Projeto Cores que Tocam combina leque em Braille, Cromopoemas e narrativas sonoras para associar tonalidades a emoções, memórias e sensações
Publicado em 21 de out. de 2026, 16:00

(Divulgação)
E se pessoas cegas também pudessem explorar as cores ao escolher a decoração de suas casas? Essa pergunta está na origem do Cores que Tocam, iniciativa da Coral que tornou 70 cores de seu portfólio acessíveis a pessoas com deficiência visual. A proposta é ampliar as formas de perceber e imaginar as cores por meio de textos poéticos disponíveis em Braille e em versões sonoras, chamados de Cromopoemas.
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Lançado em abril de 2025, o projeto foi desenvolvido pela Coral em parceria com a VML Brasil, com apoio técnico da Fundação Dorina Nowill para Cegos. A iniciativa marcou os 70 anos da marca no Brasil e propôs uma nova maneira de abordar a inclusão no universo das cores: em vez de restringir a experiência à visão, explora as emoções, as memórias e as sensações que cada tonalidade pode despertar.
O Cores que Tocam foi uma das iniciativas selecionadas para o Marcas que Movem, seleção anual de CASACOR e Casa e Jardim que reconhece marcas e projetos que contribuem para transformar a vida contemporânea. O caso da Coral mostra como a inclusão pode orientar o desenvolvimento de novas experiências e ampliar a relação de uma marca com seu público.
A ideia nasceu do desejo de tornar a marca mais inclusiva. “Nós já estávamos estudando há algum tempo como tornar nossos conteúdos e os nossos produtos mais acessíveis”, afirma Juliana Zaponi, head de Marketing e Comunicação para a América Latina na AkzoNobel, empresa responsável pela Coral.
Cores que Tocam, Coral (Divulgação)
Para transformar essa intenção em uma experiência concreta, a equipe procurou a Fundação Dorina Nowill para Cegos, referência no trabalho com pessoas cegas e com baixa visão no Brasil. A parceria permitiu validar tecnicamente as soluções e investigar como traduzir a percepção das cores para além do estímulo visual.
Cores que Tocam, Coral (Divulgação)
A equipe considerou diferentes formatos de acesso, de um leque físico a conteúdos digitais, até chegar aos Cromopoemas. “O principal desafio foi explicar ao consumidor o que era aquele projeto”, conta Juliana. A escolha do formato foi decisiva para transformar uma ideia abstrata — perceber cores sem recorrer à visão — em uma experiência que pudesse ser explorada de maneira autônoma.
A criação partiu de estudos da neurociência que investigam como as cores podem ser associadas a emoções, memórias e sensações também por pessoas cegas. Com esse princípio como ponto de partida, foram selecionadas 70 tonalidades, distribuídas em nove escalas cromáticas do portfólio da Coral.
Cores que Tocam, Coral (Divulgação)
As cores receberam representações em Braille, que passaram a integrar a linguagem gráfica do projeto. A etapa seguinte foi desenvolver os Cromopoemas: textos curtos que associam códigos cromáticos dos sistemas RGB, CMYK e HEX a imagens, sentimentos e narrativas capazes de evocar cada tonalidade.
A construção desses textos contou com a consultoria da Fundação Dorina Nowill. Luiza Fassarella, analista sênior de Marketing e Comunicação na AkzoNobel, explica que uma das preocupações centrais foi priorizar as sensações relacionadas à cor, em vez de se concentrar apenas em sua nomeação. “Um cuidado que tivemos foi falar mais sobre o que a cor representa do que sobre o nome da cor em si”, esclarece.
O resultado é uma linguagem que aproxima a cor de experiências cotidianas. O tom Laranja Cítrico, por exemplo, é descrito como "aquela vontade de morder uma fruta fresca no recreio. Deixar o suco escorrer pelo queixo e passar o dia com o perfume dela nas mãos". A identificação não depende de uma referência visual: recorre ao paladar, ao tato, ao olfato e à memória para construir uma imagem sensorial da tonalidade.
A dimensão sonora ampliou o alcance dos Cromopoemas. Em parceria com a produtora Vox Haus, a Coral transformou os textos em narrativas faladas, reunidas no site do Cores que Tocam e em uma galeria digital no YouTube da marca.
A direção de som foi desenvolvida considerando a sensibilidade auditiva de pessoas cegas e com baixa visão. Em vez de recorrer a uma estética próxima à do ASMR, a proposta buscou construir uma experiência sonora adequada ao público para o qual o projeto foi concebido.
A escolha evidencia que acessibilidade não se resume a adaptar um conteúdo já existente. Ela também envolve pensar desde o início em como diferentes pessoas vão receber, interpretar e vivenciar uma experiência — e em quais recursos podem torná-la mais acolhedora e acessível.
Após o lançamento, a Coral recebeu retornos positivos de consumidores, da imprensa e de empresas de diferentes segmentos. Segundo Juliana Zaponi, a iniciativa não foi desenvolvida com metas específicas de vendas, embora tenha gerado reconhecimento e ampliado o debate sobre inclusão no mercado.
“O mais importante é ter representado uma população que, muitas vezes, é tão pouco representada. A Coral entende que as pessoas com deficiência visual também são nossos consumidores, também fazem parte do nosso público. E queremos oferecer a elas a possibilidade de vivenciar a experiência da cor também”, declara.
A divulgação do projeto ganhou repercussão espontânea e levou a iniciativa à shortlist do Cannes Lions 2025, na categoria Industry Craft: Copywriting. O reconhecimento internacional se soma aos retornos recebidos pela marca e reforçou a visibilidade de uma proposta pioneira que partiu de uma questão de acesso para repensar a própria experiência com as cores.
O Marcas que Movem é uma seleção anual realizada por CASACOR e Casa e Jardim, que reúne as trajetórias, audiências e experiências das duas plataformas para reconhecer marcas e iniciativas que estão transformando a vida contemporânea. A proposta é identificar, contextualizar e amplificar projetos que promovem movimentos relevantes na sociedade e nas formas de viver.
(Reprodução/Divulgação)
Os cases selecionados são organizados em seis categorias — Produto que Move, Espaço que Move, Experiência que Move, Tecnologia que Move, Comportamento que Move e Cultura que Move. Juntas, elas apresentam um panorama diverso de iniciativas que estão produzindo mudanças nos produtos, espaços, experiências, relações e modos de viver.

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