Restaurante nos Jardins que já nasceu com data para acabar reúne móveis antigos, tecidos parisienses, peças garimpadas em leilões e antiquários e uma atmosfera de tenda de expedição
Publicado em 3 de out. de 2026, 10:00

(Divulgação/CASACOR)
O bairro dos Jardins, em São Paulo, ganhou um novo restaurant festif. Conceito francês que combina gastronomia, coquetelaria, música e entretenimento em uma mesma experiência se consolida no mesmo endereço: o Maison Dodoma, restaurante que se aproxima da atmosfera de celebração de um club, sem abrir mão da experiência à mesa.
Inaugurado no início deste ano em um imóvel na Alameda Lorena, quase esquina da Consolação, a festa no Dodoma já tem hora para acabar: o espaço será demolido no final de 2026 e dará lugar, no ano que vem, a um projeto imobiliário que vai redesenhar meia quadra entre a Lorena e a Oscar Freire. A efemeridade, porém, foi planejada desde o início – e está incrustada na própria arquitetura.
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Por trás desse conceito está Fernando Tchalian, empresário, fundador da Capodarte e designer autodidata, que assumiu pessoalmente a concepção estética da casa. “Eu baseei todo o conceito da Maison Dodoma nessa efemeridade”, diz. A referência veio a partir de estudos sobre as expedições de famílias reais e nobres que, entre os séculos XVIII e XIX, percorriam longas distâncias acompanhadas por tendas espaçosas e luxuosas, que serviam de pouso temporário em terras estrangeiras. A ideia era recriar, em plena São Paulo, essa arquitetura provisória carregada de fantasia.
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Em vez de reformar as paredes, Fernando decidiu forrá-las com tecidos estampados. A pesquisa por padronagens de animais levou aos zebrados e, por consequência, à Tanzânia – país que concentra a maior população de zebras do mundo. A capital, Dodoma, deu nome ao restaurante e ajudou a definir seu imaginário. A arquitetura, elaborada com participação do Atelier REUD em colaboração com Adriano Mariutti, partiu dessa referência para compor toda a atmosfera ali inserida.
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Antes mesmo de chegar à mesa, o visitante encontra um ambiente tomado por móveis antigos, obras de arte, tecidos, luminárias e objetos que atravessam diferentes épocas. Móveis antigos foram restaurados e ganharam tecidos encontrados por Fernando em viagens, incluindo exemplares de feiras de antiguidades de Paris. Abajures e arandelas receberam franjas de seda, enquanto almofadas e estofados foram redesenhados a partir de seus próprios desenhos.
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Para isso, Fernando passou oito meses em uma espécie de caça ao tesouro. Passou madrugadas acompanhando leilões online, percorreu antiquários e reuniu móveis, luminárias, tapetes e objetos para compor o restaurante. Em vez de adquirir peças novas, preferiu trabalhar com aquilo que já carregava uma história. A regra era não comprar nada novo. “Não tem um objeto aqui que eu não pus o dedo”, resume Fernando — foi ele quem escolheu até os copos do bar. “O mais difícil é comprar tantas coisas e fazer tudo isso casar”, admite.
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Alguns objetos assumem naturalmente o papel de protagonistas. A escultura de mármore de Carrara é o caso mais monumental: formada por blocos de pedra e representando animais silvestres, a peça italiana do fim do século XIX exigiu não apenas uma operação especial para ser transportada, mas também uma estrutura de concreto capaz de sustentá-la para recebê-la no salão.
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Outros achados trabalham de maneira menos monumental. Um grande vaso chinês de porcelana foi chumbado à parede para criar a ilusão de que flutua. Um antigo carrinho de chá foi transformado em bar e, depois, em mesa móvel para o preparo do steak tartare diante dos clientes. Tocheiros de igreja ganharam nova função como castiçais. No banheiro feminino, um puxador de porta assume a forma de um tentáculo de polvo; no masculino, uma reprodução de uma carta atribuída a dom Pedro II acrescenta outra camada histórica ao percurso.
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A atmosfera ainda se desdobra também na própria organização do restaurante. O projeto, que pode ser percebido como uma "coleção habitável", reúne terraço, balcão e salão principal, dividido entre Bistrô e Sala de Jantar, enquanto o Petite Dodoma funciona como um club mais reservado, com pista de dança, mesas e programação de performances e DJs. A proposta é justamente fazer com que gastronomia, música e entretenimento componham uma única experiência. Sob o comando dos sócios Fernando Tchalian, Sergio K., responsável pela curadoria artística e musical, e do chef Thiago Tatini, o Maison Dodoma foi concebido para ser vivido — e, justamente por sua natureza efêmera, também para ser lembrado.
Onde: Alameda Lorena, 1899, Jardins, São Paulo
Bar e restaurante: quarta a sábado, das 19h às 2h
Club Petite: sexta e sábado, das 23h às 4h
Reservas e eventos: +55 (11) 94587-5629