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Arquitetura

Varandas, beirais, cobogós: 7 soluções brasileiras para um clima em transformação

Soluções arquitetônicas que ajudam a enfrentar as mudanças climáticas, melhorar o conforto térmico e reduzir o consumo de energia em casa

Por Yeska Coelho

Publicado em 10 de set. de 2026, 18:00

08 min de leitura
Lounge SV² - Studio Vírgula + Studio Vanguarda. Projeto da CASACOR Brasília 2024.

Lounge SV² - Studio Vírgula + Studio Vanguarda. Projeto da CASACOR Brasília 2024. (Edgard César/Divulgação)

O clima brasileiro sempre exigiu uma arquitetura capaz de responder ao sol intenso, às chuvas e às altas temperaturas. Varandas, beirais, pátios e elementos vazados fazem parte desse repertório há décadas, e muitos desses recursos continuam atuais diante de um cenário de mudanças no clima.


A necessidade ganha ainda mais força com a previsão de um Super El Niño no segundo semestre de 2026. Segundo projeções divulgadas pelo INPE, o fenômeno deve atingir forte intensidade entre setembro e novembro, enquanto diferentes regiões do país podem registrar temperaturas acima da média.


Nesse contexto, apostar em elementos arquitetônicos estratégicos pode ser uma maneira inteligente de preparar os ambientes para o clima em transformação – diminuindo a dependência de equipamentos de climatização e aproveitando melhor os recursos naturais. Confira sete soluções que podem fazer parte desse planejamento.

1. Varandas e alpendres criam áreas de sombra


Mais do que ampliar a área útil da casa, varandas e alpendres funcionam como uma espécie de filtro entre o exterior e os ambientes internos. Ao criar uma área sombreada junto às fachadas, ajudam a diminuir a incidência direta do sol sobre portas e janelas.

Alpendre como protagonista: varanda define esta casa em Trancoso. Projeto de Bloco Arquitetos.

Projeto de Bloco Arquitetos. (Joana França/Divulgação)

A solução pode aparecer tanto em grandes varandas quanto em pequenos espaços de transição. Plantas, cortinas externas e mobiliário adequado ainda podem reforçar a proteção e transformar o ambiente em um espaço agradável para os dias quentes.

2. Beirais protegem fachadas e aberturas


Presentes em diferentes regiões do país, os beirais são uma solução construtiva simples e eficiente. A extensão do telhado cria sombra sobre fachadas e janelas, além de proteger paredes e esquadrias da chuva.

A varanda com beirais largos é uma solução típica para lidar com as chuvas de regiões tropicais. Arquitetura e interiores de Brown Gallegos Studio.

A varanda com beirais largos é uma solução típica para lidar com as chuvas de regiões tropicais. Arquitetura e interiores de Brown Gallegos Studio. (Roberto D’Ambrosio Suárez/Divulgação)

Seu desenho deve considerar a orientação solar e as características de cada projeto. Em algumas fachadas, pode ser combinado a outras estratégias de proteção, como brises e vegetação.

3. Cobogós deixam o ar circular


Os cobogós estão entre os elementos mais emblemáticos da arquitetura brasileira. Com seus vazados, permitem a passagem do ar e da luz natural enquanto filtram a incidência solar e preservam a privacidade.

Cobogó autoral integra layout neste apartamento de 172 m² em Goiânia. Projeto de Bezerra Panobianco.

Projeto de Bezerra Panobianco. (Igor Carvalho/Divulgação)

Podem aparecer em fachadas, varandas, corredores e divisórias internas. Além do aspecto estético, o posicionamento adequado ajuda a favorecer a ventilação dos ambientes.

4. Brises controlam a entrada do sol


Brises são elementos arquitetônicos desenvolvidos justamente para controlar a radiação solar que chega às aberturas. Horizontais, verticais ou móveis, eles podem ser adaptados de acordo com a orientação de cada fachada.

Brises inspiradas no linho dão o tom nesta casa na Praia do Forte. Projeto de GAM Arquitetos.

Projeto de GAM Arquitetos. (Denilson Machado, do MCA Estúdio/Divulgação)

Em regiões de calor intenso, funcionam como uma camada adicional de proteção antes que a radiação atinja o vidro das janelas, uma estratégia que pode contribuir para manter temperaturas internas mais agradáveis.

5. Ventilação cruzada refresca os ambientes


A circulação natural do ar é outra estratégia fundamental para o conforto térmico. A ventilação cruzada acontece quando as aberturas são posicionadas de maneira a permitir que o ar entre por um lado e saia por outro.

Mauricio Nóbrega, Bia Wolf, Maria Estellita e Patricia Vieira - Estar na Varanda. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2025.

Mauricio Nóbrega, Bia Wolf, Maria Estellita e Patricia Vieira - Estar na Varanda. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2025. (André Nazareth/Divulgação)

Sempre que possível, portas e janelas devem ser pensadas considerando os ventos predominantes e a configuração do terreno. A estratégia reduz a sensação de abafamento e pode diminuir a necessidade de climatização artificial em determinados períodos.

6. Vegetação cria sombra e melhora o microclima


O paisagismo também pode participar ativamente do conforto térmico. Árvores próximas às fachadas, trepadeiras, jardins e outras espécies vegetais ajudam a criar áreas de sombra e podem contribuir para um microclima mais agradável.

Clariça Lima - Jardim dos Terraços. Três jardins verticais somam quase 2,5 metros de altura e mais de 4 metros de largura. As tramas em serralheria preservam e se adaptam à estrutura original do Jockey, onde se entrelaçam trepadeiras jasmim e guaimbês. Mais de 600 vasos de plantas completam o cenário.

Clariça Lima - Jardim dos Terraços. (Divulgação/Divulgação)

Em casas com pouco espaço, vasos e jardins verticais também podem ser utilizados. O importante é escolher espécies adequadas às condições de luz, água e manutenção disponíveis.

7. Coberturas ajudam a controlar o ganho de calor


A cobertura está entre as superfícies mais expostas à radiação solar e, por isso, merece atenção especial em projetos para regiões quentes. Telhados ventilados, isolamento térmico e coberturas verdes são algumas das alternativas que podem reduzir a transferência de calor para os ambientes internos.

Jardim com caminho de pedra grandes. Ao fundo, a parede de madeira, com parede de vidro a direta, e acima, o telhado verde.

The Garden Loft - Rose Campos Martorano, Alan Chierighini e Fábio Vieira da Silva. (Lio Simas/Divulgação)

Materiais e soluções de acabamento também devem ser escolhidos considerando o desempenho térmico, e não apenas a aparência. Dessa forma, o próprio teto passa a colaborar para uma casa mais confortável.


Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.