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Arte

7 obras para conhecer melhor o trabalho de Tarsila do Amaral

Da fase Pau-Brasil à produção de caráter social, as obras de Tarsila do Amaral ajudam a compreender diferentes momentos do modernismo brasileiro

Por CASACOR Publisher

Publicado em 24 de ago. de 2026, 15:00

08 min de leitura
Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral (Divulgação)

A trajetória de Tarsila do Amaral ocupa um lugar central na história da arte moderna brasileira. Ao longo de sua carreira, a artista desenvolveu uma pintura marcada pela combinação entre referências das vanguardas europeias e elementos ligados à cultura, à paisagem e ao imaginário brasileiros.


Embora seja frequentemente associada às obras produzidas durante a década de 1920, sua produção se estendeu por mais de seis décadas e passou por diferentes momentos. As mudanças de temas e interesses ao longo do tempo permitem observar como Tarsila incorporou questões relacionadas à identidade brasileira, à vida urbana e rural e às transformações sociais em sua pintura.

Da formação europeia à invenção de uma arte brasileira


Tarsila do Amaral nasceu em Capivari (SP), em 1886, em uma família de fazendeiros. Estudou arte em São Paulo e, posteriormente, em Barcelona e Paris. De volta ao Brasil, aproximou-se de nomes do modernismo, como Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, formando o chamado Grupo dos Cinco.


Ao longo de sua carreira, Tarsila desenvolveu uma pintura voltada à construção de uma linguagem moderna brasileira, incorporando paisagens, personagens, cores e elementos do cotidiano do país. Sua produção passou por diferentes fases, entre elas a Pau-Brasil e a Antropofágica, além de um período de maior interesse por questões sociais. Tarsila morreu em São Paulo, em 1973, e hoje é considerada uma das principais artistas do modernismo brasileiro. A seguir, listamos sete obras para conhecer melhor o seu trabalho!

1. A Negra — 1923


Pintada em 1923, A Negra pertence a um momento importante da formação artística de Tarsila do Amaral. Realizada em Paris, a obra revela a influência das vanguardas europeias com as quais a artista entrou em contato durante seus estudos, ao mesmo tempo em que apresenta uma figura associada à realidade brasileira. A mulher retratada aparece com formas simplificadas e proporções acentuadas, características que antecipam pesquisas que seriam desenvolvidas posteriormente em sua pintura.

A Negra

A Negra. (Divulgação)

A obra também é importante por anteceder a chamada fase Pau-Brasil, iniciada por Tarsila no ano seguinte. Em A Negra, já aparece o interesse por construir uma representação que se afastasse dos padrões acadêmicos e incorporasse elementos ligados à experiência brasileira. A pintura pertence atualmente ao acervo do MAC USP.

2. Morro da Favela — 1924


Morro da Favela integra a fase Pau-Brasil de Tarsila do Amaral. Nesse período, a artista passou a explorar temas ligados à paisagem e à cultura brasileiras, combinando essas referências com soluções formais aprendidas durante sua passagem pela Europa. A obra apresenta casas, vegetação e personagens organizados em uma composição de cores vivas.

Morro da Favela

Morro da Favela. (Divulgação)

A pintura ajuda a compreender uma mudança importante em sua produção: a busca por uma linguagem moderna vinculada ao contexto brasileiro, em vez de simplesmente reproduzir modelos europeus. Paisagens urbanas e rurais, vegetação tropical e cenas do cotidiano passaram a ocupar um espaço importante em suas obras.

3. Abaporu — 1928


Talvez a obra mais conhecida de Tarsila do Amaral, Abaporu foi pintada em 1928 e se tornou um marco do movimento antropofágico. A tela apresenta uma figura humana de proporções exageradas diante de um cacto e do sol, elementos que contribuem para a atmosfera singular da composição.

Abaporu

Abaporu. (Divulgação)

A pintura foi presenteada por Tarsila a Oswald de Andrade, seu então marido, e teria inspirado o escritor a desenvolver o Manifesto Antropófago, publicado naquele mesmo ano. A proposta da antropofagia cultural defendia a apropriação e transformação de referências estrangeiras para a criação de uma produção brasileira própria. Atualmente, a obra pertence ao acervo do MALBA, em Buenos Aires.

4. A Lua — 1928


A Lua apresenta uma paisagem noturna construída principalmente em tons de azul e verde, com uma lua amarela em destaque. No centro da composição, uma forma que pode ser interpretada como um cacto ou uma figura humana aparece diante da paisagem, mantendo a ambiguidade característica da obra.

A Lua

A Lua. (Divulgação)

A obra pertence ao período antropofágico da artista e foi produzida no mesmo ano de Abaporu. Em 2019, A Lua foi adquirida pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), tornando-se a primeira pintura de Tarsila a integrar o acervo de um museu norte-americano.

5. Antropofagia — 1929


Pintada em 1929, Antropofagia reúne elementos que já apareciam em trabalhos anteriores da artista, especialmente A Negra e Abaporu. As duas figuras ocupam o primeiro plano da composição, acompanhadas pelo cacto, pela folha de bananeira e pelo sol, formando uma cena associada à ideia de brasilidade presente na produção antropofágica.

Antropofagia

Antropofagia. (Divulgação)

A obra sintetiza, portanto, um momento importante da pesquisa de Tarsila sobre a construção de uma arte moderna brasileira, na qual referências locais e influências internacionais eram combinadas e transformadas. A pintura faz parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo.

6. Operários — 1933


Na década de 1930, a produção de Tarsila passou por uma mudança significativa, com a presença mais evidente de temas sociais e políticos. Operários, de 1933, é um dos principais exemplos dessa fase e apresenta uma grande quantidade de trabalhadores diante de estruturas industriais.

Operários

Operários. (Divulgação)

A pintura se distancia das paisagens idealizadas e das figuras fantásticas de trabalhos anteriores para abordar o contexto de industrialização e as transformações sociais brasileiras. A diversidade de rostos representados na composição também contribui para a discussão sobre trabalho, migração e formação da sociedade urbana.

7. Segunda Classe — 1933


Segunda Classe apresenta um grupo de pessoas reunidas diante de uma pequena construção, em uma composição que se relaciona à vida de trabalhadores e às condições sociais do Brasil naquele momento. A temática se aproxima de Operários, mas apresenta uma cena mais ligada à experiência cotidiana e à precariedade.

Segunda Classe

Segunda Classe. (Divulgação)

A pintura foi realizada após a viagem de Tarsila à União Soviética, em 1931, experiência que contribuiu para a aproximação da artista com temas políticos e sociais. Segunda Classe integra atualmente o acervo da Pinacoteca de São Paulo.

Um percurso por diferentes momentos da artista


Observar essas obras em conjunto permite compreender que a produção de Tarsila do Amaral não se resume a Abaporu. Entre as experimentações formais dos anos 1920 e a produção social da década seguinte, sua pintura passou por diferentes interesses, temas e soluções.


É justamente essa diversidade que ajuda a explicar a permanência de seu trabalho na história da arte brasileira. Ao incorporar referências europeias, paisagens brasileiras, personagens populares e questões sociais, Tarsila construiu uma linguagem própria, que permanece fundamental para compreender o modernismo no país.


CASACOR Publisher é um agente criador de conteúdo exclusivo, desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. Este texto foi editado por Milena Garcia.