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Reuso como estética: a beleza das marcas do tempo no design

O reuso valoriza materiais, móveis e objetos que carregam histórias, transformando sinais de desgaste em elementos de identidade e expressão no design

Por Yeska Coelho

Publicado em 8 de out. de 2026, 18:00

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Daniel Wilges - Casa Wabi Sabi, projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2021.

Daniel Wilges - Casa Wabi Sabi, projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2021. (Cristiano Bauce/Divulgação)

Abraçar o imperfeito se tornou uma das grandes tendências de decoração. O que antes era considerado sinal de desgaste hoje pode se transformar em um elemento de identidade. No universo do design, o reuso ganha uma dimensão que ultrapassa a sustentabilidade, convidando a reconhecer a beleza de superfícies envelhecidas, materiais recuperados e objetos que carregam histórias.

estilo wabi-sabi

(Pinterest/Divulgação)

Riscos, manchas, texturas irregulares e mudanças de tonalidade deixam de ser defeitos a esconder para se tornarem características que tornam cada peça singular.

estilo wabi-sabi

(Pinterest/Divulgação)

Essa mudança de perspectiva também revela uma nova maneira de compreender o valor dos objetos. Em vez de buscar exclusivamente o acabamento impecável, o design contemporâneo abre espaço para a passagem do tempo como parte da experiência estética. O resultado são ambientes mais autênticos, nos quais passado e presente convivem sem a necessidade de apagar suas diferenças.

O imperfeito como marca estética


Durante muito tempo, a aparência de novo esteve associada à qualidade e à sofisticação. Entretanto, movimentos ligados ao consumo consciente e à valorização do trabalho artesanal vêm ampliando essa percepção. A pátina de um metal, as marcas de uma madeira antiga ou o aspecto irregular de uma cerâmica podem acrescentar profundidade visual e personalidade aos espaços.

Daniel Wilges - Casa Wabi Sabi, projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2021.

Daniel Wilges - Casa Wabi Sabi, projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2021. (Cristiano Bauce/Divulgação)

Essa valorização encontra afinidades com o conceito japonês de wabi-sabi, que reconhece a beleza da impermanência, da simplicidade e da imperfeição. No design, essa filosofia inspira composições que acolhem materiais naturais, superfícies orgânicas e sinais da passagem do tempo, sem exigir uniformidade absoluta.

Daniel Wilges - Casa Wabi Sabi, projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2021.

Daniel Wilges - Casa Wabi Sabi. (Cristiano Bauce/Divulgação)

A proposta não significa romantizar qualquer deterioração. Trata-se de distinguir os vestígios que enriquecem a identidade de uma peça daqueles que comprometem sua funcionalidade. Preservar uma marca pode ser uma escolha estética tão consciente quanto restaurar um acabamento.

Reuso de materiais: novas possibilidades para o design


Madeira recuperada

A madeira de demolição é um dos exemplos mais expressivos dessa abordagem. Suas variações de cor, pequenos furos e marcas de uso revelam trajetórias anteriores. Quando transformada em mesas, bancos ou revestimentos, ela incorpora uma camada de memória à decoração, especialmente quando combinada a elementos contemporâneos.

Isabela Cardoso, Letícia Rosa e Pedro Nunes - Corpo e Templo. Projeto da CASACOR Goiás 2023. Na foto, jardim interno, cerâmicas e formas curvas.

Isabela Cardoso, Letícia Rosa e Pedro Nunes - Corpo e Templo. Projeto da CASACOR Goiás 2023. Na foto, jardim interno, cerâmicas e formas curvas. (Edgard César/Divulgação)

Metais e superfícies envelhecidas

Cobre, latão e ferro também oferecem possibilidades interessantes. A oxidação e as alterações naturais de tonalidade criam acabamentos vivos, que se modificam com o tempo. Em luminárias, puxadores e estruturas de mobiliário, essas características podem funcionar como elementos de contraste e sofisticação.

Cerâmicas e objetos artesanais

Isabela Tonial - C’ALMA CHOCOLATES. Projeto da CASACOR Goiás 2026.

Isabela Tonial - C’ALMA CHOCOLATES. Projeto da CASACOR Goiás 2026. (Edgard César/Divulgação)

Peças cerâmicas com pequenas irregularidades, diferenças de esmaltação e texturas aparentes valorizam o gesto humano envolvido na produção. O caráter artesanal rompe com a padronização industrial e permite composições mais sensíveis, nas quais cada objeto possui uma identidade própria.

Móveis antigos e a valorização da memória afetiva


O reuso também encontra expressão no mobiliário herdado, garimpado ou recuperado. Uma cômoda antiga, uma cadeira com marcas de utilização ou uma mesa que atravessou gerações podem adquirir novos significados quando inseridas em ambientes atuais.

Vintage tropical: apê de 210 m² une modernismo, integração e garimpo. Projeto de João Panaggio.

Projeto de João Panaggio. (Fotos: Fran Parente | Produção: Aldi Flosi/Divulgação)

Nessas composições, o contraste entre peças de diferentes épocas cria narrativas visuais. Um móvel de madeira envelhecida pode dividir espaço com uma luminária contemporânea, enquanto uma poltrona vintage encontra equilíbrio em meio a materiais minimalistas.

Como incorporar a estética do reuso na decoração


Adotar essa linguagem não exige transformar completamente os ambientes. Pequenas escolhas podem introduzir texturas, histórias e contrastes na composição. Uma mesa restaurada, um espelho com moldura antiga ou objetos encontrados em antiquários já oferecem novos pontos de interesse visual.

RCK Integradas - Carolina Pellenz e Rafael Kreusch. Projeto da CASACOR Santa Catarina 2023.

RCK Integradas - Carolina Pellenz e Rafael Kreusch. Projeto da CASACOR Santa Catarina 2023. (Lio Simas/Divulgação)

O segredo está em construir uma composição equilibrada, permitindo que os sinais do tempo convivam com materiais e acabamentos atuais. O reuso não precisa dominar a decoração para transmitir personalidade: muitas vezes, uma única peça é suficiente para criar essa conexão.

Bilheteria/Galeria Meia 1 - Debaixo do Bloco Arquitetura. O concreto está no DNA de Brasília, assim como o branco da arquitetura de Niemeyer. São esses os elementos chave, em uma linguagem que revela as imperfeições e a autenticidade do espaço. De forma pontual, foram inseridos móveis brasileiros e obras artista Christus Nobrega, distribuídos nos 105m².

Bilheteria/Galeria Meia 1 - Debaixo do Bloco Arquitetura. (Jomar Bragança/Divulgação)

Ao reconhecer a beleza do que já foi vivido, o design propõe uma relação mais duradoura com os objetos. Afinal, nem toda marca precisa ser apagada — algumas são justamente aquilo que torna uma peça insubstituível.


Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.