Após estrear na CASACOR São Paulo com uma homenagem à mãe, Clara Nahas fala sobre trajetória, estilo próprio e os sonhos para o futuro
Publicado em 31 de ago. de 2026, 10:00

(Redes Sociais/CASACOR)
O Estúdio Clara Nahas tem história recente, com apenas dois anos desde sua fundação, porém já se destaca dentro e fora das redes sociais. São mais de 100 mil seguidores no Instagram, quase 80 mil no TikTok e um dos ambientes mais comentados da CASACOR São Paulo 2026, o Estúdio Semibreve.
Estúdio Clara Nahas - Estúdio Semibreve. (Carolina Mossin/CASACOR)
Em sua estreia na mostra, a arquiteta nascida em Vitória (ES) prestou uma homenagem póstuma à mãe. O espaço foi pensado para ser musical, inspirador e educativo – isso porque a mãe de Clara Nahas foi pianista profissional, chegando a compor uma das músicas expostas no ambiente! Toda essa afetividade se misturou ao estilo autêntico que o estúdio já emprega em seus demais projetos. Eles são caracterizados pela investigação profunda de proporções volumétricas e pelas materialidades expressivas.
Estúdio Clara Nahas - Estúdio Semibreve. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Carolina Mossin/CASACOR)
A trajetória de Clara Nahas pode ter começado há pouco tempo, mas com certeza irá além do encerramento da CASACOR São Paulo 2026. A seguir, sete perguntas para conhecer a autenticidade da arquiteta.
Clara Nahas: Os dois principais desafios foram: do projeto que fiz para a CASACOR em si, foi caber um apartamento inteiro em 55 m², com uma planta tão desafiadora, sem abrir mão da profundidade narrativa que eu queria muito trazer. O segundo desafio que eu não conhecia, dado que era minha estreia na CASACOR, foi manter o escritório rodando nesses meses tão intensos de mostra. Dividir o tempo entre fazer o projeto, visitar a obra, atender clientes e toda a rotina do Estúdio foi bastante desafiador!
A maior conquista sem dúvida alguma é o reconhecimento. Eu tenho um público no on-line que acompanha bastante os nossos projetos, e dar a eles a possibilidade de visitar algo físico pensado por nós foi incrível!.
C.N.: Sem dúvida o volume cilíndrico bordô que atravessa o estúdio, marcando funções e dando bastante personalidade ao projeto. Ele é quase que um coração no centro do espaço. Ele foi todo revestido numa cerâmica artesanal vinho. Por fora, na altura do quarto, ganha um recorte esculpido que vira uma escrivaninha, coroada por prateleiras. Além disso, tem a partitura de uma música que minha mãe escreveu pra mim quando nasci! É realmente um espaço que carrega o projeto inteiro no corpo.
Estúdio Clara Nahas - Estúdio Semibreve. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Camila Santos/CASACOR)
C.N.: Com toda certeza, o prazo! Tudo tem que ser feito em tempo recorde, tanto o projeto quando a execução dele. Isso escancara a capacidade projetual dos escritórios, na minha opinião.
C.N.: O diálogo é um dos principais pontos de partida de um projeto. Para além de mais um item no nosso portfólio, o que a gente está construindo aqui como arquiteto são ambientes que serão o lar de muitas pessoas diferentes. Às vezes eu sinto que a escuta no nosso meio é muito precária, e que, apesar de nós sermos os profissionais, ouvir e respeitar as exigências da rotina do outro é parte crucial do nosso trabalho. Faço projetos autênticos pensados para cada pessoa que mora ali.
Projeto de Clara Nahas. (Redes Sociais/CASACOR)
C.N.: Autenticidade. Sinto que autenticidade vence de qualquer coisa. Acho que o mercado está meio viciado em reproduzir fórmulas prontas. Gosto muito do exercício de ter uma linguagem que é minha, reconhecível. Acho que é uma das características que mais gosto do meu trabalho.
C.N.: Quero ver uma casa minha sendo construída. Tenho alguns projetos arquitetônicos de residências que ainda não saíram do papel. É um dos meus sonhos profissinais!.
(Redes Sociais/CASACOR)
C.N.: Acho que lugares moldam mais meu olhar do que qualquer coisa. Eu diria que destinos como Cidade do México e Austrália tem muito a ver com meu jeito de projetar.