

(CASACOR)