Conheça a trajetória de Jorge Zalszupin, sua contribuição ao modernismo brasileiro e as características dos móveis que se tornaram clássicos
Publicado em 27 de out. de 2026, 14:00

Jorge Zalszupin (Divulgação/CASACOR)
Jorge Zalszupin ocupa um lugar de destaque na história do design brasileiro. Nascido na Polônia e radicado no Brasil, o arquiteto e designer ajudou a transformar o mobiliário moderno ao combinar formas elegantes, conforto e experimentação com materiais. Suas criações, desenvolvidas sobretudo a partir dos anos 1950, atravessaram décadas e continuam presentes em projetos de interiores e coleções dedicadas ao design de autor.
Nascido em Varsóvia, em 1922, Jorge Zalszupin estudou arquitetura na Romênia durante a Segunda Guerra Mundial. Após uma passagem pela França, chegou ao Brasil em 1949, atraído pela efervescência da arquitetura moderna no país.
Estabeleceu-se em São Paulo, naturalizou-se brasileiro e iniciou uma trajetória na qual arquitetura e desenho de mobiliário caminharam juntos.
(Reprodução/ETEL Design/CASACOR)
Seu interesse pelos móveis nasceu de uma necessidade prática: criar peças que dialogassem com as residências que projetava. Influenciado pelo modernismo europeu e pelo design escandinavo, ele encontrou nas madeiras brasileiras a oportunidade de desenvolver uma linguagem própria, marcada por curvas suaves, proporções equilibradas e soluções construtivas inventivas.
Em 1959, Zalszupin fundou a L’Atelier, empresa que levou seus projetos para além das encomendas individuais. O empreendimento começou com produção artesanal e avançou para a fabricação em séries, aproximando o mobiliário de autor dos processos industriais.
(Reprodução/ETEL Design/CASACOR)
O uso do jacarandá e de outras madeiras, aliado à combinação com couro, metal e diferentes técnicas de fabricação, tornou-se uma característica de suas criações. A L’Atelier também produziu mobiliário corporativo, contribuindo para a presença do design moderno em escritórios e edifícios públicos, inclusive em Brasília.
(Reprodução/ETEL Design/CASACOR)
Criada em 1959, a Poltrona Dinamarquesa é uma das obras mais reconhecidas de Zalszupin. A estrutura de madeira, os braços desenhados em curvas contínuas e as almofadas estofadas equilibram leveza visual e conforto. Seu nome faz referência à influência escandinava, enquanto os braços e pés dianteiros evocam, segundo o próprio designer, as colunas de Oscar Niemeyer no Palácio da Alvorada.
(Fotos: Denilson Machado, do MCA Estúdio / Produção visual: Aldi Flosi/CASACOR)
Também de 1959, a Mesa Pétalas transforma a madeira em um desenho quase floral. Seu tampo é formado por superfícies curvas que remetem a pétalas, criando um efeito escultórico. A peça demonstra a habilidade de Zalszupin em explorar as possibilidades técnicas do material sem abandonar a funcionalidade.
(Divulgação/CASACOR)
A Mesa Guanabara chama atenção pelo tampo amplo, composto por pequenas peças de madeira em diferentes tonalidades, e pela base de cimento revestida em couro. Criada em 1959, revela o interesse do designer pelos contrastes entre materiais, texturas e formas, transformando uma mesa de jantar em protagonista do ambiente.
(Divulgação/CASACOR)
Com desenho discreto e refinado, a Poltrona 801 destaca-se pela curvatura delicada dos braços e pelos pés de madeira arrematados com detalhes em latão. Datada de 1959, exemplifica a capacidade de Zalszupin de valorizar os pequenos acabamentos sem comprometer a simplicidade das linhas.
(Divulgação/CASACOR)
Inspirado em carrinhos de bebê poloneses, o Carrinho de Chá JZ foi criado em 1959. Combina estrutura de ferro, rodas com detalhes em latão e bandeja removível de madeira. O resultado é um objeto funcional que evidencia o lado lúdico e experimental do designer.
Jorge Zalszupin morreu em 2020, aos 98 anos, mas sua obra segue em circulação por meio de reedições e iniciativas de preservação. A Casa Zalszupin, residência projetada por ele em São Paulo, tornou-se espaço cultural em 2021.
(Divulgação/CASACOR)
Mais do que peças emblemáticas, seu legado está na demonstração de que o mobiliário brasileiro pode unir precisão industrial, identidade material e sensibilidade artística. Essa combinação explica a permanência de suas criações no repertório de arquitetos e designers contemporâneos.
Este texto foi desenvolvido com o auxílio do CASACOR Publisher, agente de conteúdo exclusivo desenvolvido pela equipe de Tecnologia da CASACOR a partir da base de conhecimento do casacor.com.br. O conteúdo gerado foi posteriormente editado por Yeska Coelho.