Referências modernistas, obras de arte e memórias urbanas aproximam os interiores da paisagem cultural do Rio, em espaços que equilibram convivência e recolhimento
Submitted at Nov 2, 2026, 4:00 PM

Fernanda Medeiros Arquitetura - Prosa Carioca. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Uma casa aberta à luz, à conversa e às histórias de quem vive nela. Sofisticada nas escolhas, espontânea no uso, acolhedora tanto para reunir amigos quanto para desfrutar um momento de silêncio. O estilo carioca de morar se revela nessa combinação entre conforto, liberdade e personalidade: ambientes que aproximam interior e exterior, incorporam a natureza ao cotidiano e permitem que móveis de diferentes épocas, obras de arte, livros e objetos afetivos convivam com naturalidade.
Na CASACOR Rio 2026, esse olhar ganha interpretações que atravessam a vida urbana, a memória modernista e a cultura da cidade. Plantas integradas, cozinhas que se tornam lugares de estar, grandes janelas, jardins e materiais de presença tátil estão entre os elementos recorrentes nos projetos. Madeira, pedra, linho, palha e outras fibras encontram bases claras, tons terrosos e intervenções de cor. Ao lado da vocação para receber, aparece o desejo de recolhimento: suítes, espaços de cuidado e recantos de leitura dão lugar à pausa e aos pequenos rituais domésticos.
Amanda Miranda Arquitetura - Estúdio 7. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Essa relação entre casa e cidade acompanha a mostra desde sua criação, em 1991. Ao longo de sua trajetória, a CASACOR Rio apresentou diferentes leituras do morar e abriu ao público imóveis que ajudam a contar a história da arquitetura carioca, de palacetes e casas urbanas à Villa Aymoré. A valorização do design brasileiro, a transformação das cozinhas em espaços de convivência e a integração de funções fazem parte desse percurso.
“O jeito carioca de morar está no DNA da CASACOR Rio desde a primeira edição. Ele aparece na liberdade de misturar, na proximidade com a natureza, na importância da arte e nessa capacidade de receber com cuidado e sem cerimônia. Os projetos e as necessidades mudam, mas permanece o desejo de criar casas com personalidade, que acolham as pessoas e tenham uma relação verdadeira com a cidade”, comenta Patrícia Mayer, diretora da CASACOR Rio.
Paula Müller - Casarão Senta, Teresa!. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No ano em que celebra 35 anos, a mostra ocupa o Edifício Aliança da Bahia, construção modernista do início da década de 1960, recentemente revitalizada, no Centro do Rio. O endereço acrescenta novas referências a esse repertório: a paisagem construída, o patrimônio e a possibilidade de aproximar moradia, trabalho, cultura e encontros passam a participar da experiência de estar em casa.
“Ao longo desse tempo, a CASACOR Rio vem traduzindo para o mundo esse jeito de olhar para a casa com bossa. É uma sofisticação que permite estar à vontade, que aproxima o design da vida cotidiana e reconhece beleza nas histórias, nos encontros e nas misturas. Nesta edição, o Centro amplia esse olhar: sua arquitetura, sua produção cultural e sua paisagem entram nos ambientes e mostram quantas formas existem de viver o Rio”, afirma Patrícia Quentel, diretora da CASACOR Rio.
No Estúdio 7, Amanda Miranda apresenta uma leitura urbana e afetiva do morar carioca, ancorada na vida cultural e na memória do Centro do Rio. A planta integrada acolhe trabalho, encontros, descanso e convivência, enquanto a combinação de mobiliário histórico e contemporâneo, obras de arte, livros e peças garimpadas constrói um espaço pessoal, aberto a diferentes ritmos de vida. A conexão com a cidade se estabelece pelas referências aos casarões, à azulejaria, às feiras e aos antiquários do entorno.
