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CASACOR Bahia 2026 transforma os corredores do antigo convento em galeria de arte

Na 32ª edição, em cartaz de 7 de julho a 6 de setembro na Casa Nossa Senhora das Mercês, a curadoria de Ernesto Bitencourt e Wesley Lemos espalha 190 obras pelos corredores do antigo convento

Por Redação

Publicado em 21 de ago. de 2026, 12:00

08 min de leitura
Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)

Nem sempre uma galeria de arte precisa de salas para existir. Na 32ª edição da CASACOR Bahia, em cartaz de 7 de julho a 6 de setembro na Casa Nossa Senhora das Mercês, 190 obras ocupam justamente aquilo que normalmente seria só passagem: os corredores de circulação do antigo convento. A curadoria, assinada por Ernesto Bitencourt e Wesley Lemos dentro do programa Panorama da Arte Moderna e Contemporânea Baiana, parte de uma escolha pouco comum — transformar área de trânsito em lugar de permanência, com pinturas nas paredes e esculturas marcando os eixos centrais.

Um percurso guiado pela arte


Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)

O circuito abre com a exposição póstuma de Aurelino dos Santos, reunindo 30 telas inéditas no segundo pavimento — tema que segue como símbolo do tom que a curadoria imprime à edição: usar a arquitetura setecentista do casarão como moldura viva para a arte.


Dali, o percurso desce ao primeiro pavimento, dividido em duas alas. Uma reúne esculturas de Jayme Fygura ao lado de pinturas de Deisi Rocha, Nilson Bastos, Hélio Bastos, Calasans Neto, Sante Scaldaferri, Leonel Mattos, Vauluizo Bezerra e Mirabeau Sampaio. A outra, batizada Outros Olhares, convive com seis arandelas históricas originais do convento — a expografia decidiu preservar essa iluminação patrimonial posicionando ali as obras de menor formato, entre peças de Almira Reuter, Mario Cravo, Ranchinho, Nage Maron e Elvio Rocha, com a cadeira de Ramiro Bernabó assumindo caráter escultórico no eixo central.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)

O circuito se encerra no térreo, com 100 obras espalhadas por 13 paredes, onde esculturas de Mario Cravo fecham a travessia ao lado de trabalhos de Almandrade, Carybé, Cesar Romero, Washington Sales, Antônio Maia, Jenner Augusto, Emanoel Araújo e Yêdamaria, entre outros nomes do cenário baiano. Toda a montagem dialoga com o masterplan da edição, assinado pelo arquiteto David Bastos, que adotou um percurso perimetral para conduzir o público ao redor do edifício sem cruzamentos nem aglomerações.


"Esta edição traduz o nosso desejo de fazer da CASACOR Bahia um ponto de encontro cultural para Salvador. A galeria que abrimos no segundo pavimento conduz essa proposta, e a programação que a acompanha leva cultura para a cidade ao longo de dois meses", diz Magali Santana, diretora da CASACOR Bahia.

Quando cada arquiteto também é curador


Marlon Gama Arquitetura - Marlon Gama = Vik Muniz +55DESIGN. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Marlon Gama Arquitetura - Marlon Gama = Vik Muniz +55DESIGN. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)

A curadoria institucional, no entanto, é só metade da história. Cada profissional da edição montou a própria seleção de arte para o ambiente que assina — e é essa camada autoral, multiplicada por dezenas de arquitetos, que sustenta a leitura da mostra como polo cultural, e não apenas como vitrine de decoração.

Dayse Pellegrini e Michele Wharton - Lounge Entre Camadas. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Dayse Pellegrini e Michele Wharton - Lounge Entre Camadas. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

No Espaço de Convivência, assinado por Marlon Gama e +55 Design, três obras de Vik Muniz incluem Fetiche de Pregos, inspirado nos nkisi nkondi da cultura bakongo. A Adega Latência, de Tays Mota e Sílvia Lectícia, reúne uma litografia de Antoni Tàpies ao lado de três peças encomendadas especialmente para o projeto. O Lounge Entre Camadas, de Michele Wharton e Dayse Pellegrini, recebeu a exposição Espelho dos Orixás, da galeria Casa Reina, com 22 artistas.

Lab IV EBA/UFBA - Coord.: Bruna Dória - Sala de Imprensa Quitanda. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Lab IV EBA/UFBA - Coord.: Bruna Dória - Sala de Imprensa Quitanda. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)

No Loft A Rotina do Agora, o artista Lucas Neder assina As Curas da Bahia, mostra exclusiva cuja obra de abertura homenageia Santa Dulce dos Pobres, construída com areia de Ondina, terra da Chapada Diamantina, cacau e folhas de ouro. Já a sala de imprensa, desenvolvida por alunos do LAB IV da Escola de Belas Artes da UFBA sob coordenação da professora Bruna Dória, revisita os anos 1950 — período em que Lina Bo Bardi viveu na Bahia ao lado de Carybé e Pierre Verger —, reunindo tapeçarias de Genaro de Carvalho e recortes de jornais da época.