Entre mobiliário, inovação construtiva e produção industrial, Percival Lafer construiu uma das trajetórias mais reconhecidas do design nacional
Publicado em 2 de out. de 2026, 16:00

(Divulgação/Divulgação)
Poucos nomes ajudaram a aproximar o design brasileiro da produção industrial como Percival Lafer. Arquiteto de formação, ele construiu uma trajetória marcada pela criação de móveis que combinam funcionalidade, conforto e soluções construtivas inovadoras, tornando-se um dos nomes importantes do modernismo brasileiro.
ETEL e Lissa Carmona - Galeria Modernista Expo Fragmentos do Avesso. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/Divulgação)
Essa história volta ao centro da cena na CASACOR Rio de Janeiro 2026, com a exposição Fragmentos do Avesso, realizada pela ETEL e pelo Arquivo Contemporâneo. A mostra reúne peças e documentos que revelam diferentes aspectos da produção de Lafer e sua relação com a indústria, além de colocá-lo em diálogo com outros capítulos da história do design brasileiro. A seguir, conheça mais sobre o arquiteto e seus principais trabalhos.
Nascido em 1936, Percival Lafer formou-se em Arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Ainda jovem, passou a trabalhar na empresa de móveis da família, a Lafer, onde encontrou no desenho industrial um campo para experimentar novas formas de produzir mobiliário.
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Sua atuação ganhou destaque a partir dos anos 1960, quando passou a desenvolver móveis pensados para a produção em escala, sem abrir mão de características como ergonomia, resistência e conforto. Essa combinação entre projeto e indústria se tornou uma das principais marcas de sua carreira.
Ao longo de sua carreira, Lafer desenvolveu uma extensa produção de poltronas, sofás e móveis articulados. Entre os modelos associados ao designer estão as poltronas MP-05, MP-41, MP-81, MP-91 e MP-185, além dos sofás MP-79 e MP-13.
Olzi Arquitetura (Ana Zinato e Juliana Oliveira) - Studio Atos. Projeto da CASACOR Brasília 2023. (Edgard Cesar/Divulgação)
Embora apresentem características próprias, essas peças compartilham uma preocupação com ergonomia, materiais e processos construtivos. A variedade de modelos também mostra como o designer explorou diferentes soluções sem se prender a uma única linguagem formal.
Entre as criações mais conhecidas de Percival Lafer está a poltrona MP-1, lançada em 1961. O projeto sintetiza algumas das preocupações que acompanhariam sua produção: estrutura aparente, materiais diversos e uma construção que favorece tanto o conforto quanto a racionalização industrial.
Poltrona MP-1 (MassModernDesign/Divulgação)
A peça combina madeira, metal, espuma de poliuretano e cintas de borracha. Em vez das tradicionais molas de aço, Lafer utilizou uma solução com cintas e espuma, criando uma estrutura relativamente simples, mas capaz de oferecer conforto e sustentação.
A contribuição de Percival Lafer vai além de uma coleção de móveis icônicos. Seu trabalho ajudou a consolidar uma maneira de pensar o design industrial no Brasil, em um momento em que a produção de mobiliário passava por importantes transformações.
Pé Palito - Percival Lafer - Pé Palito Móveis Vintage III (1960) (Divulgação/Divulgação)
Madeira, metal, espuma e fibra de vidro aparecem em diferentes projetos, enquanto mecanismos articulados ampliam as possibilidades de uso. A intenção era desenvolver peças que pudessem ser produzidas industrialmente e, ao mesmo tempo, apresentassem qualidade de desenho e conforto.
A experimentação de Lafer não ficou restrita aos móveis. Em 1974, o designer lançou o MP Lafer, automóvel inspirado no MG TD e produzido com mecânica Volkswagen. O modelo se tornou uma das criações mais reconhecidas associadas ao seu nome.
O MP Lafer usado pelo ator Roger Moore no filme 007 Contra o Foguete da Morte (1979), gravado no Brasil (Divulgação)
A incursão pelo universo automobilístico reforça o caráter multidisciplinar de sua trajetória. Além do mobiliário, Lafer também desenvolveu projetos relacionados à arquitetura, componentes arquitetônicos e mobiliário urbano, ampliando sua atuação para diferentes escalas do design.
ETEL e Lissa Carmona - Galeria Modernista Expo Fragmentos do Avesso. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/Divulgação)
É dentro desse contexto que Fragmentos do Avesso ganha importância na CASACOR Rio 2026. A exposição recupera peças, documentos e elementos relacionados à trajetória de Lafer, permitindo observar não apenas os móveis prontos, mas também aspectos do processo criativo e industrial por trás deles.
ETEL e Lissa Carmona - Galeria Modernista Expo Fragmentos do Avesso. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/Divulgação)
Ao apresentar sua produção ao lado de referências do modernismo brasileiro, a mostra ajuda a entender como o design nacional foi construído a partir do encontro entre arquitetura, indústria, materiais e novas formas de viver. Décadas depois de seus primeiros projetos, as criações de Lafer continuam mostrando como função e inovação podem caminhar juntas no desenho de um móvel.
Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.