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Arte

Tomie Ohtake: conheça a história e os trabalhos da artista brasileira

Conheça a trajetória de Tomie Ohtake e suas contribuições para a arte brasileira, das galerias às grandes intervenções no espaço público

Por Chrys Hadrian

Publicado em 21 de ago. de 2026, 10:32

08 min de leitura
Tomie Ohtake (1913–2015) foi uma das grandes referências da arte brasileira, construindo uma trajetória marcada pela abstração, pela experimentação e por esculturas que se tornaram parte da paisagem urbana.

Tomie Ohtake (1913–2015) foi uma das grandes referências da arte brasileira, construindo uma trajetória marcada pela abstração, pela experimentação e por esculturas que se tornaram parte da paisagem urbana. (Instituto Tomie Ohtake/Divulgação)

Tomie Ohtake é um dos nomes mais importantes da arte brasileira e construiu uma trajetória marcada pela experimentação, pela liberdade criativa e pela busca constante por novas formas de expressão.

Tomie Ohtake em frente à sua residência, projetada por seu filho, Ruy Ohtake, em colaboração com o arquiteto Adolfo Sato.

Tomie Ohtake em frente à sua residência, projetada por seu filho, Ruy Ohtake, em colaboração com o arquiteto Adolfo Sato. (Instituto Tomie Ohtake/Divulgação)

Nascida em Kyoto, no Japão, em 1913, ela chegou ao Brasil em 1936 e passou a viver em São Paulo, cidade onde sua produção artística ganharia força. A artista começou a pintar perto dos 40 anos e, ao longo das décadas seguintes, desenvolveu uma obra que transitou pela pintura, gravura e escultura. Com uma produção reconhecida no Brasil e no exterior, Tomie deixou marcas profundas nas galerias, nos museus e também nas paisagens urbanas.

Uma trajetória artística que começou aos 39 anos


Tomie Ohtake iniciou sua carreira artística aos 39 anos, incentivada pelo artista japonês Keiya Sugano. Pouco tempo depois, sua produção passou a conquistar espaço nos salões e exposições brasileiros, consolidando uma carreira independente e sem ligação fixa com movimentos ou manifestos artísticos.

Tomie Ohtake (1913–2015) foi uma das grandes referências da arte brasileira, construindo uma trajetória marcada pela abstração, pela experimentação e por esculturas que se tornaram parte da paisagem urbana.

Tomie Ohtake (1913–2015) foi uma das grandes referências da arte brasileira, construindo uma trajetória marcada pela abstração, pela experimentação e por esculturas que se tornaram parte da paisagem urbana. (Luiz Carlos Santos/Agência O Globo/Divulgação)

Essa liberdade foi uma das características mais marcantes de seu trabalho: Tomie experimentava diferentes técnicas e suportes, sem abandonar a pesquisa que orientou sua produção por décadas. Ao longo da vida, participou de 20 bienais internacionais, realizou mais de 120 exposições individuais e recebeu importantes reconhecimentos por sua contribuição para as artes visuais.

A abstração como principal linguagem


Grande parte dos trabalhos de Tomie Ohtake é associada à abstração. Em suas pinturas, formas geométricas, curvas, círculos, linhas e grandes campos de cor se combinam para criar composições que parecem estar em movimento.

Aqui, temos seis obras de Tomie Ohtake que revelam a diversidade de sua produção artística, marcada pela abstração, pelas formas geométricas, pelas curvas e pela exploração das cores.

Aqui, temos seis obras de Tomie Ohtake que revelam a diversidade de sua produção artística, marcada pela abstração, pelas formas geométricas, pelas curvas e pela exploração das cores. (Nara Roesler/Divulgação)

Com o passar dos anos, sua produção tornou-se cada vez mais livre, explorando gestos, transparências, texturas e o comportamento da própria tinta sobre a tela. Em vez de reproduzir figuras ou paisagens, a artista buscava provocar sensações por meio da relação entre formas, cores e espaço, criando obras abertas a diferentes interpretações.

Pinturas, gravuras e esculturas


A diversidade de técnicas foi outro aspecto importante de sua trajetória. Tomie produziu pinturas e gravuras, mas também se destacou no campo da escultura, desenvolvendo trabalhos de grandes dimensões e explorando materiais como concreto, ferro e aço. Muitas de suas esculturas têm formas orgânicas, criando uma forte relação com o espaço ao redor.

