Do aprendizado na infância à sociedade no escritório, três duplas do elenco CASACOR contam como construíram suas trajetórias profissionais juntos
Publicado em 10 de ago. de 2026, 10:09

(CASACOR)
O Dia dos Pais é uma oportunidade para olhar para os legados que atravessam gerações — inclusive aqueles construídos por meio do trabalho! Na arquitetura, esse vínculo pode começar cedo, entre visitas a obras, desenhos de plantas e os primeiros contatos com a profissão, até se transformar em uma parceria profissional. Nas mostras da CASACOR, algumas duplas de pais e filhos encontraram justamente no ofício em comum uma maneira de preservar conhecimentos, trocar experiências e construir novos caminhos.
No clima de Dia dos Pais, conheça as histórias de Eloy e Felipe Fichberg, Gilberto e Caroline Elkis e João e Gustavo Almeida, profissionais que integram diferentes edições da CASACOR e compartilham, além dos projetos, uma relação familiar. Cada dupla encontrou sua própria maneira de conciliar as diferenças entre gerações, os desafios do trabalho e os aprendizados que passam de pai para filho — e, muitas vezes, também no sentido contrário.
Fichberg Arquitetura e Interiores. (CASACOR)
A Fichberg Arquitetura e Interiores, fundada por pai e filho, é fruto de uma geração de arquitetos. Eloy Fichberg estudou arquitetura em 1964 e começou a trabalhar na Construtora Fichberg, fundada pelo próprio pai, também arquiteto, Leone Fichberg. Já Felipe formou-se na mesma universidade que o pai e o avô em 2011 e, após atuar em escritórios de diferentes especialidades, decidiu se unir a Eloy em uma nova empreitada: um escritório especializado em construções de casas e reformas de apartamentos.
No entanto, Felipe relembra que os dois já compartilhavam experiências na área desde sua infância. "Começamos a trabalhar juntos desde que eu era pequeno. Ele me ensinava a ler plantas e me mostrava as coisas em obra. Mais tarde, eu comecei a ajudar ele com os projetos, desenhando e fazendo o que ele precisava. Desde então não parei mais", conta à CASACOR.
Fichberg Arquitetura e Interiores - Déjà Vu. (Bia Nauiack/CASACOR)
Eloy afirma que aprendeu "a essência da arquitetura" com o seu pai e, por outro lado, aprende a se reinventar diariamente ao lado do filho. "Ele me faz ver a arquitetura nos detalhes mais íntimos. Foi uma evolução e tanto", complementa o veterano. Enquanto isso, Felipe valoriza os ensinamentos humanos transmitidos pelo pai: "O que eu mais aprendo é ser uma pessoa melhor em todos os sentidos – sempre olhando para trás, valorizando o legado familiar e aplicando suas bagagens de forma assertiva para um futuro tranquilo e durável".
Juntos, os dois já participaram de três edições da CASACOR São Paulo: momento em que Eloy ressalta que teve ainda mais certeza do talento do filho. Os dois afirmam conciliar as relações pessoais e profissionais com tranquilidade – ao que conseguem saber apenas pelo olhar o que o outro está pensando. "No final, posso dizer que é um privilégio poder trabalhar com meu filho. Ele é talentoso, esforçado e procura sempre por soluções quando elas parecem não haver mais", conclui o pai orgulhoso.
Elkis+ Paisagismo. (CASACOR)
A trajetória de Gilberto Elkis e Caroline Elkis, é parecida com os colegas da CASACOR São Paulo – porém no paisagismo. O patriarca já tinha uma carreira consolidada (inclusive, com dezenas de participações na mostra) quando a filha se juntou ao escritório Elkis+ Paisagismo. "Depois de seguir meu caminho na arquitetura e interiores, percebemos que nossas experiências poderiam se complementar. Foi aí que decidimos unir forças", conta Caroline.
Atualmente, os dois se complementam quanto à dedicação e à exigência nos projetos – ele mais metódico, ela mais intuitiva, segundo as definições dos dois. Elkis aprendeu com a filha a "olhar as coisas de maneira mais atual, dinâmica e aberta a novas possibilidades". Enquanto isso, Caroline diz ter aprendido disciplina e perseverança com o pai.
Elkis+ Paisagismo - Jardim Tropical. Projeto da CASACOR São Paulo 2025. (Carolina Mossin/CASACOR)
A dupla confessa que nem sempre é fácil separar o trabalho da família, porém praticam um exercício diário de manter o diálogo e o respeito entre eles. Com admiração, Gilberto finaliza: "Caroline sempre teve muita garra e direcionamento. Desde o início da faculdade, eu já sabia que ela seria uma excelente profissional".
João Almeida e Gustavo Almeida. (CASACOR)
João e Gustavo Almeida são membros do elenco da CASACOR Piauí 2026 além de já terem participado juntos de outras duas edições da mostra. Filho e pai, respectivamente, trabalham juntos há 22 anos, mas garantem que a parceria teve início muito antes. "Eu o levava para as obras aos sábados quando ele era criança. Ele adorava explorar os canteiros e até fazia as lições de matemática na sala de reunião do escritório. A transição dele de estagiário para sócio foi o caminho mais lógico e natural possível", relembra Gustavo.
O pai é arquiteto e engenheiro de referência em Teresina (PI), enquanto o filho se especializou em paisagismo e se divide entre a capital piauiense e o Rio de Janeiro (RJ). O lado mais técnico e racional de um, complementa a sensibilidade do outro. Para Gustavo, foi fundamental respeitar o espaço do filho na escolha da profissão: "Fiz questão de não interferir para garantir que a escolha pela arquitetura fosse genuinamente dele. A certeza começou a aparecer quando o vi focado nos projetos da faculdade e trabalhando no escritório durante as férias. Mas a prova definitiva se construiu na prática, ao longo desses 22 anos".
João Almeida e Gustavo Almeida - Estúdio Capri por Macêdo Fortes. Projeto da CASACOR Piauí 2026. (Felipe Petrovsky/CASACOR)
Hoje, o veterano se diz tranquilo para aproveitar suas viagens e confiar o escritório nas mãos do herdeiro. Por sua vez, João faz questão de exaltar o "profundo senso de ética e comprometimento" que aprendeu com Gustavo.
Os dois declaram ser completamente apaixonados pela arquitetura e mantém o afeto e a confiança como os pilares da relação profissional. "Ele me ensinou, pelo exemplo, que quando o amor guia nossa escolha, o trabalho deixa de ser uma obrigação exaustiva e se torna fonte de prazer. Com o tempo, compreendi que esse amor pela profissão se traduz no nosso propósito maior: melhorar a vida das pessoas por meio da arquitetura", conclui João.

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