Amanda Miranda Arquitetura - Estúdio 7. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No Chez Patricia, o grande balcão e as mesas coletivas aproximam as pessoas e transformam o café em um lugar de encontros e conversas. Arte, música e vegetação compõem uma atmosfera descontraída, pensada para que os visitantes cheguem, permaneçam e aproveitem o momento. O projeto de Ana Cano e Daniel Marques Mendes também homenageia Patrícia Mayer e Patrícia Quentel, relacionando a trajetória das diretoras à hospitalidade que caracteriza o espaço.
Ana Cano e Daniel Marques Mendes - Chez Patricia. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Na Casa Abraço Deca, Cadé Marino parte da espontaneidade com que as pessoas ocupam a casa e fazem dos encontros uma extensão da rotina. O projeto volta o olhar para dentro e reúne cozinha, mesa e estar em uma sequência que favorece a convivência. “No Rio, é muito comum o encontro acontecer sem tanta formalidade: alguém passa na frente, toca a campainha, sobe, almoça, fica para conversar”, observa o arquiteto. Essa informalidade orienta a cozinha como coração da casa, enquanto formas curvas, madeira, vegetação e soluções Deca que combinam design e funcionalidade convidam à permanência.
Studio Marino - Casa Abraço DECA. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No Casarão Senta, Teresa!, Paula Müller propõe uma leitura urbana, boêmia e afetiva do morar carioca, inspirada na história, na produção cultural e no patrimônio de Santa Teresa. O living evoca uma residência formada ao longo do tempo, em que objetos, música e marcas de uso constroem uma sensação de pertencimento. A madeira, o piso em tábuas corridas, o tapete inspirado em ladrilhos hidráulicos e as referências aos antigos forros de lambri acrescentam textura e memória. Uma jardineira suspensa introduz o jardim no ambiente, enquanto peças de design contemporâneo convivem com referências domésticas e históricas em um espaço acolhedor, pessoal e conectado à cidade.
Paula Müller - Casarão Senta, Teresa!. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Projetado pelo Studio CP/PF, o Loft Travessia do CasaShopping se inspira no retorno de um casal ao Rio para criar uma casa de reencontro com a cidade. O living junto à janela valoriza a vista e incorpora a paisagem ao cotidiano. Curvas, formas circulares, pedra, madeira, linho e couro conectam os ambientes, enquanto móveis e tapetes delimitam os usos sem interromper a amplitude. A sofisticação convive com a informalidade em uma residência que acolhe novas experiências e memórias.
Studio Claudia Pimenta e Patricia Franco - Travessia | CasaShopping. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
A arte de receber sem formalidade conduz o Prosa Carioca, de Fernanda Medeiros. O living foi pensado para conversas que se prolongam, com diferentes pontos de permanência e uma combinação de cores, estampas, livros, obras de arte e objetos que lhe confere a aparência de uma casa construída ao longo dos anos. Madeira, palhinha e plantas reforçam essa atmosfera vivida, enquanto referências ao Centro do Rio aproximam o interior da cidade. O projeto faz da convivência sua razão de ser: os assentos, os detalhes e o repertório afetivo convidam a chegar, encontrar um lugar e ficar.
Fernanda Medeiros Arquitetura - Prosa Carioca. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Na Suíte Permanência, das arquitetas Izabela Lessa e Fernanda Zanetta, a cidade se manifesta também por meio da arte. O quadro que retrata o Museu de Arte Contemporânea de Niterói ganha protagonismo e estabelece uma ligação com a paisagem e os ícones da arquitetura fluminense. Ao lado da vista para o Palácio Gustavo Capanema, das demais obras, do design brasileiro e da combinação de madeira, pedra e tecidos naturais, a peça constrói um espaço que incorpora referências locais de maneira sutil.
LessaZanetta Arquitetura - Permanência. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No Bolhas Bar de Champagne, de Maurício Nóbrega Arquitetura, a relação com a cidade ganha uma interpretação urbana, ao ar livre e ligada ao prazer de contemplar a paisagem. No rooftop, pequenos lounges organizam o espaço para conversas e encontros diante da vista do Centro. A inspiração nas casas de praia é reinterpretada por meio do bambu, dos estrados, dos tecidos claros e da vegetação, que transportam uma sensação de descontração para o contexto urbano. Aproveitar o clima, a vista e a companhia orientam a experiência, transformando o espaço externo em lugar de convívio e celebração.
