comScore
CASACOR
Cidades

Um lado mais colorido de SP: a experiência de se hospedar no Germaine Burchard

Com fachada rosada, curvas e quase 90 anos de história, o Germaine Burchard é um convite a conhecer outro lado do Centro de São Paulo

Por Yeska Coelho

Publicado em 24 de set. de 2026, 16:00

08 min de leitura
Seguir no
Germaine Burchard.

Germaine Burchard. (Milena Leonel/Editora Brava/Divulgação)

“Selva de pedra”, “terra da garoa”, “cidade de pedra”. São muitos os apelidos que São Paulo recebeu ao longo de sua história, e, convenhamos, alguns traduzem muito bem a atmosfera urbana tão particular da metrópole. Mas, vez ou outra, surgem construções capazes de quebrar esse imaginário mais cinza, duro e concreto. O Germaine Burchard, também conhecido como Marian, é uma delas.


Com fachada rosada, linhas curvas e detalhes que remetem ao Art Déco, o edifício se destaca no Centro Histórico de São Paulo. Projetado pelo arquiteto Enrico Brand a pedido da condessa Germaine Burchard, o prédio começou a ser construído em 1938 e foi concluído em 1942. Na época, chegou a receber o prêmio de “Mais Belo Edifício” no biênio 1941–1942.


Mas talvez a história mais curiosa seja outra: o Germaine Burchard foi concebido para funcionar como flat, uma proposta pouco comum na cidade naquele período. Décadas depois, o edifício passou a abrigar hotéis — entre eles o Alvear e, posteriormente, o Marian Palace. Já nos anos 2000, suas antigas suítes foram transformadas em apartamentos residenciais, preservando boa parte das características que fazem dele uma construção tão singular.

Edifício Germaine Burchard.

Edifício Germaine Burchard. (Airbnb/Divulgação)

Localizado na Avenida Cásper Líbero, o prédio está em uma região privilegiada para quem quer explorar o Centro a pé. Ao lado da Basílica Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia, conhecida pelos belíssimos vitrais, e a poucos minutos de alguns dos principais cartões-postais da região, ele parece quase uma pequena pausa colorida em meio à paisagem urbana.


É impressionante como São Paulo consegue guardar diferentes versões de si mesma a poucas ruas de distância. Você muda de esquina, olha para o outro lado e, pronto: parece que está em outra cidade.

Edifício Germaine Burchard.

Edifício Germaine Burchard. (Airbnb/Divulgação)

No Germaine, existe uma certa sutileza. Não sei explicar exatamente de onde ela vem. Talvez esteja nas escadarias claras, na varanda cheia de plantas, nos detalhes preservados, no piso de caquinho que traz uma memória afetiva. Talvez esteja simplesmente no contraste entre a delicadeza do prédio e a intensidade do Centro.


Mas alguma coisa acontece ali. É um prédio que acolhe.

Um dia no Germaine Burchard


Fiquei hospedada no apartamento 121, no 12º andar, em uma acomodação do Vossa Bossa Stay. E foi uma ótima escolha por várias razões.

Edifício Germaine Burchard.

Edifício Germaine Burchard. (Airbnb/Divulgação)

A primeira delas aparece assim que você entra no apartamento: a luz.

Germaine Burchard

(Divulgação/Vossa Bossa Stay/Divulgação)

No lugar de uma varanda tradicional, a sala foi ampliada, mantendo os grandes janelões que favorecem bastante a entrada de iluminação natural. E, claro, existe também a vista. Estar no alto de um prédio histórico e observar o Centro lá de cima muda completamente a relação com a cidade.


Sempre que faço esses roteiros, gosto de fazer minhas refeições fora. É uma oportunidade de conhecer lugares novos e, de quebra, trazer dicas dos arredores. Mas dessa vez foi diferente.

Germaine Burchard

(Divulgação/Vossa Bossa Stay/Divulgação)

A cozinha era tão convidativa que eu simplesmente não consegui sair para comer.

Germaine Burchard

(Divulgação/Vossa Bossa Stay/Divulgação)

Eu sou uma apaixonada pela ideia de cozinhar quando estou viajando. Tem alguma coisa muito gostosa em comprar ingredientes, voltar para o apartamento e preparar uma refeição enquanto você observa uma cidade que não é pela sua janela.


Então, dessa vez, minha dica é justamente essa: se você também gosta de se aventurar na cozinha, aproveite o apartamento como parte da experiência.

Germaine Burchard

(Divulgação/Vossa Bossa Stay/Divulgação)

Mas, se cozinhar não for exatamente a sua praia, tudo bem também, o Centro está logo ali. O térreo do próprio edifício conta com opções práticas e, caminhando um pouco mais, você encontra uma quantidade enorme de lugares para comer, beber, ouvir música e simplesmente observar a vida paulistana acontecendo.

Uma das opções que vale colocar no roteiro é a Balsa, na Rua Capitão Salomão. O espaço se define mais como uma “casa de encontros” do que como um bar tradicional e tem uma decoração vintage, programação cultural e um rooftop com vista para o Vale do Anhangabaú.

Meio bossa nova, e rock'n'roll


O Centro de São Paulo é uma celebração à boemia paulista. É uma região atravessada por histórias, estilos arquitetônicos e personagens que continuam aparecendo na paisagem mesmo depois de décadas.

Germaine Burchard

(Divulgação/Vossa Bossa Stay/Divulgação)

O Germaine Burchard é um desses personagens. Quase centenário, o edifício carrega diferentes momentos da cidade: nasceu como uma proposta moderna de hospedagem, passou pela fase dos grandes hotéis e hoje voltou a ser residencial. O retrofit realizado posteriormente preservou boa parte de seus elementos originais, fazendo com que a construção pudesse continuar habitada sem perder sua essência.

Germaine Burchard

(Divulgação/Vossa Bossa Stay/Divulgação)

E talvez seja justamente isso que mais me encanta.


Porque São Paulo está sempre mudando. Prédios são reformados, fachadas desaparecem, novos usos surgem. Mas algumas construções conseguem atravessar essas transformações sem deixar de contar quem foram.


Tentei pensar em uma boa frase para fechar essa experiência e lembrei de Cazuza, em Faz Parte do Meu Show. Eu sei muito bem que a música não foi escrita para São Paulo, mas, de alguma maneira, ela combina com a cidade.

Germaine Burchard

Germaine Burchard (Divulgação/Divulgação)

São Paulo é cheia de espetáculos. No melhor e no pior sentido da palavra.


E estar no Germaine Burchard é experimentar justamente uma dessas contradições: um prédio delicado no meio da selva de pedra; um pouco de bossa em uma cidade que também sabe ser rock'n'roll.


E o melhor é que você nem precisa escolher entre os dois. A poucos passos dali, visite a Galeria do Rock ou o Bar Brahma. Faça sua escolha.


Ou, melhor ainda: celebre os dois.