Elenco CASACOR São Paulo 2026, Viviane Teles tem a metafísica como guia de suas escolhas arquitetônicas – influenciando materiais, cores e formas
Publicado em 24 de jul. de 2026, 8:00

Viviane Teles - Biobilheteria. Vigas e arcos de bambu laminado com 8 m de extensão estruturam o pavilhão de 11 m de diâmetro que abriga a bilheteria. Os componentes estão amarrados por uma trama, também de bambu, que lembra a casca da fruta Physalis, na qual está tensionada a lona semitranslúcida e impermeável que fecha a armação. A construção experimental materializa a pesquisa da arquiteta potiguar Viviane Teles na área da bioarquitetura e a influência dos materiais naturais na saúde e no bem-estar das pessoas. No centro do espaço, uma imponente luminária de bambu e micélio com cerca de 2,5 m de altura foi produzida sob medida pelo estúdio Ola Luminárias Acústicas. Nas aberturas laterais, há esculturas do artista Luiz Martins. (Carolina Mossin/CASACOR)
Viviane Teles trouxe uma das propostas mais curiosas da CASACOR São Paulo 2026. A arquiteta se aprofundou em estudos de metafísica para projetar Biobilheteria, um ambiente voltado à promoção do bem-estar dos visitantes da mostra. Todas as escolhas de formas, materias e até cores foram pensadas de acordo com a frequência energética que transmitem – e como esses fatores são capazes de elevar a energia das pessoas.
Viviane Teles (Divulgação/CASACOR)
As pesquisas da profissional potiguar se baseiam no conceito de que todas as superfícies possuem um comportamento sonoro capaz de se harmonizar, ou não, com o que está ao seu redor. Quanto maior a frequência vibracional, melhor. "As frequências mais baixas estão relacionadas à falta de imunidade e à tristeza. Quanto mais elevada a frequência, mais você se harmoniza. Todos os ambientes deveriam ser pensados a partir disso", explica em entrevista à CASACOR.
A arquiteta é estudiosa de bioarquitetura, biologia, neuroarquitetura e metafísica. Esses interesses surgiram após ser presenteada com o livro Casas que Matam, de Roger de Lafforest, durante a universidade. De início, ela evitou a leitura, porém o "título assustador" continuou em seus pensamentos. O contato direito veio anos mais tarde, e quando percebeu, Viviane já estava dedicando sua busca profissional aos ambientes que curam seus ocupantes.
"Desde pequena, eu sempre fui muito curiosa. Eu observava muitas coisas e não entendia porque as pessoas não observavam também. Então, meus estudos surgiram da minha necessidade de compreender o mundo ao meu redor. Quanto mais eu estudo, mais curiosa eu fico – o que é também uma ferramenta que uso para aprimorar o meu trabalho", conta.
A partir dos princípios metafísicos, a profissional projetou seu ambiente na CASACOR São Paulo 2026 utilizando os recursos mais indicados para garantir o acolhimento dos visitantes ao chegarem ao evento. Um dos pontos centrais foi a escolha do formato circular para a construção da Biobilheteria. Isso porque essa é a "forma geométrica mais perfeita e igulitária da natureza", atingindo a frequência próxima à humana.
Viviane Teles - Biobilheteria. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Carolina Mossin/CASACOR)
"Os padrões geométricos que existem na natureza se repetem em nós, nas plantas, nos animais e até mesmo nas rochas. Essas formas têm uma vibração, uma frequência de onda que nós não escutamos. O que apresentei na CASACOR é uma mandala com oito lados. Sua frequência é de 800 Hz, enquanto nosso corpo vibra até 900 ou 1000 Hz. Quando estamos envolvidos em frequências maiores ou iguais às nossas, conseguimos nos equilibrar", explica.
Projeto de Viviane Teles. (Instagram/@vivianetellesarquitetura/CASACOR)
Segundo Viviane, a escolha pela frequência de 800 Hz está relacionada também à conexão com o nosso terceiro olho (considerado o sexto chakra, entre as sobrancelhas). Ele é associado à visão e à intuição dos visitantes. A arquiteta busca confirmar o número exato através de uma medição que será realizada nas próximas semanas.
Pela mesma lógica, os materias construtivos também exercem influência direta nos habitantes dos espaços. A arquiteta defende um princípio básico: quanto mais natural, melhor ao bem-estar. Esses recursos podem variar de acordo com as condições ambientais, porém Viviane menciona barro, areia, fibra e pedra como os mais recomendados. Resinas e tintas naturais também apresentam frequências elevadas, sendo opções versáteis para diferentes aplicações.
Projeto de Viviane Teles. (Instagram/@vivianetellesarquitetura/CASACOR)
Por outro lado, os materiais artificias, como plásticos, cimento e nylon, têm frequências próximas ao zero. "Resumindo, os industrializados não nos servem porque eles perdem as propriedades naturais que são compatíveis conosco. Devemos evitá-los ou usá-los com muito cuidado. Isso também vale para os alimentos processados e até mesmo para os tecidos das roupas", complementa.
Em complemento, Viviane também considera as vibrações das cores ao projetar um ambiente. Ela explica: "As cores são a incidência da luz natural sobre as superfícies, todas elas têm frequências de onda diferentes. A mais forte é o branco, que é a união de todas as cores. A menos indicada é o preto. A neuroarquitetura fala bastante sobre isso, mas raramente é utilizado". Na CASACOR São Paulo, por exemplo, o ambiente da arquiteta é colorido pelos tons terrosos, em especial o bege claro.
O bate-papo com Viviane Teles chega ao fim com uma pergunta complexa: e os espaços já construídos, como promover o bem-estar sem precisar de grandes reformas? No entanto, a profissional responde de forma tranquila:
"Eu conduziria as pessoas a observarem os próprios hábitos. Uma casa é feita de hábitos. Então, precisamos criar uma atmosfera para que elas possam desenvolver seus hábitos e viver melhor. Isso exige um pouco de compreensão psicológica, algo que deveria estar mais presente em nossa formação acadêmica", defende.
Viviane Teles - Casa de Banho. (Felipe Costa/CASACOR)
Além disso, a arquiteta cita a decoração afetiva como outra ferramenta poderosa. Segundo ela, as peças que trazem memória nos servem como referenciais. Mobiliário, quadros e pequenos objetos são capazes de transformar os ambientes e até "melhorar" quem os ocupa.
O recado final de Viviane diz respeito à capacidade dos arquitetos de compreender o mundo além da arquitetura. "Projetar o futuro requer que nós como profissionais comecemos a estudar outras áreas. Nosso conhecimento acadêmico não é suficiente para entendermos o que é o ser humano. Depois, precisamos introduzir o contexto metafísico em nossos trabalhos", conclui.
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