Conheça o universo criativo de Francisco Galeno, marcado por cores vibrantes, cultura popular e obras que integram a paisagem de Brasília
Publicado em 23 de out. de 2026, 10:00

(Paulo Vega Jr./Divulgação)
Há artistas que encontram beleza no extraordinário. Outros descobrem universos inteiros naquilo que parece comum. Francisco Galeno pertence ao segundo grupo. Entre pipas, carretéis, rendas e pequenas lembranças, o artista construiu uma linguagem visual em que cores intensas e formas geométricas preservam a poesia da vida cotidiana.
Debaixo do Bloco - Galeria Nova Modernista. (Gabriela Daltro/Divulgação)
Um dos nomes mais queridos das artes visuais de Brasília, Galeno deixou marcas tanto em espaços públicos quanto em coleções e galerias. Falecido em 2025, o artista segue presente no imaginário da capital federal, inclusive como destaque na CASACOR Brasília 2026, que reuniu obras suas em um espaço dedicado ao encontro entre arte, arquitetura e afeto.
Nascido em Parnaíba (Piauí), Francisco Galeno cresceu cercado pelo saber manual de uma família de artesãos. A mãe trabalhava com costura e renda; entre seus antepassados, havia pessoas dedicadas à carpintaria, ao couro e à construção de canoas. Materiais e gestos que faziam parte da rotina familiar se tornariam, décadas depois, matéria-prima para sua criação.
(Divulgação/Divulgação)
Ainda criança, mudou-se para o Distrito Federal e estabeleceu raízes em Brazlândia, onde iniciou sua trajetória artística. Antes das artes visuais, experimentou a música e o teatro. Na pintura, encontrou uma maneira de aproximar dois territórios afetivos: o Nordeste de sua infância e a Brasília de sua formação.
O universo de Galeno é reconhecível pelas cores vibrantes, pela geometria e pelo espírito lúdico. Pipas, barcos, piões, anzóis e carretéis aparecem reinventados em pinturas, gravuras e esculturas. Um objeto banal pode se transformar em composição abstrata; uma lembrança de infância, em construção visual cheia de movimento.
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Essa liberdade nasce de uma relação particular com a cultura popular brasileira. Em vez de separar a arte da experiência cotidiana, Galeno encontrava na memória familiar, nos brinquedos e no trabalho artesanal motivos para experimentar materiais, volumes e texturas. Sua produção convida o olhar a perceber que a simplicidade também pode ser surpreendente.
A relação com a capital ultrapassou os limites do ateliê. Entre suas realizações mais conhecidas está o painel da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 308 Sul, concluído em 2009. As formas e cores do artista dialogam ali com um dos marcos da arquitetura modernista brasiliense, projetado por Oscar Niemeyer.
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Galeno também deixou sua assinatura no calçadão de Brazlândia, aproximando a arte da circulação cotidiana dos moradores. Seu trabalho integra ainda acervos como os do Museu de Arte de Brasília e do Palácio do Itamaraty. São presenças que reforçam a capacidade da arte de construir identidade e memória coletiva.
Na CASACOR Brasília 2026, obras de Galeno ganharam espaço no ambiente São Geraldo/Luner Construtora, assinado por Alessandra Lima Oliveira, da TUDO Arquitetura e Construção. O projeto reuniu trabalhos de diferentes artistas e criadores, entre eles Naura Timm, José Maciel, Tarciso Viriato e os Irmãos Campana.
Tudo Arquitetura e Construção - Espaço São Geraldo. Projeto da CASACOR Brasília 2026. (Edgard César/Divulgação)
Em meio a tons terrosos e materiais naturais, a presença da arte colaborou para uma atmosfera acolhedora. A participação de Galeno reforçou uma ideia especialmente relevante para os interiores: uma obra não precisa apenas preencher uma parede. Ela pode trazer histórias, provocar conversas e ampliar o sentido de pertencimento.
Tudo Arquitetura e Construção - Espaço São Geraldo. Projeto da CASACOR Brasília 2026. (Edgard César/Divulgação)
Em 2026, a exposição “Galeno, o mistério do simples”, realizada na CAIXA Cultural Brasília, celebrou sua trajetória com pinturas, esculturas, gravuras e objetos. O conjunto evidenciou uma carreira dedicada a transformar experiências pessoais em linguagem universal.
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Mais do que um repertório de cores e formas, Francisco Galeno deixou uma maneira própria de olhar. Sua arte ensina que a memória habita os objetos mais despretensiosos — e que, quando acolhida pela imaginação, pode ganhar uma vida inteiramente nova.
Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.