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CASACOR SP 2026: o que fica da mostra? Pedro Ariel faz balanço da 39ª edição

O diretor de relacionamento e conteúdo da CASACOR compartilha suas impressões sobre as tendências e reflexões que marcaram a CASACOR São Paulo 2026

Por Milena Garcia

Publicado em 17 de ago. de 2026, 8:00

08 min de leitura
Pedro Ariel.

Pedro Ariel. (Andréa Graiz/CASACOR)

A CASACOR São Paulo 2026 chegou ao fim no domingo, 9 de agosto, celebrando recordes de público e quatro certificações especiais relacionadas à sustentabilidade e à inclusão. Mas uma mostra como essa não termina quando suas portas se fecham: algumas ideias permanecem, provocam reflexões e ajudam a escrever os próximos capítulos da arquitetura, design, arte e paisagismo.

Léo Shehtman Arquitetura e Design - Casa Pulsante. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Léo Shehtman Arquitetura e Design - Casa Pulsante. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

Em sua 39ª edição, a CASACOR apresentou soluções, materiais e conceitos que refletem as transformações da sociedade e os novos desejos para o morar. Pedro Ariel Santana, diretor de relacionamento e conteúdo da CASACOR, acompanhou de perto esse movimento do início ao fim do evento.

Felipe Carolo - Casa Jacob | Itaú Personalité. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Felipe Carolo - Casa Jacob | Itaú Personalité. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

Arquiteto e jornalista, ele percorreu os ambientes, conversou com profissionais e observou as escolhas que deram forma à edição. Agora, faz um balanço do que viu, ouviu e descobriu durante a mostra — e das ideias que, para ele, se mantêm após a CASACOR São Paulo 2026.

"Mente e Coração" dominou os projetos


Um dos destaques da CASACOR São Paulo 2026, segundo Pedro Ariel, foi o envolvimento dos profissionais com o tema Mente e Coração. A edição propôs que os arquitetos, designers e paisagistas representassem a casa com um espaço de reconexão consigo mesmo – o que se traduziu em ambientes afetivos e acolhedores ao longo do percurso.


"Eu acho que talvez tenha sido a edição da CASACOR que os arquitetos mais se envolveram com o tema. Eles aderiram à proposta de Mente e Coração com muita naturalidade e com muito prazer. Eles buscaram memórias afetivas nas casas dos pais, dos avós... Foram várias histórias assim", afirma.

Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Nildo José | NJ+ Arquitetos - Casa Coral Celeiro Alvorada. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

Ariel cita os projetos de Felipe Carolo, Nildo José e Rafaella Manso como os principais exemplos dessa interpretação. Além disso, o membro da CASACOR menciona os projetos que recorreram a maneiras menos literais de representar o tema, com a inclusão de vitrolas, ferros de passar antigos e outras referências ao passado.


Ele completa: "É quase uma forma de voltar ao mundo analógico diante das mazelas psíquicas do mundo digital, como o estresse, a ansiedade e a depressão. Houve, então, uma tentativa de se sentir protegido – uma forma de escapismo em busca de refúgio em outra época. A aparição de tantas referências antigas é um marco dessa edição".

Rafaella Manso Arquitetura - Notas em Linhas. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Rafaella Manso Arquitetura - Notas em Linhas. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

Tendências para ficar de olho


Pedro Ariel aponta possíveis tendências para os próximos anos entre as cores, materiais e revestimentos que mais se destacaram na CASACOR São Paulo. Para ele, os tons de borgonha, marsala e vinho chamaram atenção em diferentes superfícies – das paredes, aos tecidos e marcenarias.

Camilo Jr - Espaço Gênese. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Camilo Jr - Espaço Gênese. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Daniela Magario/CASACOR)

As peças em inox também atraíram os olhares do curador. Entre os exemplos, Ariel cita a aparição do material em bancadas, portas e até em cabeceiras de cama. Ele também menciona os espelhos "oxidados", que cederam o aspecto rústico a alguns dos ambientes da mostra.

Felipe Saurin - Arquivo Vivo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Felipe Saurin - Arquivo Vivo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

Caminhos afetivos para o futuro do morar


Após dois meses de evento, a mensagem que a CASACOR São Paulo 2026 deixou aos seus visitantes é que o futuro do morar está diretamente alinhado à ideia de "casas de verdade". Para Ariel, o público pôde se sentir mais próximo ao universo da CASACOR este ano.

Isabella Nalon Arquitetura e Interiores - A Poética do Ritmo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Isabella Nalon Arquitetura e Interiores - A Poética do Ritmo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Roberta Gewehr/CASACOR)

"Antigamente, as mostras de decoração eram muito distantes do universo do público. De repente, nós apresentamos uma edição marcada pelos livros, vitrolas e outros itens que muitos têm em casa. Eu acho que substituímos aos poucos os produtos excessivamente caros por coisas mais palpáveis. E acredito que o público saiu com essa sensação de casa de verdade, próxima à sua própria casa", declara.

Comemoração dos 40 anos de CASACOR


Como de costume, o fim da mostra já marca o início das preparações para o próximo ciclo, e dessa vez com um propósito especial: celebrar o aniversário de 40 anos da CASACOR. Os detalhes da edição 2027 estão sendo definidos pela equipe, porém Pedro Ariel eleva as expectativas para a celebração:


"O que podemos esperar é que a edição de 40 anos seja marcante. Ainda não temos um tema, mas é possível dizer que talvez a mostra crescerá de tamanho, tenha mais ambientes, e contará com o retorno de nomes consagrados que fizeram as primeiras CASACOR. Não temos nada certo, mas estamos trabalhando para isso", conclui ele.