Com repertório diverso e tranquilidade para resolver improvisos, Adriana Fontana encontrou na CASACOR um laboratório para experimentar novas formas de criar e trabalhar
Publicado em 18 de set. de 2026, 17:19

A designer de interiores Adriana Fontanta. (Reprodução/CASACOR)
A primeira vez que Adriana Fontana participou de uma CASACOR, em 2017, foi um abre-portas para a sua carreira. O projeto de um quarto infantil com mezanino, elaborado para a CASACOR Franca, precisou de muita inventividade e confiança. A dor de cabeça foi das grandes, mas recompensa também: ao final da mostra, o ambiente foi vendido por inteiro, exatamente como havia sido elaborado. "Quando você começa a participar da CASACOR, você sobe o seu sarrafo", conta a designer de interiores em entrevista à CASACOR. De lá para cá, tornou-se presença constante na CASACOR Ribeirão Preto — na qual soma participações desde 2019 —, e está de volta à mostra em 2026.
Adriana Fontana - Cozinha de Ficar. CASACOR Ribeirão Preto 2021 (Felipe Araujo/CASACOR)
Formada em Design de Interiores pelo Centro Universitário Belas Artes, com especializações em Design e História da Arte e em Design de Interiores em Florença, abriu o próprio escritório em 2001. Construiu desde então uma trajetória onde cores, texturas e materiais convivem em harmonia. A multiplicidade de interesses é sua marca registrada: numa mesma conversa, Adriana fala sobre política, economia, arte, viagens, tecnologia, mercado e design e reforça a importância de se manter sempre antenado.
Adriana Fontana - Ninho de Histórias. Projeto da CASACOR Ribeirão Preto 2026. (Victor Filomensky/CASACOR)
É no cruzamento entre repertório e curiosidade onde a mágica acontece. Adriana, na verdade, faz uma ressalva: seu processo criativo passa longe de ser mágico. Existem projetos, prazos, clientes, fornecedores, uma equipe, uma obra em andamento. "Eu tenho um cronograma. Eu preciso fazer isso acontecer". Daí a importância de três palavras-chave para o seu escritório: organização, referências e experiência. "Você precisa ter criatividade, resolver os problemas e, no fim, fazer tudo ficar lindo".
Adriana Fontana - Pimenta Ardida por Manhattan. Projeto da CASACOR RIbeirão Preto 2025. (Felipe Cuine/CASACOR)
A criação, apesar de não ser romântica, não deixa de ser memorável. Adriana fala sobre seus projetos com muito carinho e não os vê como obras prontas: lembra de como foram feitos, de quem esteve junto, do que faltou, do fornecedor que resolveu, do detalhe que precisou ser inventado na hora. Ao contar sobre a Loja Petit Palais, contêiner montado na CASACOR Ribeirão em 2024, se lembra do jogo de cintura para elaborar, em apenas 12 dias, uma estrutura com tubos de PVC cortados ao meio, um degradê que não podia ser óbvio e um teto resolvido com sombrite de horta. "O projeto foi rodando em cima do que já estava rodando", brinca.
Adriana Fontana - Loja Petit Palais. Projeto da CASACOR Ribeirão Preto 2024. (Carolina Mossin/CASACOR)
Para ela, a mostra funciona como um laboratório de criação: um lugar para testar uma ideia, criar uma persona, mostrar possibilidades que um projeto convencional talvez não comportasse. "A CASACOR é a melhor vitrine que a gente pode ter", resume. Na mostra, ela gosta de testar outras linguagens além daquela pela qual já é conhecida. O quarto de bebê que assina na CASACOR Ribeirão Preto 2026, por exemplo, é propositalmente mais clássico — em contraste com o repertório colorido que costuma ser associado ao seu nome.
Adriana Fontana - O Primeiro Refúgio. Projeto da CASACOR Ribeirão Preto 2026. (Victor Filomensky/CASACOR)
Dessa forma também que cada edição foi moldando não apenas o seu olhar criativo, mas o seu jeito de trabalhar. No ano seguinte à estreia, precisando de uma manta azul que não existia em nenhum fornecedor, comprou a lã e teceu a peça com as próprias mãos. No Janelas CASACOR 2020, criou um contêiner que, em plena pandemia, ainda assim lhe trouxe clientes. Vieram depois a cozinha, o café, o corredor colorido — ambientes que ela enumera com carinho. "Cada um tem uma história", relembra. Conviver por anos com os desafios e imprevistos de fazer uma CASACOR deixou como saldo algo que ela hoje leva para qualquer obra: a tranquilidade. A CASACOR ensinou Adriana a improvisar sem abrir mão de qualidade, a resolver um problema de um jeito que ninguém perceba que ele existiu: um diferencial, na sua visão, dos profissionais que passam pela mostra, e que com o tempo vira jogo de cintura.
(Felipe Araújo/CASACOR)
Os 25 anos de experiência, no entanto, não são sinônimo de fazer mais do mesmo. Adriana segue desenhando, pesquisando, testando o que funciona e se aventurando nos limites do seu próprio trabalho. Foi assim que, aos poucos, ela entendeu que segurança não vem de acertar sempre: vem de saber que, quando algo sair do lugar, será possível olhar para aquilo, inventar uma solução e fazer dar certo.