Felipe de Almeida fala sobre carreira, processo criativo e os bastidores da Casa Memórias Essenciais, apresentada na CASACOR São Paulo 2026
Publicado em 23 de set. de 2026, 16:00

Felipe de Almeida (CASACOR)
Felipe de Almeida é um dos grandes representantes da filosofia "casa com cara de casa" dentro da CASACOR São Paulo 2026. O designer de interiores cresceu em uma família ligada à cultura e, apesar das influências, escolheu cursar Administração de Empresas na universidade, com especialização posterior em Marketing Gerencial. Anos mais tarde, ingressou na pós-graduação em Design de Interiores e fundou o estúdio que leva seu nome em 2019.
Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
Seu trabalho se destaca pela valorização das memórias, dos trabalhos artesanais e pela mistura de diferentes estilos no mesmo ambiente – o que chama de "estilo Felipe de Almeida". O profissional já havia passado pela CASACOR em 2023 e, três anos depois, retornou à mostra com um dos projetos que mais recebeu elogios do público: a Casa Memórias Essenciais.
Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
O ambiente de 115 m² integrou living, escritório, sala de jogos, cozinha linear, quarto e sala de banho com a proposta de "traduzir a importância da memória e do quanto isso impacta no dia a dia de quem usufruiu dos espaços". Pensado para um casal na faixa dos 50 anos, a Casa Memórias Esseciais teve a Estante dos Antepassados como um de seus elementos mais especiais. A seguir, uma conversa sobre o projeto, a carreira e as inspirações de Felipe de Almeida.
Felipe de Almeida: Eu acho que o principal desafio de participar da CASACOR é concretizar tudo aquilo que eu acredito enquanto designer de interiores em um período tão curto. Tem alguns outros desafios também: como lidar com os vários fornecedores; a parte projetual, ou seja, aquilo que é projeto e aquilo que é executado; o desafio dos nossos vizinhos, porque não é uma obra exclusivamente minha, nós temos a minha obra e os demais arquitetos e designers que são estão ao lado.
E as conquistas alcançadas são várias, uma delas é entregar esse design autoral, que tem personalidade, que mostra que veio, onde eu arrisquei em vários sentidos, do ponto de vista estético às soluções de design apresentadas. Foi uma vitória imensa!
Também conquistei encantamento do grande público e da crítica, que reconhece o trabalho feito com muito cuidado. Enfim, celebro o firmamento desse tipo de design: a casa com cara de casa, quem tem tudo a ver com o tema da CASACOR 2026, Mente e Coração.
Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
FA: Tiveram vários que foram especiais no meu projeto, mas o mais especial de todos é a estante dos antepassados. Eu tenho visto muitos escritórios falando sobre memória atualmente, mas esse já é um pilar do meu escritório há muitos anos – inclusive apareceu no meu ambiente da CASACOR 2023. Essa é uma assinatura bastante pessoal que eu trago para os meus projetos. É um elemento extremamente especial porque ele traduz de forma muito genuína o que eu acho de mais importante em um projeto de interiores.
Outro elemento que foi muito relevante no meu ambiente foi o trabalho manual, que esteve permeando todo o espaço. Você olhava para o banheiro e tinha um mosaico artesanal, tinha a forração em tecidos, tinha uma lareira toda desenhada artesanalmente, alguns itens de décor muito detalhados. Foi algo muito importante nesse projeto.
FA: As pessoas entravam no meu espaço e achavam que muitos itens que estavam lá eram dados. O que elas não sabem é que a gente recebe um espaço totalmente cru e que a gente tem um tempo curto para desenvolver tudo aquilo que foi pensado.
Outra coisa que eu descobri fazendo a CASACOR é que muitos profissionais da arquitetura e design de interiores que não desenvolvem o tipo de trabalho que eu faço, com os estilos que eu trago, reconheceram a beleza que é um ambiente pensado nos mínimos detalhes – com misturas de estilos de forma autoral. Não há como as pessoas não se identificarem com aquilo que é genuinamente pertencente ao ser humano e acho que o que eu trouxe ao meu ambiente dizia muito sobre isso.
FA: Ele é um pouco complexo, porque tem muito do sentir e do me deixar levar. Mas tem alguns elementos que foram fundamentais para o desenvolvimento do meu ambiente na CASACOR. Quando eu estava pensando o projeto, eu imaginei um casal por volta dos 50 anos, viajado, que os filhos já haviam saído de casa, que gosta de artes, tem muita personalidade, gosta de astronomia e astrologia, de texturas, de misturar estilos e elementos... Quando eu crio uma persona, ela já me ajuda no processo criativo. Nesse sentido, tiveram três elementos muito importantes: o tecido de cachorro nos sofás, o quadro contemporâneo do Felipe Sanatore e a lareira. Eles foram centrais no meu processo de pensar o projeto ao determinarem o fluxo e o estilo do ambiente.
Outra coisa que faz parte é que eu gosto de fazer a mistura de estilos. Muitas pessoas me perguntavam que estilo era aquele e eu dizia "é o estilo Felipe de Almeida". Tinha clássico, contemporâneo, rústico-chique, europeu, brasileiro, maximalismo... Então, meu processo criativo tem múltiplas facetas e eu vou conjugando isso de forma a ficar harmônico.
FA: Eu não acho que os profissionais precisam seguir modismos, porque os modismos são passageiros. Os modismos têm que ser usados de forma inteligente. Você precisa ter a capacidade de olhar para aquilo que está sendo colocado e traduzir aquilo para o design que você acredita. Outra coisa é a escuta, que é saber interpretar um briefing de acordo com a personalidade dos clientes. Os profissionais não têm que fazer projetos para eles próprios, têm que ser pensando nos clientes.
Por último, eu diria que ele precisa se arriscar. Não dá para ficar em um mercado em que a gente vê as coisas cada vez mais iguais e fazer mais do mesmo – seja no layout, nas cores, nas texturas, nos mobiliários. Com muito equilíbrio, claro, mas é necessário que as pessoas se arrisquem.
Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Evelyn Muller/CASACOR)
FA: Eu gostaria de poder levar esse tipo de design que eu faço para mais pessoas e, principalmente, ter um projeto de cunho social onde eu pudesse desempenhar esse olhar para comunidades. O mundo precisa mais de beleza e, mais do que isso, eu sei que o tipo de design que eu desenvolvo contribui diretamente para a neuroarquitetura, o bem-estar das pessoas que usufruem dos espaços.
Outro sonho é fazer "tempos sabáticos" para poder sempre estudar (ainda mais!) alguns estilos arquitetônicos, me especializar em determinados modelos de design para executar cada vez mais. Isso precisa de tempo para poder concretizar: chegar em um nível mais profundo de tecnicidade e arte e poder traduzir isso para os projetos.
Projeto de Felipe de Almeida (CASACOR)
FA: O que eu daria de dica é: o olhar criativo precisa ser constantemente treinado e, muitas vezes, você não precisa recorrer a um livro, filme ou destino, ele está na sua frente, no dia a dia. Claro que essas coisas podem contribuir demais. As viagens, quando você sai da sua esfera e vai para um lugar que te estimule, isso faz crescer esse olhar criativo. Mas existem outras coisas que, quando observadas com um olhar atento, são capazes de moldar aquilo que você pode trazer. Não precisa ser nada mirabolante. A exemplo do meu ambiente na CASACOR, não é um projeto conceitual – eu quis fazer um ambiente real, apesar de ser a maior mostra de arquitetura e design de interiores da América Latina. É um ambiente em que as pessoas se viam e podiam reproduzir.
Projeto de Felipe de Almeida (Romulo Fialdini/CASACOR)

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