comScore
CASACOR
Cidades

Um novo olhar do centro do Rio de Janeiro no rooftop da CASACOR Rio 2026

Os edifícios históricos que cercam a CASACOR Rio 2026 revelam a evolução arquitetônica do Centro e a riqueza das memórias que atravessam suas ruas

Por Milena Garcia

Publicado em 26 de out. de 2026, 19:04

10 min de leitura
Seguir no

Maurício Nóbrega Arquitetura - Bolhas Bar de Champagne. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026.

Maurício Nóbrega Arquitetura - Bolhas Bar de Champagne. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)

A CASACOR Rio 2026 está cercada por alguns dos principais marcos arquitetônicos do Rio de Janeiro. Realizada no Edifício Aliança na Bahia, um simples almoço no Astrodome Bistrô ou um drink no Bar do 19, ambos localizados no rooftop da mostra, podem oferecer um tour privilegiado pelo centro histórico da cidade.


Para além da vista panorâmica do 15° andar, é possível conhecer um pouco da história dos edifícios que cercam a CASACOR Rio 2026 graças a quatro grandes painéis que compõem a exposição Rio Entre Tempos. Apresentada pela Galeria Rio Memórias, a proposta estabelece uma leitura visual sobre as transformações urbanas e arquitetônicas do Centro do Rio.

Painel da exposição Rio Entre Tempos na CASACOR Rio 2026.

Painel da exposição Rio Entre Tempos na CASACOR Rio 2026. (Milena Garcia/CASACOR)

Diretamente relacionada à paisagem observada a partir do edifício, a exposição destaca as construções mais emblemáticas da região e reforça a ideia de que a cidade é um organismo em constante transormação. A partir dos painéis no rooftop, os visitantes são convidados a identificar, no skyline do Centro, alguns desses edifícios com os próprios olhos. A experiência continua com a exposição completa no 7° andar da mostra.


“Estes edifícios refletem fases importantes da história política, econômica e social de nossa cidade e de nosso país. São distintos partidos arquitetônicos aplicados aos nossos prédios públicos e privados, que vão se sucedendo ou coexistindo, às vezes, de forma antagônica”, comenta Joaquim Marçal, curador da exposição.

Painel da exposição Rio Entre Tempos na CASACOR Rio 2026.

Painel da exposição Rio Entre Tempos na CASACOR Rio 2026. (Milena Garcia/CASACOR)

A seguir, alguns dos marcos arquitetônicos que cercam a CASACOR Rio 2026 e revelam novas perspectivas sobre a história da cidade.

Palácio Gustavo Capanema


Construído entre 1937 e 1945 para abrigar o então Ministério da Educação e Saúde Pública, o Palácio Gustavo Capanema é um dos marcos da arquitetura modernista brasileira. O projeto foi coordenado por Lúcio Costa, com participação de Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcelos, além da consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier. Entre suas principais características estão os pilotis, a fachada livre, as janelas horizontais e o terraço-jardim, projetado por Roberto Burle Marx. O edifício também integra arquitetura e artes plásticas por meio dos painéis de Cândido Portinari e das esculturas de Bruno Giorgi, entre outras obras. Tombado pelo Iphan em 1948, passou por um amplo processo de restauração concluído em 2025.

Palácio Gustavo Capanema

Palácio Gustavo Capanema (Henrique Liberal/Wikimedia Commons/CASACOR)

Theatro Municipal


Inaugurado em 1909, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro surgiu no contexto das reformas urbanas conduzidas pelo prefeito Pereira Passos, que buscavam modernizar a então capital federal. Seu projeto resultou da combinação de propostas dos arquitetos Francisco de Oliveira Passos e Albert Guilbert, inspiradas na Ópera Garnier, de Paris. A construção reúne referências da arquitetura eclética e da tradição acadêmica europeia, com uma fachada monumental e interiores ricamente ornamentados. Para os interiores, foram convocados artistas como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli, além de artesãos responsáveis por vitrais e mosaicos. Ao longo de sua história, o teatro tornou-se uma das principais instituições culturais do país e atualmente mantém orquestra sinfônica, coro e companhia de balé próprios.

