Seis ambientes da mostra incorporam obras de artistas convidados diretamente à arquitetura, em intervenções que aproximam pintura, memória, cultura popular e identidade
Publicado em 25 de ago. de 2026, 8:00

(Reprodução/CASACOR)
Na CASACOR Bahia 2026, a arte não aparece apenas como complemento da decoração. Em seis ambientes, a arte ganha escala e se incorpora à própria arquitetura: ocupa paredes, chega ao teto, atravessa fachadas e, em um dos casos, até se integra a uma fonte de água. As intervenções foram desenvolvidas em diálogo com os arquitetos responsáveis pelos espaços e pensadas desde o projeto para participar da atmosfera e da narrativa de cada ambiente.
Augusto Senna - Lounge Meninos Rei. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)
A presença da pintura traduz a proposta desta edição de colocar a arte no centro da mostra. Em vez de simplesmente preencher superfícies, os trabalhos carregam histórias de família, símbolos de fartura, referências à cultura popular brasileira e reflexões sobre cuidado e memória. O resultado é uma relação mais estreita entre obra e espaço, em que a intervenção artística ajuda a construir a identidade de cada projeto.
Gabriel Magalhães – Águas que Acalmam. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (MCA Estúdio/CASACOR)
No ambiente assinado por Gabriel Magalhães, a pintura encontra a cerâmica — e a água. Alexandre Feliciano criou um painel em tinta acrílica sobre cerâmica, instalado dentro da própria fonte que dá nome ao espaço.
Peixes ocupam a superfície como símbolos de fartura, abundância e movimento, referências presentes em diferentes iconografias associadas ao elemento água. A obra, assim, não apenas acompanha o projeto: passa a fazer parte de seu elemento central.
Pedro Chezzi | Chezzi Interiores - Quintal Brasis + Brigaderia Belga. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Na cafeteria oficial da mostra, assinada por Pedro Chezzi, a parede se transforma em uma espécie de jardim ilustrado. O artista Neto Robatto pintou diretamente sobre a superfície, em acrílica, mais de 50 pássaros e plantas.
A intervenção reforça a proposta do Quintal Brasis de revisitar as memórias afetivas dos quintais brasileiros. As espécies representadas são reconhecidas como brasileiras, independentemente de sua origem, e aparecem reunidas em um único painel, construindo uma imagem de diversidade e, ao mesmo tempo, de identidade compartilhada.
Bruna Dória | BD Interiores - Casa Vitalina. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
Na loja assinada por Bruna Doria, a intervenção de Jota Vilanova, do coletivo Fabrico de Ideias (PE), não se limita a uma parede: a pintura toma também o teto. Executada em tinta acrílica, a obra parte da estética vernacular nordestina e incorpora referências às pinturas de caminhão e aos elementos gráficos das feiras livres.
O trabalho foi desenvolvido in loco, a partir de um pré-projeto elaborado com base no briefing conceitual do ambiente. Durante uma semana de execução, o traço livre e espontâneo surgiu muitas vezes diretamente sobre as superfícies, sem estudos prévios. A linguagem do artista também aparece em outras áreas, como a estante, ampliando sua presença pelo espaço. O resultado aproxima design e curadoria de arte e reforça o encontro entre arquitetura e cultura popular.
Paula Risério e Marcos Reis - Encontro de Marés - Restaurante Soho. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)
No restaurante japonês assinado por Paula Risério e Marco Reis, a artista Beatriz Calixto criou Abaixo do Horizonte, com tinta acrílica fosca e trincha. A pintura ocupa uma parede azul-escura, em uma referência direta ao mar.
Carpas aparecem em movimento, construídas por pinceladas longas e translúcidas que acentuam a fluidez da espécie. A escolha do peixe também estabelece uma relação com a cultura japonesa, na qual a carpa é associada a força, coragem, perseverança e prosperidade.
Augusto Senna - Lounge Meninos Rei. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)
Na loja assinada por Augusto Senna, a pintura assume uma função ainda mais direta: é o primeiro contato do público com o espaço. Sem vitrine, a fachada é tomada pelo grafite de DASKA, que divide a cena com o primeiro tecido autoral da grife.
A intervenção transforma a entrada em um ponto de atenção e reforça, desde o lado de fora, ideias de identidade e pertencimento que atravessam a marca.
Bia Nery, Flacy Andrade e Michelle Araújo - Mãe Terra. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
No lavabo assinado por Bia Nery, Flacy Andrade e Michelle Araújo, a artista Miu Monteiro criou uma onça-mãe que ocupa a parede como uma espécie de guardiã. Executada em técnica mista de acrílica e spray, a figura tem corpo monumental, quase arquitetônico, que funciona como abrigo.
A oposição entre a força da mãe e a delicadeza do filhote conduz a narrativa da obra. Os tons de bordô remetem a sangue, terra fértil, vida e amor, enquanto flores dissolvem os limites entre animal e floresta: a pele se transforma em vegetação e a mata passa a fazer parte da própria onça.
Data: 7 de julho a 6 de setembro
Local: Casa Nossa Senhora das Mercês – Av. Sete de Setembro, 1105, Salvador, Bahia
Horário de visitação: 15h às 22h, de terça a domingo e feriados
Ingressos: R$ 110 (inteira) / R$ 55 (meia)
Instagram: @casacor_bahia