Nas mostras, o piso ultrapassa sua função prática e ganha protagonismo em composições que valorizam a materialidade e a expressão cromática
Publicado em 23 de out. de 2026, 14:00

Lucas Nascimento - Living Podcast. Projeto da CASACOR Brasília 2026. (Edgard César/CASACOR)
O piso tem papel fundamental na percepção dos espaços. Além de orientar a circulação, pode estabelecer contrastes, destacar elementos arquitetônicos e definir a atmosfera de um ambiente. Entre as diversas possibilidades existentes, os pisos coloridos permitem acrescentar personalidade à decoração – seja pela materialidade do concreto, seja pela intensidade de tons presentes em carpetes e outros revestimentos.
Na CASACOR 2026, diferentes projetos exploram essas possibilidades, combinando cores, texturas e materiais para criar experiências visuais. Do concreto de aparência bruta aos carpetes vibrantes, as propostas mostram como as escolhas feitas para o piso podem transformar a leitura dos interiores.
Entre os projetos trazem pisos coloridos, a Casa Bric, da Bric Arquitetura, parte do conceito de machine à habiter, de Le Corbusier, para criar um loft funcional. O chão de concreto vermelho convive com obras de arte, mobiliário brasileiro e peças autorais, em uma composição que valoriza a materialidade e o desenho dos objetos.
Bric Arquitetura - Casa Bric. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
No Cria Café, da ESC. Arquitetura, uma grande arquibancada envolve o espaço e convida à contemplação do jardim. Inspirado na ideia de praça, o projeto prioriza o encontro e a permanência, com piso amarelo e mobiliário autoral produzido com materiais reaproveitados.
Esc Arquitetura - Cria Café. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Estúdio Teluria/CASACOR)
Já no Espaço Kazza, de Alexandre Rousset, uma única cor integra as superfícies e cria uma composição contínua, incluindo paredes e piso terracota inspirados na geografia mineira. Ao fundo, um disco solar e as variações de luz estabelecem uma atmosfera dramática, enquanto cortinas e persianas acrescentam movimento ao ambiente.
Alexandre Rousset – Espaço Kazza. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Jomar Bragança/CASACOR)
Nos projetos que apostam no carpete colorido na CASACOR 2026, o piso ganha protagonismo pela intensidade cromática e pela textura. No Auditório João Dalmácio, assinado por Isabela Castello em parceria com Flavia Abaurre e Leticia Abaurre, o carpete vermelho remete à celebração e ao prestígio. A escolha integra uma homenagem ao idealizador do Hotel Porto do Sol e à história do espaço como palco de encontros sociais, corporativos e culturais.
Isabela Castello, Flavia Abaurre e Leticia Abaurre - Auditório João Dalmácio. Projeto da CASACOR Espírito Santo 2026. (Felipe Araújo/CASACOR)
O Bar Ocelo, de Orestes Blanco e Rosa Manarini, recupera a atmosfera dos speakeasies da década de 1920. Em 48 m², veludos, espelhos, grafismos Art Déco e papéis de parede inspirados em penas de pavão compõem um cenário envolvente. O carpete dialoga com a ilha do bar em laca bordô e a iluminação dramática, reforçando a sensação de sofisticação.
Orestes Blanco e Rosa Maranini - Bar Ocelo. Projeto da CASACOR Brasília 2026. (Edgard César/CASACOR)
Na Bilheteria Limiar, da Três Arquitetura, o carpete integra uma composição cenográfica de 59 m², marcada por cores vibrantes e contrastes entre mármore, madeira, couro e veludo. Esculturas, quadros e um painel assinado completam o espaço, que transforma a entrada da mostra em Brasília em uma experiência visual.
Três Arquitetura - Limiar. Projeto da CASACOR Brasília 2026. (Edgard César/CASACOR)
O Living Podcast (capa), de Lucas Nascimento, utiliza o carpete em todo o ambiente de 100 m², conectando a arquitetura a referências de cinema, teatro, música e literatura. Já no Desvio Moderno, de Tom Castro, o carpete vermelho assume papel central, inspirado na obra Desvio para o Vermelho, de Cildo Meireles. Em contraste com a madeira escura e o mobiliário modernista, o piso colorido reforça a conexão entre arquitetura e arte contemporânea.
Tom Castro Arquitetura - Desvio Moderno. Projeto da CASACOR Rio de Janeiro 2026. (André Nazareth/CASACOR)
Em projetos domésticos, o piso pode assumir o papel de fio condutor da decoração, estabelecendo relações entre cores, materiais e mobiliário. O concreto aparente ressalta a beleza das superfícies naturais e ganha novas nuances ao lado da madeira e das fibras. Já o carpete colorido acrescenta profundidade e imprime caráter aos espaços de convivência. Quando a escolha considera a arquitetura e o repertório estético da casa, o revestimento deixa de ser apenas uma base e passa a participar da identidade do ambiente.