Moradia, trabalho, gastronomia, comércio, cultura e convivência se distribuem pelos pavimentos do prédio e propõem uma leitura contemporânea do uso misto
Publicado em 30 de set. de 2026, 10:00

Pedro Coimbra Arquitetura - Entre Olhar & Sentir. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Muito antes de conceitos como uso misto e cidades de proximidade entrarem no debate sobre urbanismo, alguns edifícios brasileiros já experimentavam a ideia de concentrar diferentes formas de viver em uma mesma estrutura. Em São Paulo, exemplos como o Copan, o Conjunto Nacional, o Edifício Esther e o Edifício Eiffel mostram como moradia, trabalho, comércio, serviços, cultura e lazer podem coexistir no mesmo endereço. Na CASACOR Rio 2026, o Edifício Aliança da Bahia apresenta uma leitura contemporânea dessa possibilidade ao reunir, em seus diferentes pavimentos, uma multiplicidade de espaços e funções.
A ocupação proposta pela mostra transforma o prédio em uma espécie de ecossistema urbano em escala reduzida. Ao lado de apartamentos, casas, estúdios e lofts, surgem ambientes destinados ao trabalho, à criação, ao cuidado, à gastronomia, ao comércio, à cultura e à convivência. O resultado evidencia que um edifício pode ultrapassar a função de abrigar apenas residências ou escritórios e incorporar diferentes atividades da vida cotidiana.
Edifício Aliança da Bahia, no centro do Rio de Janeiro, será o cenário da edição comemorativa de 35 anos da CASACOR Rio em 2026. (Divulgação/CASACOR)
“A escolha de um edifício como o Aliança da Bahia para esta edição traduz muito do que acreditamos para o futuro das cidades. É um espaço que permite reunir diferentes formas de morar, trabalhar, criar, conviver e se relacionar com a cultura em um mesmo endereço. A CASACOR Rio sempre teve essa relação muito próxima com a cidade e, neste momento de celebração dos nossos 35 anos, ocupar um prédio com esse potencial reforça nosso olhar para uma arquitetura conectada à vida real e às transformações da sociedade”, afirmam Patricia Mayer e Patricia Quentel, diretoras da CASACOR Rio.
Jacira Pinheiro - Casa Una. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No Aliança da Bahia, essa diversidade aparece já na própria recepção, projetada originalmente por Ruy Rezende e mantida em sua configuração, em uma homenagem ao arquiteto responsável pelo retrofit do edifício. A partir dali diferentes formas de habitar se distribuem pelos pavimentos. A Casa Abraço DECA, assinada pelo Studio Marino, a Casa Una, de Jacira Pinheiro, a Casa Entre Tempos | Brastemp, de Gisele Taranto Arquitetura, a Casa CO/EXISTIR, do STUDIOPLANO, a Casa Glade por Paula Neder, de PN+ | Paula Neder Arquitetura, e a Casa de Memórias, de Sebastian Gomez Arquitetura, apresentam interpretações distintas sobre a casa contemporânea.
Tom Castro Arquitetura - Desvio Moderno. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
O repertório residencial se amplia com os estúdios e lofts. O Estúdio 7, de Amanda Miranda Arquitetura, o Estúdio Orbe, de Raphael Assaf Arquitetura, o Loft Pilotis, de Rafael Ramos Arquitetura, o Entreatos, de Tiago Freire, o Estúdio Entre Palmas, de Cristina Japiassú, o Travessia | CasaShopping, do Studio Claudia Pimenta e Patricia Franco, a Casa Bric, da Bric Arquitetura, e o CASARÃO SENTA, TERESA!, de Paula Müller, exploram diferentes relações entre compactação, fluidez, memória, paisagem e modos de viver. Já o Desvio Moderno, de Tom Castro Arquitetura, e o Um Lugar Para Todos, de Jairo de Sender e Corbellini Lopes Arquitetura, ampliam a discussão sobre como os espaços residenciais podem responder a diferentes necessidades e gerações.
Carla Napolião e Allan Napolião - Suíte Repouso do Tempo. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
As suítes também assumem configurações diversas. Permanência, de LessaZanetta Arquitetura, Suíte Repouso do Tempo, de Carla Napolião e Allan Napolião, e Suíte Pausa, de Fernando Lanner Arquitetura, trabalham, cada uma a seu modo, conceitos de permanência, descanso e bem-estar. A Toda Infância, de Sophia Abraham Interiores, leva essa diversidade para o universo infantil, enquanto o Espaço de Cura, de Natália Lemos Arquitetura, aproxima arquitetura, cuidado e bem-estar em um loft dedicado a experiências sensoriais.
Cité Arquitetura - Ateliê Devir. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Mas é justamente a presença de espaços com outras funções que amplia o potencial do edifício. A Sala do Empreendedor, assinada por Erick Figueira de Mello – Estúdio Figueira, apresenta um ambiente de trabalho que também funciona como espaço de representação do design brasileiro. O Ateliê Devir, de Cité Arquitetura, acrescenta a dimensão do fazer artístico e manual, enquanto o Entre Casa e Cidade, de CAJOO.studio, investiga as relações entre arquitetura, design, memória e território a partir de uma proposta que aproxima o universo da casa de processos produtivos e da marcenaria.
Fernanda Medeiros Arquitetura - Prosa Carioca. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
A dimensão de convivência também aparece em diferentes pontos do percurso. O Entre Olhar & Sentir, de Pedro Coimbra Arquitetura, articula living, sala de jogos, jantar e bar em um ambiente pensado para encontros e atividades. Já a Cozinha Infusão em Noz, de Juliana Acar e Flavia Dias Arquitetura, apresenta a cozinha como espaço de convivência e memória, enquanto o Prosa Carioca, de Fernanda Medeiros Arquitetura, explora a informalidade sofisticada da vida carioca em um living com adega.
