A Semana Criativa de Tiradentes se espalha pelo centro histórico e transforma o percurso pela cidade em parte da experiência do festival
Publicado em 13 de out. de 2026, 16:00

Semana Criativa de Tiradentes (Divulgação/Divulgação)
Entre os dias 15 e 18 de outubro, a cidade de Tiradentes, Minas Gerais, recebe uma programação que ocupa ruas, museus, igrejas, casarões e espaços culturais da cidade histórica mineira. Em sua 10ª edição, a Semana Criativa de Tiradentes reúne arte, design, arquitetura, artesanato, gastronomia e outras expressões da cultura brasileira em diferentes pontos do município.
Neste ano, o roteiro passa por endereços como o Centro Cultural Yves Alves, a Casa Criativa, a Casa D'Preto, o Museu de Sant'Ana, a Villa da Matriz, o Espaço Raízes e largos do centro histórico. A proposta é fazer com que o visitante circule pela cidade enquanto acompanha exposições, instalações, palestras, oficinas e outras experiências.
A seguir, reunimos as exposições e instalações que formam o circuito desta edição da Semana Criativa de Tiradentes.
Igreja Matriz de Santo Antônio (Tiradentes) (Divulgação/Divulgação)
A mostra reúne peças desenvolvidas ao longo dos 10 anos da Semana Criativa de Tiradentes a partir da colaboração entre designers e artesãos. O recorte ajuda a contar a trajetória do festival por meio de técnicas, materiais e modos de fazer que aproximam tradição e criação contemporânea.
A exposição apresenta trabalhos desenvolvidos ao longo de 2026 por designers e artesãos participantes do projeto da Semana Criativa. Entre os nomes envolvidos estão Bruno Niz, Luciana Pires e Paulo Biacchi, em parceria com o cuteleiro Bruno Timochenco, as Ceramistas do Elvas, o coletivo Construindo Sonhos e o escultor Michael Ferreira.
Homenageado desta edição, o artista tiradentino Vinicius Rosa Rios apresenta uma produção ligada ao universo dos ex-votos. As obras partem desses objetos associados à religiosidade popular e à tradição de agradecer por graças alcançadas.
A exposição reúne trabalhos de 27 designers que já fizeram parte da história da Semana Criativa de Tiradentes. O conjunto aproxima diferentes gerações, trajetórias e linguagens e forma um panorama da diversidade do design brasileiro contemporâneo.
O designer Zé Arns transforma sobras de madeira acumuladas ao longo de dez anos de trabalho em novas peças. Por meio da marchetaria, diferentes espécies, texturas e fragmentos ganham outra função e passam a compor objetos feitos a partir de materiais que seriam descartados.
A tradição mascareira de Porto de Pedras, em Alagoas, chega a Tiradentes em uma exposição que coloca lado a lado máscaras originais de Mestre Gilberto e novas peças produzidas pelo coletivo Bobo Gaiato. O encontro evidencia a continuidade de um saber popular transmitido entre gerações.
Criada por Flávia Duarte e Manuela Rodrigues, com colaboração de Murilo Weitz e execução têxtil do Coletivo Tekoá, a instalação utiliza sacolas plásticas descartadas transformadas em fios e tramas de crochê. A obra aproxima o fazer manual de uma reflexão sobre consumo e resíduos.
Marcos Scorzelli trabalha com chapas de aço vincadas e cortadas para criar esculturas tridimensionais. Formas geométricas, volume e cores vibrantes se combinam em peças que ocupam o espaço público.
A mostra reúne pinturas, desenhos, cerâmicas, objetos e experimentações de Beth Cavalcanti, artista que viveu e trabalhou em Tiradentes e integrou a cena cultural da cidade a partir dos anos 1990. Realizada após sua morte, em 2025, a exposição apresenta parte de um acervo até então preservado por familiares e pessoas próximas.
Biti Averbach e Helena Leão apresentam fotografias e objetos organizados como naturezas-mortas. A proposta parte da memória e do tempo para criar um contraponto à velocidade das imagens digitais e convidar o público a olhar com mais atenção.
Sete esculturas de grandes dimensões de Marco Ajeje ocupam o jardim da Villa da Matriz. Construídas em ferro, as obras exploram formas geométricas, sobreposições e uma aparente instabilidade, criando contraste entre a solidez do material e o equilíbrio das composições.
Semana Criativa de Tiradentes (Divulgação/Divulgação)
Uma das estreias desta edição, a Casa D'Preto ocupa o Sobrado Ramalho, sede do IPHAN, e também funciona como um núcleo expositivo próprio.
Entre as mostras está Orí-gem, coletiva que reúne trabalhos de 18 artistas realizados em linguagens como pintura, escultura, fotografia, xilogravura, fundição, artesanato, design e colagem digital. A exposição se organiza a partir de quatro eixos: Saber, Técnica, Corpo e Território.
O espaço apresenta ainda 'Ewés, makaia e jinsaba: o circuito-vivo das paisagens afromineiras', de Tainã Dorea, dedicada à relação entre paisagem, cultura afrodiaspórica, quintais, terreiros e saberes tradicionais.
Alexandre Salles assina ainda duas intervenções: 'O Terreiro', que transforma o quintal em espaço de encontro e circulação de saberes, e 'O Altar. Licença pra entrar', instalação que trabalha memória, ancestralidade, fé e pertencimento.
Semana Criativa de Tiradentes (Divulgação/Divulgação)
A Villa da Matriz concentra diferentes espaços e exposições ao longo do festival.
Na Casa Coral, 'Manus', o gesto entre a mão e a ferramenta volta o olhar para o trabalho do pintor e para o domínio de instrumentos, tintas, superfícies e técnicas que fazem parte do processo de transformação dos espaços.
O mesmo endereço recebe 'Matéria Brasileira', com curadoria da Galeria Brasileirinho e de Pedro Coimbra, reunindo obras de artistas brasileiros contemporâneos.
Já a exposição 'OHTAKE', com curadoria de Rodrigo Ohtake, apresenta mais de seis décadas de experimentação em arquitetura e design por meio de maquetes e painéis. O percurso coloca em diálogo diferentes escalas, linguagens, materialidades e projetos.
Máscara popular do Bobo Gaiato (Divulgação/Divulgação)
Além das exposições, a Semana Criativa de Tiradentes reúne dezenas de atividades durante os quatro dias, entre palestras, bate-papos, oficinas, cinema, performances, cortejos e visitas guiadas.
Arquitetura, design, patrimônio, sustentabilidade, artesanato, cidades, cultura brasileira, tecnologia e novos modos de morar estão entre os temas presentes na programação. Há também oficinas ligadas a técnicas manuais, como entalhe em madeira e pedra-sabão, tecelagem, bordado, cerâmica, joalheria e renda.
As atividades acontecem em locais como o Centro Cultural Yves Alves, a Casa Criativa, o Espaço Raízes, a Casa D'Preto e o MARTIR, além de outros endereços espalhados pelo centro histórico.
A visitação aos espaços do festival é gratuita, mas algumas palestras e bate-papos exigem inscrição prévia. Parte das oficinas é paga e tem número limitado de participantes, por isso vale conferir a programação antes de montar o roteiro.
Quando: 15 a 18 de outubro de 2026
Onde: Tiradentes, Minas Gerais
Visitação gratuita; algumas atividades exigem inscrição prévia ou pagamento.