Vik Muniz transforma materiais inusitados em imagens que questionam percepção, memória e os limites entre arte, matéria e fotografia
Publicado em 28 de set. de 2026, 14:00

O artista Vik Muniz e sua exposição em homenagem ao Walt Disney / (Andre Telles/Divulgação)
Vik Muniz é um dos nomes brasileiros de maior projeção na arte contemporânea internacional. Nascido em São Paulo, em 1961, o artista construiu uma produção marcada pela experimentação com materiais inusitados, pela fotografia e por releituras de imagens reconhecíveis. Chocolate, terra, lixo, arame e outros elementos cotidianos aparecem em suas obras como matéria para criar novas imagens e provocar diferentes formas de observação.
Mais do que reproduzir figuras conhecidas, sua produção investiga como olhamos e atribuímos significado às imagens. É na combinação entre matéria, ilusão e fotografia que está uma das características mais marcantes de seu trabalho — e também a capacidade de transformar elementos comuns em composições que desafiam a percepção.
Vicente José de Oliveira Muniz, mais conhecido como Vik Muniz, estudou Publicidade e Propaganda na FAAP antes de direcionar sua trajetória às artes visuais. No início dos anos 1980, mudou-se para os Estados Unidos, passou por Chicago e depois se estabeleceu em Nova York, onde abriu seu ateliê.
O artista Vik Muniz e sua exposição em homenagem ao Walt Disney / (Andre Telles/Divulgação)
Sua primeira exposição individual aconteceu em 1988 e reuniu objetos e esculturas. Na década seguinte, a fotografia passou a ocupar um papel central em sua produção, tornando-se o registro final de muitas composições construídas fisicamente. Hoje, Muniz vive e trabalha entre Nova York e Rio de Janeiro, com obras presentes em coleções e instituições internacionais.
Uma das particularidades do trabalho de Vik Muniz está justamente na escolha dos materiais. Em vez de recorrer apenas à tinta e à tela, o artista utiliza elementos como açúcar, chocolate, terra, algodão, arame e materiais recicláveis para construir suas imagens.
Obra de Vik Muniz (Divulgação)
O processo pode partir de uma obra de arte, uma fotografia ou um retrato já conhecido. A partir dessa referência, Muniz recria a imagem com o material escolhido e, em muitos casos, fotografa a composição final. Veios, volumes, texturas e até as limitações de cada matéria passam, assim, a fazer parte da leitura da obra.
Obra de Vik Muniz (Divulgação)
Embora muitas composições sejam construídas fisicamente, a fotografia é fundamental para o resultado final. Ela registra trabalhos que podem ser temporários — especialmente quando envolvem alimentos, resíduos ou outros materiais perecíveis — e transforma essas construções em uma nova imagem.
(Divulgação/Divulgação)
O procedimento também cria uma espécie de jogo de percepção. À distância, uma obra pode lembrar uma pintura ou uma fotografia convencional; de perto, os elementos utilizados em sua composição começam a se revelar. Essa mudança de escala coloca em evidência questões de representação, memória visual e reconhecimento.
Materiais cotidianos e descartados também aparecem em trabalhos que aproximam a produção de Muniz de questões sociais e ambientais. Um dos exemplos mais conhecidos é Pictures of Garbage, série desenvolvida a partir do trabalho com catadores do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
A experiência foi registrada no documentário Lixo Extraordinário, lançado em 2010 e indicado ao Oscar de melhor documentário em 2011. No projeto, arte, fotografia e realidade social se encontram em imagens construídas com materiais provenientes do próprio aterro.
Na CASACOR Bahia 2026, o universo do artista ganhou uma interpretação espacial pelas mãos do arquiteto Marlon Gama. O ambiente de 100 m² foi concebido como uma homenagem à trajetória e ao repertório criativo de Muniz.
Marlon Gama Arquitetura - Marlon Gama = Vik Muniz +55DESIGN. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)
A proposta aproximou arte, design, sustentabilidade e brasilidade, reunindo obras e mobiliário assinado pelo artista, além de materiais como madeira certificada, couro e pedras brasileiras.
Marlon Gama Arquitetura - Marlon Gama = Vik Muniz +55DESIGN. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)
O ambiente também reforçou uma característica presente na produção de Muniz: a capacidade de fazer com que materiais, objetos e referências culturais ganhem novos significados. Nesse diálogo entre arquitetura e arte, a homenagem não ficou restrita às obras expostas, mas apareceu na escolha dos materiais, objetos, paisagismo e elementos sensoriais que compõem o espaço.
Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho e Milena Garcia.