Da adega ao living, ambientes da CASACOR Espírito Santo 2026 mostram por que as cores terrosas viraram linguagem consolidada na decoração
Publicado em 1 de set. de 2026, 10:00

Studio Sì - Cooltiva Café e Bistrô. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
A decoração reencontrou o gosto pela cor. Amarelo mostarda, verde oliva, terracota, bordô e tons terrosos em geral vêm ganhando espaço nos projetos de interiores mais recentes, em especial na CASACOR Espírito Santo 2026, onde esse movimento aparece em ambientes de propósitos bem diferentes — de bistrôs a livings — mas guiados por uma mesma lógica: usar a cor quente como ferramenta de acolhimento, memória e identidade.
Parte dessa volta se deve à ascensão do maximalismo, estilo que rejeita a economia visual e aposta em camadas de cor, textura e objetos com significado pessoal. Tons quentes são, historicamente, o vocabulário natural desse estilo — funcionam como base para ambientes que buscam transmitir presença e afeto.
Fernando Zacché Arquitetos - Estar Pulsar. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
É essa lógica que aparece no Estar Pulsar, de Fernando Zacché Arquitetos. O living, descrito como um ensaio visual sobre a cadência da vida e os laços afetivos, equilibra a racionalidade arquitetônica com texturas mais dramáticas: piso de pedra preta, madeira escura e couro criam uma atmosfera de casulo, reforçada por peças como a mesa de quartzito Mirage e uma adega com vergalhões estruturais aparentes. Aqui, o tom quente não é um acabamento isolado — é parte de uma composição tátil que sustenta a ideia central do projeto.
Cris Locatelli - Living Maria. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
Outra frente forte por trás da volta dos tons terrosos é a valorização da memória pessoal dentro do projeto arquitetônico. No Living Maria, de Cris Locatelli, a paleta de tons terrosos e verdes desbotados foi escolhida para traduzir o afeto pela mãe da arquiteta: a madeira "envolve como colo", como a arquiteta descreve, e uma cristaleira com estampa floral reforça essa camada mais sensível.
Débora Bicalho Arquitetura - De Volta. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
Movimento parecido aparece na sala de TV De Volta, de Débora Bicalho Arquitetura. Pensado como refúgio contra o excesso de estímulos contemporâneos, o ambiente aposta em madeiras e texturas artesanais, com destaque para uma tapeçaria exclusiva de ponto cruz que evoca a casa brasileira tradicional — um objeto que, por si só, já carrega associação direta com tons quentes e acolhedores.
Cris Locatelli - Cave Au Vin. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
Os tons quentes também aparecem associados a uma estética retrô, remetendo a décadas passadas ou a referências europeias clássicas. No Cave Au Vin, bistrô também assinado por Cris Locatelli, texturas de madeira escura, couro e pedras naturais em tons de bordô recriam a atmosfera das tradicionais caves francesas — uma paleta que remete tanto ao conforto quanto a uma elegância mais antiga, quase teatral, reforçada por iluminação cênica baixa.
Studio Christian Vieira - Studio Legacy. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
No Studio Legacy, de Christian Vieira, a inspiração vintage aparece de forma ainda mais explícita: o ambiente resgata o patrimônio de um antigo hotel, mantendo aparentes elementos de infraestrutura elétrica e hidráulica originais sobre o piso de época — um cenário onde tons quentes e materiais envelhecidos criam justamente aquele efeito nostálgico que tem guiado parte da decoração contemporânea.
Studio Sì - Cooltiva Café e Bistrô. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
Por fim, há uma vertente mais associada à estética do outono — paleta de cores que remete diretamente à natureza em transição, com terracota, areia e tons dourados no centro da composição. No Cooltiva Café e Bistrô, do Studio Sì, assinado por Italla Monti e Solana Marianelli, essa paleta viaja por nuances de terracota e areia, combinada a estruturas revestidas com tramas de fibras naturais e luminárias artesanais de grandes proporções. O paisagismo conceitual do espaço, com iluminação zenital natural, reforça essa sensação de calor e organicidade.