comScore
CASACOR
Arquitetura

Museu de Arte Moderna: conheça a arquitetura do MAM no Ibirapuera

Museu de Arte Moderna ocupa a marquise do Ibirapuera em um encontro entre Niemeyer e Lina Bo Bardi, marcado por transparência e espaço público

Por Yeska Coelho

Publicado em 12 de set. de 2026, 10:00

08 min de leitura
Museu de Arte Moderna: conheça a arquitetura do MAM no Ibirapuera

(Reprodução/Divulgação)

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) tem uma característica que o diferencia de grande parte dos museus: ele não se apresenta como um edifício isolado. Sua arquitetura está diretamente ligada à marquise do Parque Ibirapuera, projetada por Oscar Niemeyer, e ao modo como Lina Bo Bardi transformou parte desse espaço em sede do museu.


Essa condição faz do MAM um caso particular de arquitetura cultural. O projeto precisa responder simultaneamente às necessidades de um museu e à presença de uma estrutura que já fazia parte da paisagem do parque. Entre transparência, áreas fechadas, circulação e relação com o exterior, sua arquitetura revela uma discussão maior sobre como ocupar um espaço público sem apagar aquilo que existia antes.

O MAM dentro da arquitetura do Ibirapuera


MAMSP Museu Arte Moderna Ibirapuera

(Divulgação/Divulgação)

O Parque Ibirapuera foi inaugurado em 1954 a partir do projeto de uma equipe coordenada por Oscar Niemeyer, com participação de nomes como Roberto Burle Marx. No conjunto, a marquise se destaca pela forma sinuosa e pela capacidade de conectar diferentes edifícios e áreas do parque.


É sob essa estrutura que o MAM está instalado. A posição é importante porque, em vez de criar um volume arquitetônico autônomo, o museu se apropria de uma construção existente e passa a fazer parte de uma arquitetura maior.


A história dessa ocupação começou em 1959, quando Lina Bo Bardi criou uma área fechada de aproximadamente 400 m² para a exposição “Bahia no Ibirapuera”. O espaço posteriormente permaneceu associado às atividades da Bienal e, em 1969, recebeu o primeiro "Panorama de Arte Atual Brasileira", marco da retomada do MAM naquele endereço.

Lina Bo Bardi e a criação do espaço do museu


Em 1982, Lina Bo Bardi, em parceria com André Vainer e Marcelo Ferraz, desenvolveu uma remodelação que ampliou a área ocupada pelo MAM para cerca de 900 m².

lina bo bardi arquiteta leão de ouro

(Reprodução/Divulgação)

Um dos aspectos fundamentais da proposta era justamente não competir visualmente com a marquise. A solução utilizava uma grande parede de vidro recuada em relação à estrutura portante, criando uma espécie de limite entre o espaço do museu e a arquitetura de Niemeyer.

A escolha do vidro tem consequências espaciais importantes. Em vez de transformar o museu em uma caixa completamente fechada, a intervenção preserva a percepção da estrutura original e mantém uma relação visual entre interior e exterior. O visitante continua percebendo que está dentro do parque mesmo quando está dentro de uma galeria.

Cheios, vazios e a presença da marquise


A arquitetura do MAM também pode ser entendida pela relação entre cheio e vazio. A marquise funciona como uma grande cobertura contínua, enquanto os espaços ocupados pelo museu constituem volumes inseridos sob ela.

MAMSP Museu Arte Moderna Ibirapuera

(Divulgação/Divulgação)

Essa diferença é fundamental para compreender o conjunto. A marquise não é simplesmente um teto sobre o qual o museu foi colocado. Ela é parte da experiência arquitetônica e determina uma condição de abrigo, sombra e circulação que se mistura ao caráter aberto do parque.


Por isso, a ocupação do MAM sempre provocou discussões sobre os limites entre preservar a arquitetura de Niemeyer e atender às necessidades de expansão do museu. O próprio SPBR Arquitetos recupera esse debate ao questionar, em seu projeto de 2013, como conciliar MAM, marquise, parque e cidade.

Transparência como elemento arquitetônico


No MAM, o vidro desempenha mais do que uma função estética. Ele ajuda a construir a transição entre os ambientes internos e o parque. A transparência permite que a arquitetura seja percebida em diferentes camadas: há a obra exposta, a galeria, a marquise e, além dela, o paisagismo do Ibirapuera.


O exterior deixa de ser apenas cenário e passa a integrar a experiência espacial do museu. Essa característica também dialoga com uma concepção de museu menos monumental. Em vez de se impor sobre o parque, o MAM se insere nele e estabelece uma relação contínua entre cultura e espaço público.

O que mudou com a renovação de 2026


A recente requalificação do MAM atualizou justamente aspectos ligados ao funcionamento do edifício. O projeto priorizou circulação, acessibilidade e infraestrutura, além da renovação do auditório. A intervenção também manteve a marquise original visível nas salas expositivas.

MAMSP Museu Arte Moderna Ibirapuera

(Divulgação/Divulgação)

A reforma mostra uma questão recorrente na arquitetura de edifícios modernos: como atualizar uma construção sem eliminar as características que fazem parte de seu valor histórico. No MAM, isso significa adaptar o espaço às necessidades contemporâneas sem perder a relação fundamental com a marquise.

Um museu que pertence ao parque


A arquitetura do MAM não pode ser analisada apenas a partir de suas paredes, galerias ou soluções internas. Sua principal característica talvez esteja justamente naquilo que acontece entre o edifício e o entorno.

MAMSP Museu Arte Moderna Ibirapuera

(Divulgação/Divulgação)

O museu está sob a marquise, mas também está no parque; é fechado para receber exposições, mas visualmente permanece conectado ao exterior. Essa condição faz com que arquitetura, paisagismo e espaço público participem de uma mesma experiência.


É também por isso que o MAM permanece relevante para a arquitetura brasileira: mais do que ocupar um espaço projetado por Niemeyer, ele ajuda a revelar as possibilidades (e os conflitos!) de construir dentro de uma obra que já possui uma identidade própria.


Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.