Maurício Nóbrega Arquitetura - Bolhas Bar de Champagne. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No Loft Pilotis, Rafael Ramos apresenta uma leitura urbana e afetiva do morar carioca, ancorada na memória modernista e na relação com o Centro do Rio. Cozinha, estar e jantar formam uma ampla área social integrada, organizada pelos pilares existentes e pensada para a convivência. A madeira de nogueira, presente no piso, nos painéis e na marcenaria, aquece a base de tons claros, cinza-grafite e preto, pontuada pelo vinho profundo do sofá e pelo verde-escuro do banheiro. Peças de Sérgio Rodrigues convivem com design contemporâneo, livros, objetos e obras de arte em uma casa construída por camadas de memória. O Palácio Gustavo Capanema orienta a ideia de uma residência leve, conectada à cidade e às possibilidades de habitar o Centro.
Rafael Ramos Arquitetura - Loft Pilotis. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No Loft Entreatos, Tiago Freire combina sofisticação, acolhimento e naturalidade em diálogo com a arquitetura moderna brasileira. Diante do Palácio Gustavo Capanema, o ambiente valoriza a integração dos espaços, a escala humana e a relação com o entorno. A curadoria de mobiliário e arte reúne diferentes gerações e linguagens de artistas brasileiros, aproximando tradição e contemporaneidade. Orientado pelos pilares Tempo, Matéria e Presença, o projeto valoriza o café, a leitura, a música e a conversa. O conforto e a liberdade de estar à vontade dão espaço ao principal luxo proposto pela casa: o tempo vivido com qualidade.
Tiago Freire - Entreatos. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Primeiro ambiente do rooftop, o Bar do 19 marca a estreia da Capuri Arquitetura na CASACOR. O projeto parte da atmosfera descontraída dos bares cariocas e reúne materiais, obras de arte, peças de design e elementos garimpados em uma composição contemporânea. A relação com a paisagem do Centro reforça a vocação do espaço para os encontros, levando para o alto do edifício a sociabilidade que faz parte da vida da cidade.
Capuri Arquitetura - Bar do 19. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Inspirada no morar carioca, a Livraria CASACOR, de Bianca Sieberer, traduz uma maneira leve, aberta e criativa de ocupar o espaço. A estante vazada preserva a entrada de luz natural pela fachada de vidro, enquanto o paisagismo à meia altura filtra a luminosidade e integra o interior à área externa de circulação e convivência. Mesas de formato orgânico, livros, obras autorais e o lustre original do edifício modernista acrescentam personalidade e conectam a proposta à memória do lugar.
Bianca Sieberer Arquitetura e Interiores - Livraria CASACOR. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Onde: Edifício Aliança da Bahia, Rua Araújo Porto Alegre, 36, Centro, Rio de Janeiro – RJ
Quando: de 15 de setembro a 8 de novembro de 2026
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 22h
Horário da bilheteria: de terça a domingo, das 12h às 20h
Feriados: abertura excepcional nas segundas-feiras 12 de outubro e 2 de novembro
Bilheteria digital: https://appcasacor.com.br/events/rio-de-janeiro-2026
Valores dos ingressos: R$ 120,00 (inteira) e R$ 60,00 (meia-entrada).
Meia-entrada:
- Idoso a partir de 60 anos.
- Estudante, apresentando documento válido com foto ou comprovante de pagamento.
- PCD (pessoa com deficiência) e seu acompanhante (conforme a Lei nº 12.933/2013).
- Professor da rede pública ou privada, apresentando documento válido com foto.
Gratuidade para crianças de até 10 anos, mediante comprovação.
Um mesmo CPF pode comprar no máximo 10 ingressos.
Venda para grupos: para compras acima de 10 ingressos ou por CNPJ, envie um e-mail para daniele@tresplus.com
Estacionamento: Não há estacionamento próprio.