Artacho Jurado transformou a paisagem de São Paulo com cores e formas marcantes. Conheça a história e a arquitetura do Edifício Planalto!
Publicado em 14 de set. de 2026, 18:00

(Foto: Instagram/@splovers/Reprodução/Divulgação)
Em meio à paisagem histórica do centro de São Paulo, o Edifício Planalto chama atenção pelas cores, formas e varandas que rompem com a sobriedade predominante de muitos edifícios modernos da cidade.
Edifício Planalto (Wagner Tamanaha/Wikimedia Commons/Divulgação)
Projetado por Artacho Jurado e inaugurado em 1956, o prédio completa 70 anos em 2026 como uma das construções mais emblemáticas da arquitetura paulistana do período.
Edifício Planalto (Wagner Tamanaha/Wikimedia Commons/Divulgação)
Localizado na Rua Maria Paula, na região da Bela Vista, o edifício é também uma síntese das ideias que fizeram de Jurado uma figura singular. Autodidata e empresário, ele criou uma linguagem própria, combinando referências do modernismo a elementos ornamentais, cores vibrantes e espaços de convivência.
(Acervo Família Jurado/Divulgação)
João Artacho Jurado nasceu em São Paulo, em 1907, filho de imigrantes espanhóis. Sem formação acadêmica em arquitetura, começou a atuar no setor na década de 1930 e ganhou projeção especialmente a partir dos anos 1940 e 1950, quando fundou a Construtora e Imobiliária Monções.
A ausência de formação tradicional, porém, fez com que seu trabalho enfrentasse resistência entre arquitetos modernistas. Seus projetos eram frequentemente considerados excessivamente ornamentados para os padrões da época. Décadas depois, essa mesma característica passou a ser entendida como parte fundamental de sua originalidade.
Jurado desenvolveu uma arquitetura voltada para a experiência de morar, com empreendimentos que incorporavam áreas de lazer, terraços, comércio e espaços coletivos. Em vez de apostar apenas na racionalidade das plantas e fachadas, seus edifícios também buscavam criar uma atmosfera de conforto, diversão e elegância.
O Edifício Planalto reúne 294 apartamentos distribuídos em 26 pavimentos, com unidades que variam de 44 a 127 m². O conjunto é formado por blocos articulados e possui cerca de 21.960 m² de área construída.
Na fachada, as extensas varandas criam linhas horizontais marcantes. O projeto também explora pastilhas coloridas, cobogós, detalhes em gesso e diferentes elementos ornamentais, recursos que ajudam a construir uma identidade visual imediatamente reconhecível.
Edifício Planalto (Monica Kaneko/Creative Commons/Divulgação)
A composição se distancia da ideia de que a arquitetura moderna deveria ser necessariamente austera. No Planalto, a estrutura e a funcionalidade convivem com uma preocupação evidente com a aparência e com a experiência dos moradores.
(Divulgação/Divulgação)
A relação de Artacho Jurado com as cores está entre os aspectos mais interessantes de sua produção. Segundo pesquisadores e registros sobre sua trajetória, uma viagem ao Rio de Janeiro teria reforçado sua percepção de que São Paulo possuía uma arquitetura excessivamente cinzenta.
Jurado passou então a incorporar cores mais vibrantes e elementos inspirados na cultura visual urbana, incluindo referências aos luminosos de neon que ele próprio havia desenhado antes de se consolidar no mercado imobiliário.
No Planalto, essa escolha aparece de maneira evidente. Tons de rosa, azul e outros detalhes cromáticos transformam a fachada em uma presença gráfica na paisagem.
Outro aspecto importante do projeto é a maneira como Jurado entendia o edifício residencial. Seus empreendimentos procuravam oferecer mais do que uma unidade habitacional: eram concebidos como lugares de convivência.
(Reprodução/Arte fora do Museu/Divulgação)
No Planalto, o programa incluía comércio no térreo e áreas coletivas, além de espaços na cobertura. A estratégia também dialogava com uma questão prática: criar um empreendimento desejável para a classe média, com uma aparência sofisticada e recursos que valorizassem a experiência de morar no centro.
Essa combinação ajudou a explicar o sucesso comercial do edifício e consolidou uma maneira particular de pensar a habitação vertical em São Paulo.
Edifício Planalto (Instagram/@splovers/Divulgação)
Aos 70 anos, o Edifício Planalto permanece relevante justamente porque não se encaixa facilmente em uma única definição. Ele dialoga com o modernismo, mas incorpora ornamentação; é um edifício residencial, mas valoriza espaços coletivos; pertence ao centro paulistano, mas se destaca pela personalidade cromática.
Tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), o prédio integra hoje o patrimônio arquitetônico da cidade. Sua importância ultrapassa a preservação de uma construção de 1956: o Planalto ajuda a contar a história de uma São Paulo que se verticalizava rapidamente e de um profissional que ousou propor uma alternativa à arquitetura dominante.
A celebração das sete décadas do edifício, portanto, é também uma oportunidade para revisitar Artacho Jurado e sua maneira singular de imaginar a cidade. Em uma paisagem constantemente transformada, o Planalto continua sendo uma obra que chama atenção, e que, justamente por isso, ajuda a lembrar que a arquitetura também pode ter cor, personalidade e, acima de tudo, memória.
Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.