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A Forma Informal celebra a genialidade de Sergio Rodrigues na CASACOR Rio 2026

Com projeto de Bel Lobo e Marianna Travassos, a exposição apresenta peças emblemáticas e revela contribuição de Sergio Rodrigues também para a arquitetura

By Milena Garcia

Submitted at Nov 5, 2026, 10:00 AM

10 min de leitura
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Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026.

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)

Em homenagem aos 99 anos de Sergio Rodrigues, a exposição A Forma Informal celebra a trajetória do arquiteto e designer brasileiro na CASACOR Rio 2026. Assinado pelas arquitetas Bel Lobo e Marianna Travassos, do escritório Bebo Arquitetos, em parceria com João Caetano, fundador da Arquivo Contemporâneo e responsável pela curadoria, o espaço reúne 36 peças de mobiliário, desenhos originais e referências ao processo criativo de Rodrigues.

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026.

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)

Instalada em parte do sexto andar do Edifício Aliança da Bahia, a exposição estabelece um diálogo com o tema da CASACOR 2026, Mente e Coração. A partir de uma leitura contemporânea da obra do designer, as arquitetas incorporam o sistema SR2 à composição e aproximam os visitantes de diferentes momentos de sua produção. O resultado é um percurso que revela a estética atemporal, a inventividade e a personalidade de um dos grandes nomes do design brasileiro.

Sergio Rodrigues e a construção de uma identidade brasileira


Nascido no Rio de Janeiro, em 1927, o arquiteto Sergio Rodrigues encontrou no design de mobiliário um caminho para investigar a identidade brasileira. A partir da década de 1950, em meio às transformações da arquitetura nacional, afastou-se da reprodução de modelos estrangeiros e passou a incorporar referências da cultura popular, da natureza e dos diferentes modos de viver do país.

Sergio Rodrigues design arquitetura

(Instituto Sergio Rodrigues/CASACOR)

Madeira, couro e palhinha ganharam protagonismo em peças que combinam formas expressivas, robustez e conforto adaptado ao clima tropical. Poltronas, cadeiras, bancos e sofás traduziram esse repertório em uma linguagem própria, capaz de atravessar gerações e permanecer atual em projetos contemporâneos. Sergio Rodrigues morreu em 2014, aos 86 anos, deixando um legado que continua vivo por meio do Instituto Sergio Rodrigues e da presença de suas criações em projetos de arquitetura e interiores, inclusive em diferentes edições da CASACOR.

Uma exposição que reúne design, memória e afeto


A concepção de A Forma Informal partiu de um convite de João Caetano às arquitetas do Bebo Arquitetos. A relação entre os envolvidos, porém, vem de muito antes da exposição. "Foi ele quem me apresentou o Sergio quando ele ainda estava vivo", relembra Bel em entrevista à CASACOR. "Nos tornamos amigos muito próximos. Até a criação do Instituto Sergio Rodrigues foi assinada pelo nosso escritório".


A partir desse encontro, a dupla mobilizou em tempo recorde uma equipe para viabilizar o projeto, que também contou com colaborações de Liana Brazil e Gabriel Kogan. A escolha do nome acompanha a personalidade descontraída do homenageado. "Sergio era a pessoa mais informal do mundo! A forma informal era tudo o que ele queria, o tempo inteiro", completa Bel.

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026.

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)

Com curadoria da Arquivo Contemporâneo, o acervo reúne desde peças emblemáticas, como as poltronas Mole (1957) e Chifuda (1962), até criações menos conhecidas do grande público. Entre elas está o banco Eleh (1957), desenvolvido para o Palácio dos Arcos, em Brasília, além de uma reedição exclusiva do espelho Azen, ainda não comercializada. A seleção permite acompanhar diferentes momentos da produção do designer e reconhecer a diversidade de sua pesquisa.


A disposição das peças também ajuda a contar essa trajetória. "Nós fizemos questão de colocar as datas de todas as peças para mostrar que foi a produção de toda uma vida", explica Marianna. A experiência se completa com a projeção de desenhos na prancheta original do designer, além de intervenções nas paredes e no piso. Uma gravação com a voz de Sergio Rodrigues também acompanha o percurso, aproximando os visitantes de suas histórias e de seu processo criativo.

Sistema SR2 revela outra faceta do designer


Na exposição, o Sistema SR2 ganha protagonismo como estrutura para apresentar a trajetória de Sergio Rodrigues. Desenvolvido pelo arquiteto a partir de 1959, o modelo de pré-fabricação em madeira surgiu do desejo de construir uma casa de campo que pudesse ser transportada em caso de mudança. A proposta evoluiu dos primeiros estudos com tubos de ferro galvanizado e revestimento de compensado para uma estrutura baseada em elementos de madeira pré-fabricados. O nome SR2 faz uma referência às iniciais de Sergio Roberto Santos Rodrigues, que possui dois “S” e dois “R”.

Projeto de arquitetura Xikilin, sistema SR2, casa de Sergio Rodrigues, 1993

Projeto de arquitetura Xikilin, sistema SR2, casa de Sergio Rodrigues, 1993 (Instituto Sergio Rodrigues/CASACOR)

Conhecido pela flexibilidade e pela proposta de padronização de casas modulares, o sistema revela uma dimensão menos conhecida do trabalho do designer. "Nós lembramos muito do Sergio através das peças mobiliárias, mas não lembramos que ele fez muita arquitetura e criou esse sistema", observa Bel. A arquiteta também destaca que a modularidade não limitava a liberdade criativa: "Em cada lugar, ele fazia as adequações e criava novas interferências na base que ele tinha".

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026.

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)

Marianna, por sua vez, ressalta a capacidade de Sergio de traduzir seus conhecimentos sobre o desenho de produtos para a escala arquitetônica: "É muito inteligente esse sistema! É como se ele levasse essa sabedoria que está mais relacionada aos produtos à arquitetura de um jeito construtivo simples e delicioso". Ao incorporar o SR2 à CASACOR Rio 2026, as arquitetas evidenciam a versatilidade de uma produção que ultrapassou o desenho de móveis e encontrou na arquitetura outro campo de experimentação.

Uma homenagem que revela o homem por trás das peças icônicas


Aberta ao público até 8 de novembro, a exposição na CASACOR Rio 2026 antecipa o centenário do arquiteto e oferece ao público uma oportunidade de conhecer outras dimensões de sua produção. A mostra também foi marcada por um encontro especial: no dia 22 de setembro, data em que Sergio completaria 99 anos, filhos, netos e amigos próximos se reuniram para celebrar sua história no próprio espaço expositivo. "Foi muito lindo, estava todo mundo ali", recorda Bel.

Para as arquitetas, A Forma Informal cumpre justamente o propósito de apresentar quem foi Sergio para além de suas peças mais conhecidas. Sua irreverência, curiosidade e liberdade criativa também ajudam a compreender a força de seu trabalho. Bel completa: "Ele enxergava além e tinha um bom humor desgraçado! Ele ria de si mesmo e, com isso, tinha a liberdade de criar coisas que não eram tão entendíveis no primeiro momento – e por isso eram revolucionárias!".

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026.

Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)

Mais do que reunir móveis históricos, a exposição recupera o pensamento de um arquiteto que encontrou na experimentação uma maneira própria de expressar a cultura brasileira. Entre desenhos, estruturas modulares e peças que atravessaram gerações, o percurso revela como a informalidade, longe de significar falta de rigor, foi parte essencial da liberdade criativa de Sergio Rodrigues.