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Lygia Clark: a artista que transformou o espectador em parte da obra

Conheça a trajetória de Lygia Clark, artista brasileira que rompeu os limites da obra de arte ao explorar corpo, espaço e experiências sensoriais

Por Yeska Coelho

Publicado em 3 de out. de 2026, 12:00

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Lygia Clark: a artista que transformou o espectador em parte da obra

(Divulgação/Divulgação)

Há artistas que criam obras para serem contempladas. Lygia Clark criou experiências para serem vividas. Um dos principais nomes da arte brasileira do século XX, a mineira ajudou a romper a distância tradicional entre obra e público ao propor trabalhos que podiam ser tocados, manipulados e experimentados com o próprio corpo.

, 1960 - alumínio" data-caption="" data-credit="" data-source-id="" data-source-name=""]Lygia Clark - Bicho desfolhado [Médio], 1960 - alumínio

Ao longo de uma trajetória marcada pela constante experimentação, Lygia Clark atravessou pintura, escultura, instalações e práticas sensoriais, chegando a questionar a própria definição de arte. Seu trabalho se tornou fundamental para compreender o desenvolvimento do Neoconcretismo e alguns dos caminhos que levaram à consolidação da arte contemporânea brasileira.

Quem foi Lygia Clark?


Nascida Lygia Pimentel Lins, em Belo Horizonte, em 1920, a artista começou sua formação relativamente tarde. Depois de se mudar para o Rio de Janeiro, estudou com Roberto Burle Marx e Zélia Salgado, no fim da década de 1940. Pouco depois, viveu em Paris, onde teve contato com artistas como Fernand Léger, Arpad Szenes e Isaac Dobrinsky.

Lygia Clark

Lygia Clark (Divulgação)

De volta ao Brasil, integrou o Grupo Frente, liderado por Ivan Serpa, e aprofundou suas pesquisas sobre geometria e espaço. A artista começou a questionar até mesmo a moldura dos quadros, procurando maneiras de fazer com que a obra ultrapassasse seus limites tradicionais e estabelecesse uma relação mais direta com o espaço ao redor.

Lygia Clark e o Neoconcretismo


Em 1959, Lygia Clark participou da criação do movimento neoconcreto, ao lado de nomes como Lygia Pape, Amilcar de Castro e Franz Weissmann. O grupo contestava uma abordagem excessivamente racional da arte concreta e defendia uma produção capaz de incorporar subjetividade, sensibilidade e experiência.

lygya park

(Divulgação/Divulgação)

Essa transformação seria decisiva para o trabalho de Lygia. A obra deixaria progressivamente de ser um objeto autônomo para depender da presença do público. Mais do que observar uma composição pronta, o visitante passaria a interferir nela — e, posteriormente, a experimentar sensações provocadas pela própria obra.

Bichos: quando o público passa a fazer parte da obra


Criada em 1960, Bichos é uma das séries mais emblemáticas de Lygia Clark. As peças são formadas por placas metálicas geométricas conectadas por dobradiças, permitindo diferentes configurações conforme são movimentadas.

Parceria em Lygia Clark e UMA disponibiliza a série Bichos para a venda

(Divulgação/Divulgação)

O princípio é fundamental para entender a artista: não existe apenas uma forma definitiva. A obra se modifica a partir da relação estabelecida com quem a manipula. O espectador deixa, assim, sua posição passiva para participar diretamente da criação daquela experiência.

Do objeto para o corpo


Se os Bichos convidavam as mãos a transformar a obra, os trabalhos seguintes levariam essa investigação ainda mais longe. Em propostas como Caminhando (1964), O Eu e o Tu (1967) e A Casa é o Corpo (1968), a experiência corporal e sensorial ganhou protagonismo.

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Lygia Pape. Livro dos caminhos II, 1963/76. Madeira pintada com tinta látex e acrílica. 40 x 40 x 8 cm. (Almeida e Dale Galeria de Arte/Divulgação)

Em Caminhando, por exemplo, o participante corta continuamente uma fita de Möbius feita de papel. O objeto resultante é menos importante do que o próprio gesto de cortar. A obra passa a existir essencialmente durante a ação — uma ideia radical para o período e fundamental para compreender a produção posterior de Lygia.

Lygia Clark - Caminhando

Lygia Clark - Caminhando (MoMa/Divulgação)

Quando arte e terapia se aproximam


Na década de 1970, essa pesquisa ganhou novas dimensões. Durante sua temporada em Paris, Lygia Clark lecionou na Sorbonne e desenvolveu experiências coletivas ligadas ao corpo e à percepção. De volta ao Rio de Janeiro, em 1976, passou a trabalhar individualmente com os chamados Objetos Relacionais.

Lygia Clark: projeto para um planeta, na Pinacoteca

Lygia Clark: projeto para um planeta, na Pinacoteca (divulgação/Divulgação)

Almofadas, sacos plásticos, pedras, tecidos, conchas e outros materiais simples eram utilizados para provocar sensações táteis, corporais e emocionais. Nesse momento, as fronteiras entre prática artística e terapêutica tornam-se cada vez menos definidas — e a própria Lygia passa a se afastar da ideia convencional de artista.

Uma artista brasileira


Lygia Clark morreu no Rio de Janeiro, em 1988, deixando uma produção que ajudou a ampliar profundamente o significado de uma obra de arte. Sua trajetória parte da superfície da pintura, atravessa objetos tridimensionais e chega ao corpo humano como território de experimentação.

,1957 - colagem sobre cartão" data-caption="" data-credit="" data-source-id="" data-source-name=""]Lygia Clark - Superfície modulada[estudo],1957 - colagem sobre cartão

Mais do que produzir objetos para museus, Lygia propôs outra maneira de experimentar a arte. Ao transformar o público em participante e aproximar criação, percepção, espaço e corpo, abriu caminhos que continuam presentes em instalações, performances e experiências imersivas da arte contemporânea.


Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.