Entre emissões de carbono e aproveitamento de recursos, cada material apresenta vantagens e desafios para uma construção mais sustentável
Publicado em 1 de out. de 2026, 18:00

Edward Van Vliet - Cubikoo Pavilion. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Henrique Ribeiro/Divulgação)
O impacto ambiental de uma construção começa muito antes de a obra ficar pronta. Da extração das matérias-primas aos processos de fabricação, transporte e descarte, cada escolha de projeto tem consequências para o meio ambiente. Nesse contexto, a sustentabilidade exige um olhar que considere não apenas a origem dos materiais, mas também seu desempenho e sua durabilidade ao longo do tempo.
Composto por solo e cimento, o tijolo solo-cimento é uma alternativa eficiente e econômica para construções sustentáveis, garantindo durabilidade e conforto térmico. Uma solução que promove a construção responsável e o uso consciente de recursos. (Cimento Itambé/Divulgação)
Entre os materiais mais utilizados na construção civil, concreto, aço e madeira apresentam vantagens e desafios distintos. O consumo de recursos naturais, as emissões de carbono e as possibilidades de reaproveitamento variam conforme os processos de produção e utilização de cada um. Compreender essas diferenças é fundamental para avaliar o impacto ambiental das obras e orientar escolhas mais conscientes.
O concreto é um dos materiais mais utilizados na construção civil e também está associado a uma parcela relevante das emissões do setor. Isso acontece principalmente por causa do cimento, um de seus principais componentes.
Durante a fabricação do cimento, o calcário é aquecido em altas temperaturas, processo que demanda muita energia e libera dióxido de carbono.
Projeto de Alexandre Dal Fabbro. (Fran Parente/Divulgação)
Por outro lado, o material apresenta uma característica importante: durabilidade. Estruturas bem projetadas e executadas podem permanecer em uso por muitas décadas, reduzindo a necessidade de substituições frequentes.
Além disso, resíduos de concreto podem ser triturados e utilizados como agregados reciclados em determinadas aplicações.
Laje in loco. (Hipermix - Concretos/Divulgação)
Outro ponto de atenção é a quantidade de material empregada. Estratégias como otimização estrutural, uso de concretos com menor teor de clínquer e incorporação de materiais cimentícios suplementares podem ajudar a diminuir as emissões associadas ao material sem necessariamente comprometer seu desempenho.
O aço também possui uma pegada ambiental significativa, especialmente por causa da energia necessária para sua produção. A fabricação a partir do minério de ferro envolve processos industriais de alta temperatura e pode resultar em emissões expressivas de gases de efeito estufa.
(Pinterest/Divulgação)
A vantagem está na possibilidade de reaproveitamento. O aço pode ser reciclado diversas vezes sem perder suas principais propriedades, e a sucata é uma matéria-prima importante para a produção siderúrgica. Em projetos que utilizam estruturas metálicas, a possibilidade de desmontagem também pode facilitar o reaproveitamento de componentes.
(Jf Martin/Unsplash/Divulgação)
Além disso, a resistência do aço permite criar estruturas com menor quantidade de material em determinadas situações. A avaliação ambiental, portanto, não deve considerar apenas a origem do produto, mas também sua quantidade, transporte, vida útil e possibilidade de reutilização.
A madeira costuma aparecer associada à construção de baixo impacto, mas essa relação depende de como e de onde ela é produzida. Quando proveniente de manejo florestal responsável e de cadeias produtivas rastreáveis, pode apresentar vantagens ambientais em relação a materiais cuja fabricação depende de processos industriais mais intensivos em energia.
(Maíra Acayaba/Divulgação)
As árvores retiram dióxido de carbono da atmosfera durante seu crescimento e parte desse carbono permanece armazenada na madeira enquanto o produto estiver em uso. Por isso, projetos que utilizam madeira de origem certificada e proveniente de manejo responsável podem contribuir para estratégias de redução de emissões.
(Felipe Araújo/Divulgação)
Entretanto, madeira não é automaticamente sustentável. Desmatamento, extração ilegal, transporte em longas distâncias e descarte inadequado podem aumentar significativamente seu impacto ambiental. Também é importante considerar tratamentos, colas e outros componentes utilizados em produtos industrializados derivados da madeira.
A chamada madeira de reflorestamento é produzida a partir de árvores cultivadas especificamente para abastecer a indústria, como pinus e eucalipto. Diferentemente da madeira extraída de florestas nativas, sua produção pode ocorrer em áreas destinadas ao cultivo florestal, o que ajuda a reduzir a pressão sobre ecossistemas naturais quando há manejo adequado e planejamento da produção.
(Dorelys Smits/Unsplash/Divulgação)
Mas o termo, sozinho, não garante que o material tenha baixo impacto ambiental. É importante considerar a origem da madeira, as práticas de manejo, o uso do solo, a biodiversidade da área e a distância percorrida até o consumidor. Certificações e sistemas de rastreabilidade podem ajudar a verificar se a matéria-prima segue critérios ambientais e sociais estabelecidos.
(Alex Jones/Unsplash/Divulgação)
Outro ponto é que o destino da madeira também interfere em seu impacto. Quando utilizada em móveis, estruturas e revestimentos de longa duração, ela mantém o carbono armazenado durante o período de uso e pode prolongar a vida útil do recurso. Por isso, mais do que escolher uma espécie específica, vale observar toda a cadeia produtiva e priorizar materiais de origem conhecida, manejo responsável e alta durabilidade.
Não existe uma resposta única para essa comparação. O impacto ambiental de um material depende de todo o seu ciclo de vida, desde a extração das matérias-primas até a fabricação, transporte, utilização, manutenção e destinação final.
(Divulgação/Divulgação)
Por isso, uma escolha mais consciente considera as necessidades específicas do projeto. Em vez de procurar um material universalmente sustentável, arquitetos e designers podem avaliar durabilidade, quantidade utilizada, origem, possibilidade de reutilização e reciclabilidade.
A combinação entre diferentes materiais também pode ser uma estratégia. Um projeto pode utilizar concreto onde sua massa e resistência são necessárias, aço em elementos estruturais específicos e madeira em componentes que valorizem menor impacto, conforto e aproveitamento de recursos renováveis.
Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.

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