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Arte, Design

De tamanduá a pavão, design e arte de animais invadem a CASACOR SP 2026

Bancos, afrescos e outros objetos ganham forma de bicho em cinco ambientes da mostra, do living ao pátio de encerramento do percurso

Por Redação

Publicado em 5 de ago. de 2026, 8:00

05 min de leitura
MAAI Arquitetura Integrada - Living Ritmo Vital. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

MAAI Arquitetura Integrada - Living Ritmo Vital. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Camila Santos/CASACOR)

A presença de animais na decoração não é exatamente uma novidade, mas na CASACOR São Paulo 2026 esse repertório apareceu com uma variedade que chama atenção. Em vez de estampas ou peças decorativas isoladas, os bichos entraram como protagonistas de mobiliário, arte e ornamentação — moldando o assento de um banco, estampando o teto de uma sala ou emprestando forma a um objeto funcional. Reunimos cinco ambientes da mostra em que essa presença de design e arte animal ficou mais evidente.

MAAI Arquitetura Integrada - Living Ritmo Vital. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

MAAI Arquitetura Integrada - Living Ritmo Vital. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Camila Santos/CASACOR)

No Living Ritmo Vital, de MAAI Arquitetura Integrada, bancos em formato de tamanduá e de capivara aparecem em um ambiente de 83 m² dividido entre living, bar e lavabo, assinado pelo trio Arnaldo Pinho, Mônica Pinto e Isabel Veiga. A proposta do espaço é usar a arquitetura para reorientar o corpo a um estado mais regulado, e por isso os arquitetos escolheram materiais naturais e porosos — palha nas paredes e no teto, madeira e mármore —, todos com a função de amortecer ruídos e equilibrar os estímulos do ambiente.

Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Felipe de Almeida - Casa Memórias Essenciais. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)

Na Casa Memórias Essenciais, de Felipe de Almeida, um banco com forma de ovelha compõe o repertório maximalista de um loft com ares de celeiro. Nos 115 m² distribuídos entre living, escritório, sala de jogos, cozinha linear, quarto e sala de banho, o designer de interiores reúne janelões do casarão, tesouras no teto, marcenaria escura e papéis de parede florais, misturando referências como Ralph Lauren, farm house, clássico, contemporâneo e boho.

Léo Shehtman Arquitetura e Design - Casa Pulsante. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Léo Shehtman Arquitetura e Design - Casa Pulsante. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Juliano Colodeti, do MCA Estúdio/CASACOR)

Na Casa Pulsante TIM, de Léo Shehtman Arquitetura e Design, uma cabeça de cavalo entra em cena num loft de 84 m² onde a marcenaria em tom marsala domina o hall, o living e a cozinha. Para o arquiteto, essa escolha cromática soma rigor e controle a introspecção e acolhimento — um pano de fundo dramático que a peça animal ajuda a pontuar, ao lado de materiais como pedra, madeira e tecidos que trazem textura e humanidade ao conjunto.

Michele Wharton - Lounge Mi Corazón. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.Michele Wharton - Lounge Mi Corazón. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Michele Wharton - Lounge Mi Corazón. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Camila Santos/CASACOR)

No Lounge Mi Corazón, de Michele Wharton, um pavão pintado no teto coroa uma sala de estar de 30 m² inspirada na memória afetiva da designer, filha de panamenhos. "Mergulhei no tempo em que a casa pulsava como extensão das emoções", conta Michele. O afresco — que evoca proteção, sabedoria, amor, realeza e poder — dialoga com tapetes persas, porcelanas chinesas, vasos cloisonné e referências da cultura latino-americana, como as molas bordadas do Panamá e as polleras transformadas em arte.

Hugo Ribas - Pira Sesá - Olho de Peixe. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Hugo Ribas - Pira Sesá - Olho de Peixe. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Camila Santos/CASACOR)

No Pira Sesá - Olho de Peixe, de Hugo Ribas Arquitetura, um banco com as cores da cobra coral integra o mobiliário assinado pelo arquiteto e designer Paulo Alves neste pátio de 139 m², último ponto do percurso da CASACOR São Paulo 2026. Erguido sobre um deque elevado entre 20 árvores intocadas do Parque da Água Branca, o espaço foi pensado para propiciar descanso e reunir obras comissionadas da artista manauara Auá Mendes, do povo mura — funcionando também como ponto de encontro para rodas de conversa do Museu das Culturas Indígenas, instituição parceira da mostra.