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Theatro Municipal do Rio de Janeiro (一井 潤一 -/Wikimedi Commons/CASACOR)

Edifício da ABI


Inaugurado em 1938, o edifício da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) foi concebido para abrigar a entidade fundada em 1908, que até então funcionava em espaços alugados. O projeto vencedor de um concurso organizado pelo presidente da associação, Herbert Moses, foi desenvolvido pelos irmãos Marcelo e Milton Roberto e se tornou uma referência da arquitetura moderna no Rio de Janeiro. Sua fachada é marcada pelos brises-soleil verticais de concreto, elementos que filtram a incidência solar e contribuem para o conforto térmico dos ambientes. O edifício também incorpora princípios modernistas como a estrutura independente, a fachada livre, o plano livre e o teto-jardim. Conhecido como Casa do Jornalista, o espaço consolidou-se como ponto de encontro da imprensa e de manifestações importantes da vida pública brasileira.

Edifício da ABI

Edifício da ABI (CASACOR)

Biblioteca Nacional


A história da Biblioteca Nacional está ligada à transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, quando parte significativa da coleção real chegou ao Rio de Janeiro. Criada oficialmente em 1810, a instituição passou por diferentes sedes até ocupar, em 1910, o edifício monumental da Avenida Central, atual Avenida Rio Branco. Projetada pelo engenheiro e general Francisco Marcelino de Souza Aguiar, a construção é um exemplo de arquitetura eclética, com elementos neoclássicos e art nouveau. A estrutura metálica e a organização interna foram planejadas para acomodar um acervo de grandes proporções, incluindo livros, manuscritos, mapas, gravuras e outros documentos históricos. Tombado pelo Iphan em 1972, o prédio permanece como uma das principais referências culturais do país, tanto pela arquitetura quanto pela importância de seu acervo para a memória brasileira.

Biblioteca Nacional: Uma das maiores bibliotecas da América Latina, instalada em um edifício monumental no Centro do Rio.

Biblioteca Nacional: Uma das maiores bibliotecas da América Latina, instalada em um edifício monumental no Centro do Rio. (Halleypo/Wikimedia Commons/CASACOR)

Palácio Pedro Ernesto


Sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o Palácio Pedro Ernesto foi inaugurado em 21 de julho de 1923, na Cinelândia, em meio às transformações urbanas que redefiniram o centro da cidade no início do século XX. O projeto foi concebido pelo arquiteto Heitor de Mello e, após sua morte, desenvolvido pelo escritório sob a liderança de Archimedes Memória e Francisque Cuchet. Sua arquitetura eclética combina referências neoclássicas, perceptíveis na composição monumental e nos elementos ornamentais. Os interiores preservam escadarias de mármore, mobiliário de época, a Sala Inglesa, revestida em madeira, e um acervo artístico que inclui pinturas e esculturas de valor histórico. O edifício também ocupa lugar importante na história política carioca, tendo sido palco de manifestações públicas e acontecimentos ligados à vida democrática do país. O nome atual homenageia Pedro Ernesto, médico e ex-prefeito do Rio.

Palácio Pedro Ernesto

Palácio Pedro Ernesto (CASACOR)

Palácio do Trabalho


Erguido entre 1936 e 1938, durante o governo de Getúlio Vargas, o Palácio do Trabalho foi projetado para sediar o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, criado em 1930. Concebido pelo arquiteto Mário dos Santos Maia, o edifício integra o conjunto de grandes construções administrativas implantadas na região central do Rio de Janeiro após o desmonte do Morro do Castelo. Sua arquitetura é representativa do período do Estado Novo e da construção de uma imagem monumental para as instituições públicas. A planta em formato de H organiza quatro alas destinadas às repartições, conectadas por áreas de serviços, conciliando a escala imponente do conjunto com as necessidades funcionais do ministério. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1998, o edifício abriga atualmente o Fórum Ministro Arnaldo Süssekind, da Justiça do Trabalho da 1ª Região.

Palácio do Trabalho

Palácio do Trabalho (CASACOR)

Palácio da Fazenda


Concluído em 1943, o Palácio da Fazenda foi construído para abrigar a sede do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro, então capital federal. A pedra fundamental foi lançada em 1938, durante a gestão do ministro Artur de Souza Costa, e o projeto executado ficou sob a coordenação do engenheiro Ary Fontoura de Azambuja. Diferentemente da linguagem modernista adotada no vizinho Palácio Gustavo Capanema, o edifício apresenta inspiração neoclássica, com composição monumental, pórtico de mármore branco e colunas dóricas que remetem aos templos da Grécia Antiga. Sua presença integra o conjunto de sedes ministeriais erguidas na região durante a Era Vargas. Após a transferência da capital para Brasília, o palácio passou a abrigar órgãos regionais da administração fazendária, além do Museu da Fazenda Federal e de uma biblioteca especializada em economia.

Palácio da Fazenda

Palácio da Fazenda (CASACOR)