Sergio Rodrigues criou peças icônicas que traduzem a brasilidade, o conforto e a madeira em um legado que permanece atual no design nacional
Publicado em 1 de set. de 2026, 12:00

(Instituto Sergio Rodrigues/Divulgação)
Sergio Rodrigues ocupa um lugar singular na história da arquitetura e do design brasileiro. Embora tenha se tornado internacionalmente reconhecido pelo mobiliário, o carioca fazia questão de se apresentar como arquiteto, formação que esteve presente em sua maneira de pensar espaços, objetos e a relação entre pessoas e ambientes.
Ao longo de uma carreira marcada por experimentações, criou móveis que ajudaram a consolidar uma identidade brasileira no design moderno.
Sergio Rodrigues (Divulgação/Divulgação)
Com peças que aliam materiais tradicionais, formas expressivas e conforto, Sergio Rodrigues transformou referências da cultura nacional em objetos de desenho marcante. Poltronas, cadeiras, bancos e sofás concebidos por ele atravessaram décadas e continuam presentes em projetos contemporâneos, inclusive em diferentes edições da CASACOR.
Seu trabalho permanece como uma referência para profissionais que buscam aproximar arquitetura, memória, funcionalidade e brasilidade.
Nascido no Rio de Janeiro, em 1927, Sergio Rodrigues formou-se em arquitetura em 1951. Desde o início da carreira, porém, seu olhar ultrapassava os limites tradicionais da profissão.
Interessado pela criação de móveis e pela relação entre desenho e cultura, passou a desenvolver peças que respondiam a uma questão fundamental: como criar um mobiliário moderno que tivesse identidade genuinamente brasileira?
Sergio Rodrigues by LinBrasil. (Divulgação/Divulgação)
Essa busca ganhou força a partir da década de 1950, período de intensa transformação na arquitetura e no design nacionais. Em vez de reproduzir modelos estrangeiros, Sérgio incorporou ao trabalho referências da cultura popular, da natureza e dos materiais brasileiros.
A madeira, o couro e a palhinha aparecem com frequência em sua produção, enquanto as formas revelam uma combinação particular entre robustez e descontração. O resultado é um mobiliário reconhecível, mas que não depende apenas da aparência: cada peça também carrega uma narrativa.
Em 1955, Sergio Rodrigues fundou a Oca, no Rio de Janeiro, espaço que teve papel importante na consolidação do design brasileiro. A loja funcionava não apenas como ponto de comercialização, mas também como um ambiente de criação e divulgação de móveis nacionais.
(Instituto Sergio Rodrigues/Divulgação)
O próprio nome Oca já revelava a intenção de aproximar o projeto da cultura brasileira. A experiência permitiu que Sergio desenvolvesse e apresentasse uma série de criações que se tornariam fundamentais para sua trajetória.
A iniciativa também ajudou a ampliar a compreensão sobre o mobiliário. Para o arquiteto, o móvel poderia ser mais do que um objeto funcional ou um símbolo de status: poderia fazer parte da cultura e expressar uma maneira brasileira de viver.
Entre as criações de Sergio Rodrigues, poucas alcançaram a projeção da Poltrona Mole. Desenvolvida originalmente em 1957, a peça rompeu com a aparência rígida associada a parte do mobiliário moderno e apostou em uma estrutura de madeira combinada a grandes almofadas de couro.
Projeto de Beta Arquitetura. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/Divulgação)
O desenho traduzia uma ideia de conforto quase informal, como se convidasse o usuário a se acomodar sem cerimônia. A inspiração brasileira também estava presente na maneira descontraída de pensar o móvel.
Projeto de João Panaggio (Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)
A Poltrona Mole ganhou reconhecimento internacional ao receber, em 1961, o primeiro prêmio no Concurso Internacional do Móvel, na Itália. A conquista ajudou a projetar o design brasileiro no exterior e consolidou Sergio Rodrigues como um dos grandes nomes do mobiliário moderno.
A produção de Sergio Rodrigues está longe de se resumir à Poltrona Mole. O Banco Mocho, criado em 1954, é outro exemplo da capacidade do arquiteto de transformar referências cotidianas em objetos de desenho sofisticado.
Anderson Silveira - Escritório das Inspirações. Projeto da CASACOR Ribeirão Preto 2023. (Carolina Mossin/Divulgação)
Inspirado nos pequenos bancos utilizados na zona rural para ordenha, o Mocho apresenta estrutura simples, três pés e assento circular com abertura que também funciona como alça. A peça sintetiza algumas das características mais marcantes do trabalho do designer: funcionalidade, simplicidade e referências brasileiras.
Poltrona Chifruda no ambiente Living Bar, de Moacir Junior e Salvio Junior para a CASACOR São Paulo 2017. (Marco Antonio/Divulgação)
Já a Poltrona Chifruda, de 1962, apresenta uma linguagem mais escultórica. Criada no contexto da exposição “Móvel como Objeto de Arte”, a peça revela o lado experimental de Sergio e sua disposição para explorar formas pouco convencionais.
Ao longo da carreira, o arquiteto criou cerca de 1.200 modelos de móveis, destinados a residências, escritórios, hotéis, restaurantes, espaços públicos e outros projetos.
Apesar de sua fama como designer, Sergio Rodrigues nunca deixou a arquitetura de lado. Seu trabalho incluiu projetos residenciais e institucionais, interiores, cenografia e sistemas construtivos.
Moacir Junior e Salvio Junior - Living Bar. (Denilson Machado/Divulgação)
Entre suas experiências está o SR2, sistema de elementos modulados pré-fabricados para construção de habitações em madeira. Protótipos foram apresentados no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e o sistema chegou a ser aplicado em projetos relacionados à Universidade de Brasília e ao Iate Clube de Brasília.
Essa atuação ajuda a compreender a dimensão de sua obra: para Sergio, arquitetura e mobiliário não eram campos isolados. O móvel poderia participar da construção de uma atmosfera e, ao mesmo tempo, estabelecer uma relação direta com a maneira como as pessoas ocupam os espaços.
Sergio Rodrigues morreu em 2014, mas seu trabalho continua sendo revisitado, reeditado e incorporado a novos projetos. Seu legado também é preservado pelo Instituto Sergio Rodrigues e pelo atelier dedicado à continuidade de sua produção.
O próprio atelier define Sergio como um dos grandes nomes do design de mobiliário nacional e destaca o trabalho de profissionais que se dedicam a perpetuar seu legado por meio de projetos singulares e atemporais.
Mais do que criar móveis icônicos, Sergio Rodrigues ajudou a construir uma ideia de brasilidade aplicada ao design. Suas peças traduzem referências culturais sem abrir mão da inovação e mostram que um objeto pode ser simultaneamente funcional, confortável, expressivo e carregado de memória.
É justamente essa combinação que mantém sua obra atual. Décadas depois de serem desenhados, seus móveis continuam capazes de estabelecer diálogos com diferentes estilos de arquitetura e interiores — uma característica que transforma Sergio Rodrigues não apenas em um nome fundamental do passado, mas em uma referência ainda viva para o design brasileiro.
CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Yeska Coelho.

Yayoi Kusama: as obras que fizeram da artista das "bolinhas" um fenômeno global
Da CASACOR à SP-Arte: 5 artistas em destaque nos dois eventos para ficar de olho

Geraldo Lino assina ambiente da Deca que celebra o encontro, a biofilia e o bem-estar na CASACOR Espírito Santo 2026