comScore
CASACOR
Gastronomia

Restaurant festif nos Jardins, Maison Dodoma reúne uma coleção habitável de antiguidades

Restaurante nos Jardins que já nasceu com data para acabar reúne móveis antigos, tecidos parisienses, peças garimpadas em leilões e antiquários e uma atmosfera de tenda de expedição

Por Redação

Publicado em 3 de out. de 2026, 10:00

05 min de leitura
Seguir no
Restaurant festif nos Jardins, Maison Dodoma reúne uma coleção habitável de antiguidades

(Divulgação/CASACOR)

O bairro dos Jardins, em São Paulo, ganhou um novo restaurant festif. Conceito francês que combina gastronomia, coquetelaria, música e entretenimento em uma mesma experiência se consolida no mesmo endereço: o Maison Dodoma, restaurante que se aproxima da atmosfera de celebração de um club, sem abrir mão da experiência à mesa.


Inaugurado no início deste ano em um imóvel na Alameda Lorena, quase esquina da Consolação, a festa no Dodoma já tem hora para acabar: o espaço será demolido no final de 2026 e dará lugar, no ano que vem, a um projeto imobiliário que vai redesenhar meia quadra entre a Lorena e a Oscar Freire. A efemeridade, porém, foi planejada desde o início – e está incrustada na própria arquitetura.

Maison Dodoma

(Divulgação/CASACOR)

Por trás desse conceito está Fernando Tchalian, empresário, fundador da Capodarte e designer autodidata, que assumiu pessoalmente a concepção estética da casa. “Eu baseei todo o conceito da Maison Dodoma nessa efemeridade”, diz. A referência veio a partir de estudos sobre as expedições de famílias reais e nobres que, entre os séculos XVIII e XIX, percorriam longas distâncias acompanhadas por tendas espaçosas e luxuosas, que serviam de pouso temporário em terras estrangeiras. A ideia era recriar, em plena São Paulo, essa arquitetura provisória carregada de fantasia.

Uma tenda feita de histórias


Maison Dodoma

(Divulgação/CASACOR)

Em vez de reformar as paredes, Fernando decidiu forrá-las com tecidos estampados. A pesquisa por padronagens de animais levou aos zebrados e, por consequência, à Tanzânia – país que concentra a maior população de zebras do mundo. A capital, Dodoma, deu nome ao restaurante e ajudou a definir seu imaginário. A arquitetura, elaborada com participação do Atelier REUD em colaboração com Adriano Mariutti, partiu dessa referência para compor toda a atmosfera ali inserida.

Maison Dodoma

(Divulgação/CASACOR)

Antes mesmo de chegar à mesa, o visitante encontra um ambiente tomado por móveis antigos, obras de arte, tecidos, luminárias e objetos que atravessam diferentes épocas. Móveis antigos foram restaurados e ganharam tecidos encontrados por Fernando em viagens, incluindo exemplares de feiras de antiguidades de Paris. Abajures e arandelas receberam franjas de seda, enquanto almofadas e estofados foram redesenhados a partir de seus próprios desenhos.

Maison Dodoma

(Divulgação/CASACOR)

Para isso, Fernando passou oito meses em uma espécie de caça ao tesouro. Passou madrugadas acompanhando leilões online, percorreu antiquários e reuniu móveis, luminárias, tapetes e objetos para compor o restaurante. Em vez de adquirir peças novas, preferiu trabalhar com aquilo que já carregava uma história. A regra era não comprar nada novo. “Não tem um objeto aqui que eu não pus o dedo”, resume Fernando — foi ele quem escolheu até os copos do bar. “O mais difícil é comprar tantas coisas e fazer tudo isso casar”, admite.

Do antiquário ao salão


Maison Dodoma

(Divulgação/CASACOR)

Alguns objetos assumem naturalmente o papel de protagonistas. A escultura de mármore de Carrara é o caso mais monumental: formada por blocos de pedra e representando animais silvestres, a peça italiana do fim do século XIX exigiu não apenas uma operação especial para ser transportada, mas também uma estrutura de concreto capaz de sustentá-la para recebê-la no salão.

Maison Dodoma

(Divulgação/CASACOR)

Outros achados trabalham de maneira menos monumental. Um grande vaso chinês de porcelana foi chumbado à parede para criar a ilusão de que flutua. Um antigo carrinho de chá foi transformado em bar e, depois, em mesa móvel para o preparo do steak tartare diante dos clientes. Tocheiros de igreja ganharam nova função como castiçais. No banheiro feminino, um puxador de porta assume a forma de um tentáculo de polvo; no masculino, uma reprodução de uma carta atribuída a dom Pedro II acrescenta outra camada histórica ao percurso.

Maison Dodoma

(Divulgação/CASACOR)

A atmosfera ainda se desdobra também na própria organização do restaurante. O projeto, que pode ser percebido como uma "coleção habitável", reúne terraço, balcão e salão principal, dividido entre Bistrô e Sala de Jantar, enquanto o Petite Dodoma funciona como um club mais reservado, com pista de dança, mesas e programação de performances e DJs. A proposta é justamente fazer com que gastronomia, música e entretenimento componham uma única experiência. Sob o comando dos sócios Fernando Tchalian, Sergio K., responsável pela curadoria artística e musical, e do chef Thiago Tatini, o Maison Dodoma foi concebido para ser vivido — e, justamente por sua natureza efêmera, também para ser lembrado.

Serviço – Maison Dodoma

  • Onde: Alameda Lorena, 1899, Jardins, São Paulo

  • Bar e restaurante: quarta a sábado, das 19h às 2h

  • Club Petite: sexta e sábado, das 23h às 4h

  • Reservas e eventos: +55 (11) 94587-5629