Música, moda e artes visuais ampliaram a programação da CASACOR Bahia 2026 e reforçaram a potência cultural de Salvador
Publicado em 11 de set. de 2026, 10:00

Pedro Chezzi | Chezzi Interiores - Ressonar. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
A CASACOR Bahia 2026 chegou ao fim no último domingo (6), mas o legado reforçado pela mostra é indiscutível: a potência da união das diferentes formas de expressão cultural em Salvador (BA). O evento é tradicionalmente conhecido como a maior mostra de arquitetura, design e paisagismo das Américas, porém decidiu ir além e provar que essas linguagens funcionam ainda melhor quando unidas às artes visuais, à música e até mesmo à moda.
Dayse Pellegrini e Michele Wharton - Lounge Entre Camadas. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
Foram diversos eventos em realizados ao longo dos dois meses da 32ª edição da CASACOR Bahia. "A iniciativa surgiu da intenção estratégica de transformar a mostra em um ponto de encontro e polo cultural vivo em Salvador. A percepção de que morar bem vai além do espaço físico impulsionou a inclusão da arte, da moda e da música como pilares fundamentais de estilo de vida, identidade e expressão cultural", afirma Magali Santana, diretora da CASACOR Bahia.
A começar pela programação musical, a CASACOR Bahia reuniu shows de diversos nomes femininos da cena baiana durante o mês de agosto. Entre eles, estavam: Larissa Luz, Illy, Sambaiana e Amy Reggaehouse, tributo à cantora britânica Amy Winehouse idealizado pela cantora Clariana. Todas as apresentações estavam inclusas no ingresso da mostra e puderam ser conferidas paralelamente à visitação dos 46 ambientes projetados pelos arquitetos, designers e paisagistas do elenco.
A presença da moda na CASACOR Bahia teve início com a loja Meninos Rei, projetada por Augusto Senna, e continuou com a realização do desfile "Saberes que Viram Tendência". Foram 20 criações produzidas a partir de processos de formação e mentorias do Programa de Qualificação do Artesanato da Bahia – conduzidas por nomes como Acredite no Seu Axé, de Isa Silva, Mãos de Mãe e Elis Cardim, além da própria Meninos Rei.
Augusto Senna - Lounge Meninos Rei. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)
"A CASACOR Bahia sai na frente quando apresenta a moda como ferramenta de transformação e entende a que a arquitetura está muito ligada à moda. Ano passado, fizemos um desfile que homenageou Preta Gil e Gilberto Gil. Esse ano, a trilha sonora foi dedicada à Gal Costa", conta Carlos Cruz, diretor criativo do desfile e CEO do Instituto Periferia do Futuro.
As matérias-primas e técnicas utilizadas tinham como foco a sustentabilidade e a valorização do trabalho manual baiano. Um dos pilares do trabalho de Carlos Cruz também envolveu a ancestralidade, com forte representação da juventude negra e periférica no desfile.
Os corredores da Casa Nossa Senhora das Mercês, que abrigou a CASACOR Bahia em 2025 e 2026, também foram grandes exemplos da multiplicidade cultural da mostra. Eles foram preenchidos por nada menos do que 190 obras de arte assinadas por artistas baianos. Com curadoria de Ernesto Bitencourt e Wesley Lemos, o projeto faz parte do programa Panorama da Arte Moderna e Contemporânea Baiana e visava transformar as áreas de passagem em lugares de permanência, em sintonia com o tema Mente e Coração.
Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
"Há três anos, a cultura e a arte têm sido instrumentos de entretenimento, arte e educação na CASACOR Bahia. Dessa vez, nós quisemos mostrar quem são os verdadeiros artistas que fizeram os pilares modernistas e contemporâneos da Bahia", explica Wesley Lemos em menção às obras de artistas como Almandrade, Mario Cravo, Carybé e Genaro de Carvalho e outros.
Wesley Lemos - Galeria de Arte Ernesto Bitencourt | Aurelino dos Santos. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/CASACOR)
O grande destaque no âmbito artístico da CASACOR Bahia 2026 foi a abertura inédita do claustro do antigo convento para abrigar a Galeria Aurelino dos Santos. O espaço presta homenagem a um dos grandes mestres das artes visuais e da produção autodidata baiana, falecido no início do ano. Contamos mais sobre a trajetória de Aurelino dos Santos aqui.
Ao reunir diferentes expressões em torno da arquitetura, a CASACOR Bahia 2026 encerrou sua 32ª edição reforçando uma relação que atravessa a própria identidade cultural de Salvador. Mais do que receber música, moda e artes visuais em sua programação, a mostra abriu espaço para que essas linguagens dialogassem entre si, aproximando criadores, públicos e diferentes gerações da produção baiana.
Vitor Martins Arquitetura - Loja Artesanato da Bahia. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
Nas palavras de Magali Santana, a união dessas linguagens permitiu uma vivência cultural completa. "Essas quatro vertentes compartilham a mesma essência: a capacidade de traduzir comportamentos, emoções e narrativas da época. Quando unidas, elas criam uma atmosfera completa onde o visitante não apenas observa um espaço, mas sente e vivencia a cultura em sua totalidade".
Augusto Senna - Lounge Meninos Rei. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)
Por sua vez, Carlos Cruz cita Gilberto Gil ao falar sobre o mix cultural. "Gilberto Gil é muito feliz quando fala que a cultura é igual feijão com arroz e precisa de estar no prato do povo. Para mim, toda arte é conjugada. Eu acredito que todas as ferramentas de arte são ligadas entre si", finaliza.