Destaque na CASACOR Brasília, Rubem Valentim construiu uma linguagem singular ao unir geometria, espiritualidade e símbolos da cultura afro-brasileira
Publicado em 28 de out. de 2026, 16:00

(Reprodução/Acervo MASP/Divulgação)
Entre formas geométricas, cores intensas e referências às religiões de matriz africana, Rubem Valentim construiu uma linguagem artística que transformou a ancestralidade em expressão contemporânea. Pintor, escultor e gravador, o baiano com presença marcante na CASACOR Brasília 2026 encontrou na geometria um caminho para representar símbolos, crenças e identidades que nem sempre recebiam espaço nas narrativas tradicionais da arte brasileira.
(Reprodução/Instituto Rubem Valentim/Divulgação)
Nascido em Salvador, Rubem Valentim (1922–1991) começou a pintar de maneira autodidata na década de 1940. Formou-se em odontologia e jornalismo, mas encontrou nas artes visuais seu principal campo de criação. Participou do movimento de renovação artística da Bahia, ao lado de nomes como Mário Cravo Júnior e Carlos Bastos. Sua trajetória ganhou projeção internacional com participações em exposições, incluindo a Bienal de Veneza de 1962 e o Festival Mundial de Artes Negras, em Dacar, em 1966.
(Reprodução/Instituto Rubem Valentim/Divulgação)
Depois de viver no Rio de Janeiro e em Roma, estabeleceu-se em Brasília, em 1967, onde atuou como professor na Universidade de Brasília. A capital federal teve papel decisivo em sua produção: foi ali que ampliou suas pesquisas tridimensionais, desenvolvendo relevos, objetos e esculturas que extrapolavam os limites da pintura. A arquitetura da cidade e a relação entre arte e espaço público dialogavam diretamente com suas investigações.
(Tiago Nunes/Divulgação)
Embora suas composições dialoguem com o concretismo e o construtivismo, a arte de Rubem Valentim possui uma identidade própria. Círculos, triângulos, setas e formas simétricas não aparecem apenas como recursos estéticos: muitos são releituras de símbolos ligados ao candomblé e à umbanda, como o machado duplo de Xangô e o arco e flecha de Oxóssi.
(Reprodução/Instituto Rubem Valentim/Divulgação)
Sua paleta de cores, frequentemente marcada por vermelhos, azuis, amarelos e verdes, reforça a força visual dessas composições. Cada emblema funciona como uma espécie de escrita simbólica, na qual espiritualidade, memória e organização geométrica convivem. O artista chamou sua busca por uma linguagem autenticamente brasileira de “riscadura brasileira”, conceito apresentado no Manifesto ainda que tardio, de 1976.
Obras de Rubem Valentim - 35 Bienal de São Paulo (Cristina Bava/Divulgação)
Entre seus trabalhos de destaque está a série Emblemas e logotipos poéticos da cultura afro-brasileira, na qual os signos religiosos são reorganizados em composições rigorosas, tanto em pinturas quanto em gravuras. Essas criações sintetizam a pesquisa que tornou seu estilo imediatamente reconhecível.
(Reprodução/Bienal de São Paulo/Divulgação)
Outra obra importante é o Templo de Oxalá (1977), instalação apresentada na 14ª Bienal de São Paulo, formada por vinte esculturas brancas e dez relevos, que aproxima o espaço expositivo da ideia de um lugar de contemplação. O branco remete a Oxalá, orixá que inspira o conjunto. Já o Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira (1979), escultura instalada na Praça da Sé, em São Paulo, leva essa linguagem simbólica para o espaço público.
(Eraldo Fonseca/Divulgação)
Em Brasília, também deixou sua marca com um mural de mármore realizado em 1972 para a sede da Novacap, considerado seu primeiro trabalho público. A obra evidencia como suas pesquisas dialogavam com a arquitetura moderna, sem abandonar as referências culturais que sustentavam sua produção.
Rubem Valentim na Mendes Wood - Art Basel Miami 2021. (Divulgação/Divulgação)
O trabalho de Valentim rompeu a falsa oposição entre abstração moderna e tradição popular. Ao colocar a cultura afro-brasileira no centro de uma linguagem geométrica, demonstrou que os símbolos ancestrais também podiam construir uma estética contemporânea, original e brasileira.
(Reprodução/Instituto Rubem Valentim/Divulgação)
Esse diálogo permanece relevante para a arquitetura e o design de interiores, especialmente em projetos que valorizam identidade, memória e arte nacional. Obras de Rubem Valentim também estiveram presentes na CASACOR Brasília 2026, aproximando seu repertório visual de novos espaços e públicos. Mais do que ornamentar ambientes, suas criações convidam a olhar para as histórias e os significados que cada forma pode carregar.
Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.