Nildo José revisita a criação do Casa Coral Celeiro Alvorada e compartilha as referências, sonhos e valores que atravessam seu trabalho
Publicado em 14 de set. de 2026, 10:00

Nildo José (Líder/Divulgação)
Nildo José esteve entre os profissionais mais comentados do elenco da CASACOR São Paulo 2026. Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, o jovem arquiteto baiano traduziu o tema Mente e Coração com sensibilidade ao prestar uma homenagem à memória de seu pai no ambiente Casa Coral Celeiro Alvorada.
Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/Divulgação)
O living de 213 m² chamou atenção pelas diversas referências à vida na fazenda, incluindo uma imponente lareira de travertino esculpido, e também pela imensa estante com cerca de 4 mil livros acessada graças a uma escada helicoidal em tom roxo. O ambiente utilizou a arquitetura como "suporte para o que permanece" e se conecta com as grandes filosofias do trabalho de Nildo José: criar projetos que emocionam, narram histórias e servem de cenário para momentos felizes.
O dormitório, que mantém as tonalidades terrosas da paleta cromática, fica resguardado por um painel curvo. (Maura Melo/Divulgação)
Para além da CASACOR São Paulo, da qual já participa há sete edições, suas criações são marcadas pela elegância, dinamismo e pela vivacidade que humaniza os espaços. Essas características andam juntas à grande intimidade com as tendências do design, das artes visuais contemporâneas e a paixão por espaços funcionais. A seguir, sete perguntas para conhecer melhor a mente por trás do Celeiro Alvorada.
Nildo José: O maior desafio foi expor algo tão particular e íntimo em uma mostra como a CASACOR. O projeto nasceu de uma necessidade muito pessoal, e colocar isso em evidência significava, de certa forma, me colocar também. Ao mesmo tempo, quis trabalhar com cores menos óbvias, fugindo de escolhas que talvez fossem mais fáceis ou imediatamente aceitas.
Foi um exercício de coragem e de coerência: sustentar uma identidade própria, mesmo sabendo que ela seria vista e interpretada por muitas pessoas. E acho que essa também foi a grande conquista. Conseguir apresentar um projeto que realmente traduzisse o nosso olhar, sem abrir mão da personalidade, e perceber que essa autenticidade e minha vulnerabilidade também encontraram eco nas pessoas.
NJ: Difícil escolher um único, fico entre a escada e a lareira, ambos foram muito especiais.
Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/Divulgação)
NJ: Escolher a cor certa depois de muitas tentativas e também compor os tons numa escala do cinema, na regra do 60%, 30% e 10% foi um laboratório maravilhoso.
NJ: Não tem uma regra, depende do que o coração chama. Esse ano, o processo criativo começou estudando a história do Parque da Água Branca.
NJ+ | Nildo José - Casa LG. Projeto da CASACOR São Paulo 2024. (MCA Estúdio/Divulgação)
NJ: Personalidade! Acho que, independentemente dos movimentos e das tendências, é fundamental assumir quem você é, reconhecer o seu próprio olhar e ter coragem para defendê-lo. As tendências passam, mas uma identidade consistente permanece.
Para mim, destacar-se não significa necessariamente fazer algo completamente diferente, mas ter uma maneira própria de enxergar, interpretar e traduzir o mundo através da arquitetura. É preciso ter repertório, claro, mas também ter posicionamento. Saber o que faz sentido para você e sustentar essas escolhas com verdade.
(Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)
NJ: Tenho plena consciência de que cada projeto entregue é mais um sonho realizado – meu e dos meus clientes. Acho que essa é uma das partes mais bonitas da profissão: transformar um desejo, muitas vezes ainda abstrato, em algo concreto, que passa a fazer parte da vida de alguém. E, claro, emocionar, não podemos nos esquecer nunca disso!
Honestamente, mais do que pensar em um único grande sonho profissional, quero continuar tendo a oportunidade de realizar muitos sonhos através da arquitetura, sempre com projetos que tenham essa verdade.
(Denilson Machado/Divulgação)
NJ: Não consigo escolher apenas um elemento, ou um livro ou um filme... Meu olhar muda toda vez que encontro algo que considero belo. Pode ser uma revoada no sertão nordestino ou uma experiência na minha última viagem ao Japão. Acredito que a beleza está em todos os lugares. O que cabe a nós, como arquitetos, é estar atentos, olhar com curiosidade e saber selecionar aquilo que nos toca e que pode alimentar nosso repertório. No fim, é esse exercício constante de observar que vai construindo o nosso olhar.
Nildo José Arquitetos | NJ+ - SERTÃO PORTINARI. Projeto da CASACOR São Paulo 2022. (Denilson Machado/Divulgação)

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