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Arquitetura

Edifício Esther: conheça a história do prédio modernista que já foi lar de Di Cavalcanti

Conheça a história do Edifício Esther, ícone do modernismo paulista que abrigou Di Cavalcanti e reuniu artistas, arquitetos e intelectuais

Por Chrys Hadrian

Publicado em 10 de ago. de 2026, 13:00

08 min de leitura
Edifício Esther.

Edifício Esther. (Vincent Bevins/Wikimedia Commons/Divulgação)

O centro de São Paulo guarda um grande número de edifícios importantes da história da arquitetura brasileira, e poucos são tão marcantes quanto o Edifício Esther. Localizado na Praça da República, o prédio inaugurado em 1938 marcou uma ruptura com os estilos arquitetônicos predominantes da época ao adotar os princípios do modernismo, privilegiando a funcionalidade, a racionalidade e a integração entre diferentes usos.

Edificio Esther.

Edificio Esther. (Francisco Baraglia/Wikimedia Commons/Divulgação)

O Esther tornou-se um verdadeiro polo cultural, reunindo artistas, arquitetos, escritores e intelectuais que ajudaram a moldar a produção artística paulistana ao longo do século XX. Entre seus moradores mais famosos esteve o pintor Emiliano Di Cavalcanti, um dos principais nomes do modernismo brasileiro, além do arquiteto Rino Levi, considerado um dos grandes mestres da arquitetura nacional.

Conheça a seguir a história desse edifício que continua sendo um dos maiores símbolos da arquitetura moderna em São Paulo.

O nascimento de um marco da arquitetura moderna


O arquiteto Álvaro Vital Brazil diante do Edifício Esther, projeto que ajudou a transformar a paisagem da Praça da República.

O arquiteto Álvaro Vital Brazil diante do Edifício Esther, projeto que ajudou a transformar a paisagem da Praça da República. (Divulgação/Divulgação)

O Edifício Esther foi inaugurado em 1938, resultado de um concurso vencido pelos arquitetos Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho. O projeto representava uma nova maneira de pensar a cidade, em um momento em que São Paulo crescia rapidamente e começava a incorporar os princípios da arquitetura moderna.

Enquanto muitos edifícios ainda seguiam referências ecléticas ou art déco, o Esther apostava em uma linguagem limpa, com poucos ornamentos, linhas horizontais bem definidas e plantas funcionais. A estrutura em concreto armado permitiu soluções inovadoras para a época, privilegiando iluminação natural, ventilação cruzada e maior flexibilidade dos ambientes.

Edifício Esther em registro publicado na revista Acrópole, em 1939.

Edifício Esther em registro publicado na revista Acrópole, em 1939. (Leon Liberman/Revista Acrópole/Divulgação)

Sua localização privilegiada, voltada para a Praça da República, também fazia parte da proposta moderna de integrar arquitetura e cidade.

Um edifício inovador para morar, trabalhar e viver


Antes mesmo de os empreendimentos de uso misto se tornarem tendência, o Edifício Esther já reunia apartamentos, escritórios, consultórios e lojas em um único endereço.

Plantas baixas dos pavimentos do Edifício Esther.

Plantas baixas dos pavimentos do Edifício Esther. (Divulgação/Divulgação)

A proposta aproximava diferentes atividades do cotidiano e criava uma intensa vida urbana ao redor do edifício. Nos pavimentos inferiores funcionavam estabelecimentos comerciais, enquanto os andares superiores recebiam residências e espaços de trabalho de profissionais liberais.

Edifício Esther.

Edifício Esther. (Jcornelius/Wikimedia Commons/Divulgação)

Outra inovação eram os apartamentos dúplex, que apareciam pela primeira vez em um edifício residencial paulistano. Com dois pavimentos integrados por uma escada interna, essas unidades ofereciam uma nova forma de morar e chamaram a atenção da elite intelectual da cidade.

As características modernistas que fizeram história


Interior do saguão do Edifício Esther em registro publicado na revista Acrópole, em 1939.

Interior do saguão do Edifício Esther em registro publicado na revista Acrópole, em 1939. (Leon Liberman/Revista Acrópole/Divulgação)

Embora tenha uma estética discreta quando comparado a obras posteriores do modernismo brasileiro, o Edifício Esther reúne diversas características que o transformaram em referência arquitetônica.

Entre elas estão:

  • fachadas sem excesso de ornamentação

  • estrutura em concreto armado

  • amplas janelas que favorecem iluminação e ventilação naturais

  • plantas funcionais

  • integração entre comércio, serviços e moradia

  • soluções voltadas ao conforto ambiental

Edifício Esther.

Edifício Esther. (@prediosdesaopaulo/Instagram/Divulgação)

Esses conceitos eram extremamente avançados para os anos 1930 e antecipavam preocupações que continuam presentes na arquitetura contemporânea, como eficiência, racionalidade e qualidade dos espaços internos.

O endereço escolhido por arquitetos, artistas e intelectuais


O Edifício Esther também é conhecido por ter se tornado um dos endereços mais desejados pela elite cultural paulistana. Entre 1941 e 1944, o arquiteto Rino Levi morou no apartamento 901 e manteve seu escritório no primeiro pavimento do edifício. Considerado um dos pioneiros da arquitetura moderna brasileira, sua presença reforçou o papel do Esther como um centro de inovação arquitetônica.

O Teatro Cultura Artística reúne a arquitetura de Rino Levi e o mosaico criado por Di Cavalcanti, uma colaboração que se tornou um dos marcos do modernismo paulistano.

O Teatro Cultura Artística reúne a arquitetura de Rino Levi e o mosaico criado por Di Cavalcanti, uma colaboração que se tornou um dos marcos do modernismo paulistano. (Nelson Kon/Divulgação)

Outro morador ilustre foi o casal formado pelo pintor Emiliano Di Cavalcanti e pela artista Noêmia Mourão, que viveu em um dos modernos apartamentos dúplex. A convivência entre arquitetos, artistas, médicos, jornalistas e intelectuais transformou o edifício em um ambiente fértil para a troca de ideias e para a consolidação da cultura modernista em São Paulo.

Mais do que um conjunto residencial, o Esther tornou-se um espaço onde arte, arquitetura e vida urbana conviviam diariamente.

O Edifício Esther e a efervescência cultural paulistana


Durante os anos 1940, o Edifício Esther abrigou a sede paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), onde funcionava um salão de exposições com um pequeno bar que se tornou ponto de encontro de arquitetos e artistas. Na nova diretoria estavam nomes como Rino Levi, Sérgio Milliet, Paulo Rossi e Pola Rezende.

No subsolo do Edifício Esther funcionou, por quase duas décadas, o Clube dos Artistas e Amigos da Arte, o famoso Clubinho, importante ponto de encontro da cena cultural paulistana.

No subsolo do Edifício Esther funcionou, por quase duas décadas, o Clube dos Artistas e Amigos da Arte, o famoso Clubinho, importante ponto de encontro da cena cultural paulistana. (Central Galeria/Divulgação)

O subsolo do edifício também recebeu, por quase duas décadas, o Clube dos Artistas e Amigos da Arte, conhecido como Clubinho. O espaço reunia artistas, arquitetos e intelectuais, entre eles Di Cavalcanti, Rino Levi, Sérgio Milliet e Paulo Mendes de Almeida, consolidando o Edifício Esther como um dos principais polos da vida cultural e modernista de São Paulo.