Capuri Arquitetura - Bar do 19. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
A diversidade se estende ainda à gastronomia. No rooftop, o Bar do 19, de Capuri Arquitetura, o Astrodome Bistrô, de Diego Raposo + Arquitetos, o Jardim do Bistrô, de Denise Shalom, e o Bolhas – Bar de Champanhe, de Maurício Nóbrega Arquitetura, criam diferentes possibilidades de encontro diante da paisagem do Centro. No térreo, o Chez Patricia | Café e a Cozinha Secreta do Chef, ambos assinados por Ana Cano e Daniel Marques Mendes, aproximam gastronomia, hospitalidade e programação cultural. O Avesso Speakeasy, de Altera Arquitetura e Interiores, acrescenta ao programa uma experiência que combina bar, música, arte e design.
Bianca Sieberer Arquitetura e Interiores - Livraria CASACOR. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
O comércio e os serviços também passam a integrar o cotidiano do edifício. A Livraria CASACOR, de Bianca Sieberer Arquitetura e Interiores, aproxima livros, arte e design; a Loja da CASA, de Anna Fadul Arquitetura, combina varejo e convivência; a Olhar Carioca, de Luan Freitas, traduz a atmosfera de uma casa carioca para o universo da ótica; e a Joalheria, de Paula Costa Arquitetura, leva para o espaço comercial referências à origem mineral das peças. O conjunto demonstra como atividades de consumo podem ser incorporadas a uma experiência mais ampla de permanência e circulação.
ETEL e Lissa Carmona - Galeria Modernista Expo Fragmentos do Avesso. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
A programação cultural reforça essa lógica. A Galeria Rio Memórias – Expo Entre Tempos, com curadoria de Joaquim Marçal, estabelece uma leitura sobre as transformações urbanas e arquitetônicas do Centro do Rio. A Galeria do Artista Expo Interseções, instalação de Marcelo Monteiro com curadoria de Vanda Klabin, investiga relações entre arte, matéria e processo. Já a Galeria Modernista Expo FRAGMENTOS DO AVESSO, com curadoria de Lissa Carmona e da ETEL, aproxima design, arquitetura, arte e memória a partir das trajetórias de Percival Lafer e Paulo Werneck.
Bebo Arquitetos - Bel Lobo e Mari Travassos - A Forma Informal – Sergio Rodrigues. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Outros ambientes ampliam essa presença da arte e da criação no percurso. A Forma Informal – Sergio Rodrigues, de Bebo Arquitetos – Bel Lobo e Mari Travassos, aproxima design, memória e processos de produção a partir da obra de Sergio Rodrigues. O Fio Condutor | Uma experiência imersiva, da Grão Arquitetura, transforma a circulação do terceiro andar em uma instalação que combina arte popular, artesanato e matéria, criando uma experiência que se desenvolve ao longo do próprio percurso.
Pedro Rabelais Paisagismo - Clareira. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
A relação com a cidade também aparece nas áreas abertas. A Clareira, de Pedro Rabelais Paisagismo, cria no térreo um espaço de respiro em meio à densidade do Centro, aproximando natureza, paisagem e convivência. No extremo oposto do percurso, o Lounge de Saída, de Roberta Nicolau e Rodrigo Cardoso, funciona como espaço de transição e permanência antes do retorno à cidade. Entre chegada e saída, o edifício deixa de ser apenas suporte para os ambientes e passa a fazer parte da experiência da mostra.
Essa combinação de usos dialoga com um dos debates contemporâneos do urbanismo, o conceito de Cidade de 15 minutos, difundido pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno. A proposta parte da ideia de aproximar das pessoas atividades essenciais como moradia, trabalho, comércio, educação, saúde, cultura e lazer, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos e estimulando uma cidade mais diversa e próxima.
Embora o conceito se aplique à escala urbana, a ocupação do Edifício Aliança da Bahia permite observar princípio semelhante em uma escala arquitetônica: quanto mais diversificados os usos de uma construção, maior a possibilidade de que diferentes necessidades e atividades convivam em um mesmo endereço. A CASACOR Rio evidencia esse potencial ao reunir, dentro de um único prédio, espaços para morar, trabalhar, criar, cuidar, comer, comprar, apreciar arte, produzir e encontrar pessoas.
Onde: Edifício Aliança da Bahia, Rua Araújo Porto Alegre, 36, Centro, Rio de Janeiro – RJ
Quando: de 15 de setembro a 8 de novembro de 2026
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 22h
Horário da bilheteria: de terça a domingo, das 12h às 20h
Feriados: 12 de outubro e 2 de novembro
Bilheteria digital: https://appcasacor.com.br/events/rio-de-janeiro-2026
Valores dos ingressos: R$ 120,00 (inteira) e R$ 60,00 (meia-entrada).
Meia-entrada
Idoso a partir de 60 anos.
Estudante, apresentando documento válido com foto ou comprovante de pagamento.
PCD (pessoa com deficiência) e seu acompanhante (conforme a Lei nº 12.933/13).
Professor da rede pública ou privada, apresentando documento válido com foto.
Promoção de pré-venda não válida para meia-entrada. Comprovação de meia-entrada será exigida na entrada.
Importante: Gratuidade para crianças com até 10 anos de idade, mediante comprovação.
Um mesmo CPF pode comprar no máximo 10 ingressos.
Venda para grupos: Para compras acima de 10 ingressos ou por CNPJ, envie e-mail para daniele@tresplus.com
Estacionamento: Não há estacionamento próprio.
Mais informações: www.casacor.com.br