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Aurelino dos Santos: conheça o artista baiano homenageado na CASACOR Bahia

Autodidata, Aurelino dos Santos construiu uma obra marcada pela geometrização, pelas cores intensas e por paisagens urbanas de múltiplas perspectivas

Por Milena Garcia

Publicado em 25 de ago. de 2026, 16:00

08 min de leitura
Aurelino dos Santos: conheça o artista baiano homenageado na CASACOR Bahia

(Divulgação)

A trajetória de Aurelino dos Santos ocupa um lugar particular na arte brasileira. Nascido em Salvador, em 1942, o artista desenvolveu uma produção principalmente dedicada à pintura, construída de maneira autodidata e marcada por formas geométricas, cores vibrantes e representações singulares da paisagem urbana.

Obra de Aurelino dos Santos

(Divulgação)

Aurelino começou a pintar na década de 1960, depois de trabalhar como cobrador de ônibus. Sua aproximação com a arte teve relação com o escultor baiano Agnaldo Manoel dos Santos, que foi seu vizinho e adquiriu uma de suas primeiras obras. Mais tarde, a arquiteta Lina Bo Bardi e o crítico e diretor do MASP Pietro Maria Bardi conheceram seu trabalho e contribuíram para sua circulação no meio artístico.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)

Sua obra ganhou reconhecimento no Brasil e também passou por exposições internacionais. Hoje, o artista baiano é homegeado com uma galeria de arte na CASACOR Bahia 2026 assinada pelo arquiteto Wesley Lemos. "Aurelino é daqueles homens que à margem dessa sociedade desenvolve uma intelectualidade própria e uma geometria absoluta. Nós não vemos em lugar nenhum o estilo que ele desenvolve", afirma Wesley em entrevista à CASACOR.

Uma trajetória construída fora das escolas de arte


Sem formação artística formal, Aurelino desenvolveu sua linguagem a partir da própria experiência e de uma observação particular da cidade. O contato com Agnaldo Manoel dos Santos despertou seu interesse pela pintura. O próprio artista recordava que começou a fazer seus primeiros riscos em uma tela diante do mar, no Farol da Barra. Agnaldo foi o primeiro a reconhecer seu talento e chegou a comprar uma de suas obras.

Aurelino dos Santos

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Pouco depois, Lina Bo Bardi, então diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia, teve contato com sua produção e passou a contribuir para sua projeção. Em um gesto que Aurelino lembrava com carinho, a arquiteta lhe deu 15 telas para pintar, dando início a uma série de exposições que o apresentaram ao mundo das artes. Os trabalhos de Aurelino chegaram a ser apresentados em cidades como Paris, Madri e Valência.

Geometria, cor e diferentes pontos de vista


A geometrização é uma das características mais marcantes do trabalho de Aurelino. Suas pinturas organizam paisagens e construções a partir de triângulos, círculos, retângulos e outros elementos geométricos, criando cidades que parecem simultaneamente reconhecíveis e imaginadas. As composições também apresentam cores intensas, responsáveis por estabelecer diferentes planos dentro das cenas.

Obra de Aurelino dos Santos

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Outro aspecto recorrente é a representação de uma mesma paisagem a partir de mais de um ponto de vista. Elementos que normalmente seriam observados de frente podem aparecer combinados a perspectivas superiores, criando uma espécie de arquitetura imaginária. Por isso, embora muitas obras possam parecer abstratas à primeira vista, Aurelino atribuía significados concretos às imagens que construía.

Uma cidade reinventada pela pintura


Nas telas, Aurelino reorganiza casas, edifícios, ruas e outros elementos arquitetônicos de Salvador por meio de planos geométricos e combinações cromáticas. O resultado são paisagens urbanas que preservam referências do mundo real, mas obedecem a uma lógica própria de composição.

Obra de Aurelino dos Santos

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Essa característica ajuda a compreender a singularidade de sua produção. Em vez de seguir uma representação tradicional da paisagem, Aurelino constrói seus próprios espaços, articulando formas e cores de maneira intuitiva. A geometria se torna, assim, um dos principais instrumentos para organizar aquilo que o artista deseja representar.

Um legado que permanece


Aurelino dos Santos morreu em 23 de janeiro de 2026, aos 83 anos, em Salvador. Em nota de pesar, a Fundação Cultural do Estado da Bahia destacou sua contribuição para as artes visuais baianas e sua produção marcada por cores intensas e forte geometrização.

Obra de Aurelino dos Santos

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O legado deixado pelo artista está relacionado à arte popular e à produção autodidata brasileira, além de suas aproximações formais com diferentes movimentos artísticos – como barroco, concretismo e neoconcretismo. As características de sua produção são consideradas únicas e seguirão influenciando as próximas gerações.

Aurelino na CASACOR Bahia 2026


Poucos meses após a sua morte, a CASACOR Bahia 2026 dedica uma exposição especial a Aurelino dos Santos. A mostra reúne 30 telas inéditas, produzidas durante a última década de sua vida, e ocupa o segundo pavimento completo da Casa Nossa Senhora das Mercês, aberto ao público pela primeira vez.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)

A exposição integra a programação da 32ª edição da mostra, que acontece de 7 de julho a 6 de setembro sob o tema Mente e Coração. Com curadoria de Ernesto Bitencourt e expografia de Wesley Lemos e Ernesto Bittencourt, a seleção faz parte do programa Panorama da Arte Moderna e Contemporânea Baiana, que reúne cerca de 190 obras distribuídas pelos três pavimentos do casarão.