Criada em 2013, esta escultura abstrata de Tomie Ohtake é produzida em tubo de aço carbono com pintura epóxi branca, destacando as formas curvas tão características de sua produção.

Criada em 2013, esta escultura abstrata de Tomie Ohtake é produzida em tubo de aço carbono com pintura epóxi branca, destacando as formas curvas tão características de sua produção. (Nara Roesler/Divulgação)

A gravura, por sua vez, foi um campo permanente de experimentação em sua carreira, permitindo que a artista investigasse texturas, recortes, sobreposições e variações de cor. Essa constante disposição para experimentar ajuda a explicar por que sua obra continuou se transformando mesmo após décadas de produção.

Tomie Ohtake e a arte nas cidades


Inaugurado em 1988, o Monumento aos 80 Anos da Imigração Japonesa, de Tomie Ohtake, tornou-se um dos marcos da paisagem paulistana na Avenida 23 de Maio.

Inaugurado em 1988, o Monumento aos 80 Anos da Imigração Japonesa, de Tomie Ohtake, tornou-se um dos marcos da paisagem paulistana na Avenida 23 de Maio. (Nara Roesler/Divulgação)

Uma das contribuições mais visíveis de Tomie Ohtake para a cultura brasileira está em suas obras públicas. São mais de 30 trabalhos integrados a diferentes cidades, especialmente em São Paulo.

Quatro obras públicas de Tomie Ohtake: 1. Laboratório Aché (1997); 2. Edifício Berrini 500 (2000); 3. IEB – Instituto de Estudos Brasileiros da USP (1994) e 4. Escola Maria Imaculada (1992).

Quatro obras públicas de Tomie Ohtake: 1. Laboratório Aché (1997); 2. Edifício Berrini 500 (2000); 3. IEB – Instituto de Estudos Brasileiros da USP (1994) e 4. Escola Maria Imaculada (1992). (Instituto Tomie Ohtake/Divulgação)

Entre eles, está a famosa escultura da Avenida 23 de Maio, criada em 1988 em comemoração aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil. Também fazem parte desse legado as obras presentes na Estação Consolação do Metrô, no Memorial da América Latina, na Cidade Universitária e no Auditório Ibirapuera, entre outros espaços. Essas intervenções aproximaram a arte do cotidiano, levando o trabalho da artista para além dos museus e galerias.

O reconhecimento no Brasil e no exterior


Ao longo de sua carreira, Tomie Ohtake participou de exposições no Brasil e em países como Estados Unidos, Japão, Itália e Reino Unido. Em 1983, uma grande retrospectiva no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP, ampliou ainda mais seu reconhecimento entre o público.

A Ladeira da Memória foi realizada por Tomie Ohtake em 1984 sobre a parede cega de um edifício no Anhangabaú.

A Ladeira da Memória foi realizada por Tomie Ohtake em 1984 sobre a parede cega de um edifício no Anhangabaú. (Instituto Tomie Ohtake/Divulgação)

A artista também participou de importantes bienais e teve trabalhos incorporados a coleções de instituições relevantes. O acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, por exemplo, reúne obras de Tomie, e sua produção continua sendo estudada e apresentada em exposições dedicadas à abstração e à arte brasileira.

Um legado que continua presente


No Memorial da América Latina, em São Paulo, a arte de Tomie Ohtake também ganha espaço em uma monumental tapeçaria, criada especialmente para integrar a arquitetura do complexo.

No Memorial da América Latina, em São Paulo, a arte de Tomie Ohtake também ganha espaço em uma monumental tapeçaria, criada especialmente para integrar a arquitetura do complexo. (Instituto Tomie Ohtake/Divulgação)

Tomie Ohtake morreu em 2015, aos 101 anos, mas sua obra segue influenciando artistas e despertando o interesse de novas gerações. Em São Paulo, o Instituto Tomie Ohtake preserva e divulga seu legado por meio de exposições, pesquisas e ações culturais, além de manter viva a discussão sobre sua produção.

Instituto Tomie Ohtake

(Divulgação/Divulgação)

Sua trajetória também representa uma contribuição importante para a valorização das mulheres na história da arte e para o reconhecimento da influência japonesa na cultura brasileira. Das telas às esculturas monumentais, Tomie construiu uma obra que transformou espaços e mostrou que a arte pode continuar em movimento, sempre aberta a novas experiências.