Em cartaz a partir de 13 de setembro, a exposição "Criação de mundos" percorre a produção de Zanine Caldas por meio de móveis, maquetes e projetos
Publicado em 10 de set. de 2026, 14:00

Zanine Caldas, Joatinga, Rio de Janeiro, 1968, foto José Medeiros, acervo Déa Zanine (José Medeiros/Divulgação)
A trajetória de Zanine Caldas será revisitada em uma nova exposição na Casa-ateliê Tomie Ohtake, no Campo Belo, em São Paulo. Em cartaz de 13 de setembro a 7 de novembro de 2026, Zanine Caldas – Criação de mundos reúne mobiliário, maquetes, desenhos, projetos arquitetônicos, fotografias, filmes, documentos e outros registros que percorrem diferentes momentos da produção do arquiteto autodidata, designer, maquetista e professor.
Zanine Caldas em rocha do Morro da Joatinga (Rio de Janeiro, década de 1970), foto José Medeiros, acervo Déa Zanine (José Medeiros/Divulgação)
Com curadoria de Sabrina Fontenele e assistência de Lahayda Mamani Poma, a mostra dá continuidade à nova fase da antiga residência de Tomie Ohtake e propõe uma leitura ampla sobre a obra de Zanine. Dividido em quatro núcleos — Raiz, Tronco, Abrigo e Horizonte —, o percurso evidencia as relações que ele estabeleceu entre arquitetura, design, artesania, educação e preservação ambiental.
A formação de José Zanine Caldas (1919–2001) esteve diretamente ligada à experiência prática, à observação e ao contato com diferentes formas de trabalhar a matéria. Nascido em Belmonte, na Bahia, aproximou-se ainda jovem dos processos construtivos e da madeira, enquanto os encontros com nomes como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Vilanova Artigas, Joaquim Tenreiro e Sergio Rodrigues ajudaram a ampliar esse repertório. Esse percurso aparece em Raiz, primeiro núcleo da exposição.
Casa dos Triângulos, Nova Viçosa, BA, década de 70 (Zanine Caldas/Divulgação)
Em Tronco, a madeira assume papel central. Nos anos 1940, Zanine pesquisou formas de reduzir o desperdício de chapas de compensado na fabricação de móveis, experiência que se desdobraria na Móveis Artísticos Z. Décadas depois, passou a reutilizar materiais de demolição, raízes e grandes troncos descartados ou queimados pela indústria madeireira, dando origem aos chamados móveis-denúncia, associados a uma reflexão sobre a destruição das florestas brasileiras.
Casa Antônio Cruz, Joatinga, Rio de Janeiro, 2018 (André Nazareth/Divulgação)
A arquitetura residencial ganha destaque em Abrigo, núcleo que evidencia um modo de projetar orientado pelas características do terreno, pelos materiais disponíveis e pelo conhecimento de artesãos, carpinteiros e outros trabalhadores. Maquetes e protótipos ocupavam papel central nesse processo, funcionando tanto como instrumentos de representação quanto de teste e investigação construtiva.
Casa Bettiol, Brasília, 2019 (André Nazareth/Divulgação)
Por fim, Horizonte apresenta a atuação de Zanine como educador e sua compreensão da arquitetura como instrumento de transformação social. Documentos e registros de experiências na FAU-USP, na Universidade de Brasília e no Centro de Desenvolvimento das Aplicações das Madeiras do Brasil mostram como ensino, pesquisa construtiva e questões ambientais também atravessaram sua trajetória.
A realização de Criação de mundos na Casa-ateliê Tomie Ohtake acrescenta uma camada particular à exposição. Foi nesse espaço que Tomie trabalhou, recebeu artistas, arquitetos e outros interlocutores e desenvolveu parte importante de sua trajetória, fazendo da casa um lugar de criação, convivência e experimentação.
Casa-ateliê de Tomie Ohtake - Projeto de Ruy Ohtake e Adolfo Sato. (Ohtake/Divulgação)
Sem buscar aproximações formais entre as obras de Tomie e Zanine, a mostra evidencia pontos de contato entre seus percursos, sobretudo na importância atribuída à experiência, aos materiais e ao próprio fazer. Nesse encontro, a casa-ateliê reforça sua vocação como espaço de diálogo entre arquitetura, design, arte e memória.
Além da exposição, a programação inclui visitas mediadas, conversas e uma oficina dedicadas à trajetória e ao legado de Zanine Caldas.
Visitas mediadas — aos sábados e domingos, às 11h e às 15h, sem necessidade de inscrição prévia.
19 de setembro, às 15h — Entre a técnica e a invenção
Conversa com Maria Cecília Loschiavo dos Santos e Conrado Vivacqua Raymundo dos Santos, com mediação de Lahayda Mamani Poma.
26 de setembro, às 15h — Matéria viva: entre a arte e a arquitetura
Mesa com Talles Lopes e Laura Cosendey, mediada por Amanda Sammour.
24 de outubro, às 11h — Oficina com o educativo
Atividade conduzida pela equipe educativa da exposição.
24 de outubro, às 15h — Projetar mundos, criar mundos
Conversa com Pedro Alban, Ligia Zilbersztejn e Rodrigo Ohtake, com mediação de Sabrina Fontenele.
7 de novembro, às 15h — Zanine na escala do contemporâneo
Encontro com Amanda Carvalho e Sabrina Fontenele, mediado por Amanda Sammour, sobre a permanência e os desdobramentos da obra de Zanine no presente.
Onde: Casa-ateliê Tomie Ohtake (Rua Antônio de Macedo Soares, 1800 – Campo Belo)
Quando: 13 de setembro a 7 de novembro de 2026 (última entrada às 16h)
Horário de funcionamento: quinta a domingo, das 10h às 17h
Ingresso: R$ 50,00
Meia-entrada: estudantes, pessoas com 60 anos ou mais e professores; clientes Nubank.
Gratuidade: Amigos Tomie; clientes Nubank Ultravioleta; crianças com idade igual ou inferior a 10 anos; e portadores de cartão ICOM. As gratuidades e cortesias devem ser solicitadas na plataforma de ingressos.
Link da bilheteria: https://casa-atelie-tomieohtake.byinti.com/#/event/bilheteria-casa-atelie-tomie-ohtake-2