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Arte

Obra monumental leva a Torre Eiffel partida ao meio ao deserto de Nevada, nos EUA

Criada pelo francês Philippe Maindron, a Eiffela Broken Dream percorreu 15 mil km até se transformar em uma das grandes obras do Burning Man 2026

Por Milena Garcia

Publicado em 4 de set. de 2026, 12:00

08 min de leitura
Eiffela Broken Dream

Eiffela Broken Dream (Divulgação)

Uma das cenas mais surreais do festival Burning Man 2026 parece saída de um desastre pós-apocalíptico: uma enorme seção da Torre Eiffel caída no meio do Deserto de Black Rock, em Nevada, nos Estados Unidos. Batizada de Eiffela Broken Dream, a instalação foi criada pelo artista e produtor de eventos francês Philippe Maindron como uma interpretação em escala aproximada de 1:10 de um dos monumentos mais reconhecidos do mundo.

Eiffela Broken Dream

Eiffela Broken Dream (Divulgação)

Com cerca de 15 metros de altura e 30 metros de comprimento, a estrutura de aço pesa aproximadamente 29 toneladas e é formada por 5 mil peças unidas e custou cerca de 300 mil euros. Custeado através de financiamento coletivo, o projeto levou dois anos para ser desenvolvido e exigiu uma complexa operação de engenharia, transporte e montagem até chegar ao festival.

Torre Eiffel "quebrada de propósito"


A instalação pretende imaginar como seria encontrar o monumento dividido em duas partes após uma queda no deserto. Na concepção de Maindron, a porção inferior, formada pelos quatro pilares fincados no solo, representa o afundamento de uma civilização perdida. Já a parte superior aponta para o céu e simboliza a esperança de um futuro melhor.

Eiffela Broken Dream

Eiffela Broken Dream (Divulgação)

Entre as duas metades, um cabo suspenso estabelece a única conexão física entre as estruturas. É por ele que equilibristas atravessam a instalação durante o período em que ela permanece no Burning Man. O movimento humano acrescenta uma dimensão à obra: os artistas são apresentados pelos organizadores como uma representação do otimismo e do equilíbrio diante de uma estrutura deliberadamente fragmentada.

Uma obra monumental em movimento


Eiffela Broken Dream

Eiffela Broken Dream (Divulgação)

A Eiffela Broken Dream começou a ser desenvolvida dois anos antes de chegar ao Burning Man. Nesse período, Philippe Maindron projetou e fabricou a instalação nas oficinas de Les Herbiers, na região da Vendée, na França. Desde o início, a estrutura foi pensada desde o início para ser desmontada e transportada até Nevada, onde ganharia uma nova montagem. Além disso, a aparência enferrujada já fazia parte dos planos.


Em 5 de maio de 2026, a torre foi preparada para a longa viagem. Depois de percorrer mais de 15 mil quilômetros, incluindo a travessia do Canal do Panamá e cerca de 600 quilômetros por terra, a instalação chegou ao Deserto de Black Rock. Ali, voluntários remontaram as 5 mil peças e mais de 10 mil parafusos em apenas 72 horas, devolvendo à estrutura sua forma monumental.


A permanência da Eiffela no deserto, porém, pode ser apenas o primeiro capítulo de sua trajetória. Após o encerramento do Burning Man, a instalação está programada para ser oferecida no leilão internacional The Take-Off, em 14 de setembro de 2026, com lance inicial de 435 mil euros.

Quem é Philippe Maindron?


Nascido em uma família de agricultores na região da Vendée, na França, Philippe Maindron estudou agronomia antes de construir uma trajetória ligada à construção e aos grandes eventos. Trabalhou por mais de duas décadas na Maison Bleue, empresa especializada em estruturas de concreto, e ganhou popularidade no país ao criar o evento de música Festival de Poupet.

Philippe Maindron

Philippe Maindron (Remi Jaouen/Divulgação)

Em 2015, fundou a Maindron Production, empresa especializada na criação e produção de eventos. Aos 55 anos, o francês atua principalmente nos bastidores desse setor, com projetos que vão de festivais e shows a grandes produções. A Eiffela Broken Dream marca sua incursão em uma escala diferente – desta vez como autor de uma instalação artística!

Outros destaques do Burning Man 2026


Criado em 1986, o Burning Man é um evento anual que transforma o Deserto de Black Rock em "Black Rock City", uma cidade temporária dedicada à arte, à experimentação e à vida em comunidade. Durante uma semana, os participantes constroem instalações, estruturas e performances, antes que a cidade seja completamente desmontada. Além da Eiffela Broken Dream, outras obras que merecem destaque na edição são:

Temple of the Moon

Temple of the Moon

Temple of the Moon (Annie Locke Scherer/Divulgação)

Projetado por James Gwertzman, em colaboração com o Moonlight Collective, o Temple of the Moon tem cerca de 52 metros de diâmetro e foi inspirado na Rainha da Noite, flor de cacto que se abre após o pôr do sol. Construída em madeira, a estrutura possui oito portais que representam as fases da lua e espaços destinados a encontros, reflexão e memória. Como parte da tradição do Burning Man, o templo será queimado ao final do evento.

Cryptomeria: A Man Pavilion 2026

Cryptomeria

Cryptomeria (Annie Locke Scherer/Divulgação)

No centro de Black Rock City, a Cryptomeria, de Alexander Rose, abriga a tradicional estátua do Homem. Inspirado nas raízes e ramificações de um antigo cedro japonês, o pavilhão possui caminhos sinuosos e uma espiral que conduz dos níveis inferiores aos superiores, criando diferentes possibilidades de circulação e vistas para o deserto. O projeto foi desenvolvido a partir do tema Axis Mundi, que orienta a edição de 2026.

Above & Below

Above & Below

Above & Below (Divulgação)

Criada por Sean Orlando, com a Engineered Artworks e o Five Ton Crane Arts Collective, Above & Below é uma casa na árvore interativa de metal apoiada sobre uma estrutura que lembra um pé de feijão gigante. Inspirada na paternidade e no imaginário dos contos de fadas, reúne espaços escondidos, objetos e percursos escaláveis que podem ser explorados pelo público. Mais de 130 artistas, designers, engenheiros e voluntários participaram de sua construção, concluída em menos de quatro meses.