comScore
CASACOR
Arquitetura

Lúcio Costa: o arquiteto que desenhou Brasília e transformou o modernismo

Entre arquitetura, urbanismo e patrimônio, Lúcio Costa ajudou a construir uma nova maneira de pensar as cidades brasileiras

Por Yeska Coelho

Publicado em 3 de set. de 2026, 14:00

08 min de leitura
Lúcio Costa: o arquiteto que desenhou Brasília e transformou o modernismo

(Divulgação/Divulgação)

Lúcio Costa é um dos nomes fundamentais para compreender a arquitetura moderna brasileira. Arquiteto, urbanista, professor e estudioso do patrimônio, ele teve papel decisivo na transformação da linguagem arquitetônica do país ao longo do século XX. Embora seu nome esteja diretamente associado ao Plano Piloto de Brasília, sua trajetória vai muito além da criação do desenho urbano da capital federal.


Nascido em Toulon, na França, em 1902, Costa formou-se pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. No início da carreira, aproximou-se da arquitetura neocolonial, mas posteriormente rompeu com essa linguagem para defender uma arquitetura alinhada às transformações técnicas e culturais de seu tempo.

Quem foi Lúcio Costa?


A trajetória de Lúcio Costa acompanha um período de profundas mudanças na arquitetura brasileira. Depois de uma formação marcada pelo ensino tradicional, o arquiteto passou a buscar novas possibilidades para a profissão, aproximando-se dos princípios do modernismo.

Construção dos edifícios ministeriais em Brasília.

Construção dos edifícios ministeriais em Brasília. (Arquivo Público do Distrito Federal/Wikimedia/Divulgação)

Em 1930, assumiu a direção da Escola Nacional de Belas Artes com a missão de reformular o ensino da instituição. A experiência foi importante para a consolidação da arquitetura moderna no Brasil e também aproximou Costa de jovens profissionais que se tornariam protagonistas do movimento, entre eles Oscar Niemeyer.


Sua atuação também esteve ligada à preservação do patrimônio histórico. A partir de 1937, Costa trabalhou no então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual IPHAN, conciliando o interesse pela arquitetura colonial brasileira com a defesa da produção moderna. Essa relação entre tradição e modernidade se tornou uma das características mais marcantes de seu pensamento.

A influência de Le Corbusier


A aproximação com o pensamento de Le Corbusier foi determinante para a mudança de percurso de Lúcio Costa. Em vez de reproduzir estilos históricos, o arquiteto passou a defender uma arquitetura relacionada às novas tecnologias construtivas e às necessidades da sociedade moderna.


Essa influência pode ser percebida em projetos que valorizam elementos como pilotis, planta livre, integração entre espaços e racionalização da construção. No entanto, Costa não reproduziu simplesmente os modelos europeus: seu trabalho buscou aproximar os princípios modernos das características culturais brasileiras.

O Palácio Gustavo Capanema


Palácio Gustavo Capanema: Marco da arquitetura moderna brasileira, o edifício introduziu soluções inovadoras no cenário urbano carioca.

Palácio Gustavo Capanema: Marco da arquitetura moderna brasileira, o edifício introduziu soluções inovadoras no cenário urbano carioca. (Henrique Liberal/Wikimedia Commons/Divulgação)

Entre os projetos mais importantes de sua carreira está o edifício do antigo Ministério da Educação e Saúde Pública, atual Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Convidado em 1935 para liderar o projeto, Lúcio Costa reuniu uma equipe de jovens arquitetos, entre eles Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Moreira e Ernani Vasconcellos, além da colaboração de Le Corbusier.


O edifício se tornou um marco da arquitetura moderna brasileira. Sua concepção incorporou princípios modernos e também estabeleceu um diálogo entre arquitetura, artes visuais, paisagismo e cultura. O projeto ajudou a projetar internacionalmente uma nova produção arquitetônica brasileira.

O Plano Piloto de Brasília


Foi, porém, com Brasília que Lúcio Costa alcançou reconhecimento internacional. Em 1957, venceu o concurso para o Plano Piloto da nova capital brasileira. Sua proposta organizava a cidade a partir de dois grandes eixos, estruturando áreas monumentais, residenciais, comerciais e de circulação.

Congresso Nacional em obras, Brasília DF.

Congresso Nacional em obras, Brasília DF. (Marcel Gautherot/IMS/Divulgação)

O desenho urbano ficou conhecido pela associação visual com um avião, embora a proposta estivesse fundamentada sobretudo na organização racional dos fluxos e na hierarquia das vias. As áreas residenciais foram estruturadas em superquadras, com edifícios sobre pilotis e amplas áreas verdes, criando uma nova maneira de pensar a relação entre moradia, circulação e espaço coletivo.


Enquanto Lúcio Costa desenvolveu o planejamento urbano, Niemeyer ficou responsável por alguns dos principais edifícios monumentais da capital. A combinação entre o urbanismo de Costa e a arquitetura de Niemeyer tornou Brasília um dos maiores símbolos do modernismo do século XX.

Outras obras e o legado do arquiteto


Além dos projetos citados aqui que fizeram do arquiteto um ícone, outros trabalhos merecem destaque. O Parque Guinle, no Rio de Janeiro; o Park Hotel São Clemente, em Nova Friburgo; o Museu das Missões, no Rio Grande do Sul; a Casa do Brasil, em Paris; e a sede social do Jockey Club do Brasil. Lúcio Costa também participou do planejamento da expansão da Barra da Tijuca.

(Divulgação/Divulgação)

Seu legado, portanto, está tanto nos edifícios que projetou quanto na maneira como pensou arquitetura, cidade e patrimônio. Ao aproximar referências brasileiras dos princípios modernos, Lúcio Costa ajudou a construir uma linguagem que marcou a identidade arquitetônica do país.



Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.