Com cerca de 30 obras, entre inéditas e recentes, Ojú-Inú, de Ayrson Heráclito, ocupa a Galeria Simões de Assis, em São Paulo, até setembro
Publicado em 6 de ago. de 2026, 16:00

Ayrson Heráclito apresenta cerca de 30 obras inéditas e recentes na exposição Ojú-Inú, em cartaz na Galeria Simões de Assis. (Simões de Assis/Divulgação)
A produção de Ayrson Heráclito, um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, ganha um novo capítulo em São Paulo com a exposição Ojú-Inú, em cartaz na Galeria Simões de Assis entre 8 de agosto e 12 de setembro. Reunindo cerca de 30 obras entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos — incluindo trabalhos inéditos —, a mostra convida o público a mergulhar na pesquisa do artista sobre cosmologias afro-brasileiras, ancestralidade e espiritualidade.
Esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos compõem Ojú-Inú, nova exposição de Ayrson Heráclito em São Paulo. (Simões de Assis/Divulgação)
Com texto crítico do antropólogo e curador Hélio Menezes, a exposição acontece paralelamente à participação de Heráclito na 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, reforçando o reconhecimento internacional de sua produção.
O título da mostra, Ojú-Inú, vem do iorubá e significa "olho interno". A expressão, utilizada pelo historiador da arte Rowland Abiodun, descreve uma percepção estética e espiritual capaz de revelar a essência e a força vital presente em pessoas, objetos e acontecimentos.
A mostra Ojú-Inú convida o público a mergulhar na cosmologia afro-brasileira por meio da obra de Ayrson Heráclito. (Simões de Assis/Divulgação)
Essa ideia atravessa toda a exposição, que propõe uma leitura sensível da obra de Ayrson Heráclito por meio de referências às tradições afro-brasileiras, especialmente ao candomblé. O resultado é um conjunto de trabalhos que dialoga com ancestralidade, identidade, território e espiritualidade, elementos centrais em sua trajetória artística.
A exposição apresenta um panorama da produção recente do artista, reunindo diferentes linguagens e suportes. Entre os destaques estão a série Juntó, composta por esculturas e aquarelas inéditas, além de trabalhos como Inventário, Black Atlantic, Espada de Ogum, Marcas de identificação em caixas de açúcar da Frota de 1702 e Oríkìs de Instrução, apresentada em fotografias e vídeos, com uma sala dedicada exclusivamente à instalação audiovisual.
Entre as obras inéditas da mostra, as esculturas da série Juntó revelam um novo momento da produção de Ayrson Heráclito. (Simões de Assis/Divulgação)
Ao longo do percurso, o corpo permanece como elemento central da pesquisa de Heráclito. Objetos, materiais e símbolos ligados aos rituais do candomblé aparecem como instrumentos para refletir sobre as conexões entre África e diásporas negras nas Américas, propondo uma revisão crítica da história colonial e de seus desdobramentos no presente.
Nascido em Macaúbas (BA), em 1968, Ayrson Heráclito é artista, professor e curador. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e mestre em Artes Visuais pela UFBA, construiu uma carreira marcada por instalações, performances, fotografias e vídeos que investigam as heranças afro-brasileiras e os impactos históricos do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.
A nova individual de Ayrson Heráclito ocupa a Galeria Simões de Assis com obras inéditas e séries marcantes de sua trajetória. (Simões de Assis/Divulgação)
Entre suas pesquisas mais conhecidas estão Transmutação da Carne, iniciada em 1994 a partir de documentos históricos sobre a violência nos engenhos de açúcar, e Sacudimentos, série apresentada na 57ª Bienal de Veneza que relaciona rituais de limpeza realizados na Ilha de Goré, no Senegal, e em antigos engenhos brasileiros.
O corpo é um dos principais elementos da pesquisa de Ayrson Heráclito, presente em obras que investigam memória, identidade e história. (Simões de Assis/Divulgação)
Nos últimos anos, Heráclito participou de importantes exposições internacionais, como a 35ª Bienal de São Paulo, a 16ª Bienal de Sharjah, o Art Institute of Chicago e a 61ª Bienal de Veneza, consolidando sua produção como uma das mais relevantes da arte contemporânea brasileira.
Enquanto apresenta Ojú-Inú em São Paulo, Ayrson Heráclito também integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza. (Simões de Assis/Divulgação)
A mostra conta com texto crítico de Hélio Menezes, antropólogo, curador e atual diretor artístico do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. Reconhecido por pesquisas sobre arte, cultura afro-atlântica e colonialismo, Menezes foi um dos curadores da 35ª Bienal de São Paulo e assinou exposições como Histórias Afro-Atlânticas, no MASP, além de projetos dedicados a Rubem Valentim e Carolina Maria de Jesus. Sua leitura propõe um aprofundamento das questões presentes na produção de Heráclito, evidenciando como a arte pode funcionar como espaço de memória, resistência e elaboração histórica.
Período: 8 de agosto a 12 de setembro de 2026
Abertura: 8 de agosto, das 11h às 15h
Local: Galeria Simões de Assis
Alameda Lorena, 2050 A – Jardins, São Paulo (SP)
Horários: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 15h
Entrada: gratuita