Conheça a trajetória de Joan Miró, sua relação com o surrealismo e as características das obras que transformaram a arte moderna
Publicado em 5 de nov. de 2026, 14:00

Joan Miró, um dos grandes nomes da arte moderna, ganha exposição inédita no MAB FAAP com mais de 100 obras. (Divulgação/Divulgação)
Cores vibrantes, formas orgânicas e figuras que parecem ter saído de um sonho. Essas são algumas das características que tornaram Joan Miró um dos artistas mais reconhecidos do século XX. O pintor espanhol construiu uma linguagem visual própria, marcada pela liberdade criativa e pela experimentação, desafiando as fronteiras entre a realidade e a imaginação.
Personnages, oiseaux, étoile (1978), de Joan Miró, combina figuras, pássaros e estrelas em uma composição sobre tela. (Fundació Joan Miró/Divulgação)
Sua trajetória ganha destaque em São Paulo com a exposição Miró: Mestre das Formas, em cartaz no Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB FAAP), até 13 de dezembro de 2026. A mostra reúne mais de 100 obras e apresenta diferentes momentos da produção do artista.
Nascido em Barcelona, na Espanha, em 20 de abril de 1893, Joan Miró i Ferrà foi um pintor, escultor, gravurista e ceramista que ajudou a transformar os caminhos da arte moderna. Desde jovem, demonstrou interesse pelo desenho e pela pintura, embora tenha iniciado sua formação conciliando estudos artísticos e comerciais.
Figura e Pássaro, 1948 - Fundació Joan Miró, Barcelona (Divulgação/Divulgação)
Em 1920, mudou-se para Paris, onde entrou em contato com artistas como Pablo Picasso e os integrantes do movimento surrealista. A efervescência cultural da capital francesa influenciou sua produção, incentivando a exploração de novas técnicas, símbolos e possibilidades de representação.
Mont-roig III (1974), de Joan Miró. (Fundació Joan Miró/Divulgação)
Apesar da proximidade com o surrealismo, Miró não gostava de limitar sua obra a um único movimento artístico. Sua produção transitou entre diferentes linguagens e materiais, sempre orientada pela busca de uma expressão pessoal. O artista morreu em 1983, aos 90 anos, em Palma de Maiorca.
O trabalho de Joan Miró é frequentemente associado ao surrealismo, movimento que valorizava os sonhos, o inconsciente e a liberdade da imaginação. Entretanto, diferentemente de artistas que apostavam em representações detalhadas de cenas fantásticas, Miró desenvolveu um vocabulário visual simplificado e simbólico.
Oiseau dans la nuit (Pássaro na noite), criada por Joan Miró entre 1967 e 1968. (Fundació Joan Miró/Divulgação)
Estrelas, pássaros, luas, olhos e figuras humanas estilizadas aparecem frequentemente em suas composições. Esses elementos convivem com linhas sinuosas, manchas de cor e espaços aparentemente vazios, formando imagens que convidam o observador a construir suas próprias interpretações.
Donna (1938), de Joan Miró, integra o acervo da Fundació Joan Miró, em Barcelona. (Fundació Joan Miró/Divulgação)
Outro aspecto marcante é o uso expressivo das cores primárias, especialmente vermelho, amarelo e azul, frequentemente combinadas ao preto. A aparente espontaneidade das obras, no entanto, resulta de uma investigação cuidadosa sobre formas, ritmos e equilíbrio visual.
Ao longo de sua carreira, Miró produziu pinturas, esculturas, cerâmicas, gravuras e tapeçarias, demonstrando que sua criatividade não se limitava às telas.
Entre seus trabalhos mais conhecidos está A Fazenda (1921–1922), pintura que representa a propriedade rural de sua família na Catalunha. A obra combina referências ao cotidiano com uma organização visual que antecipa elementos de sua linguagem surrealista.
A Fazenda, Joan Miró (Divulgação)
Outra criação importante é O Carnaval de Arlequim (1924–1925), composição povoada por criaturas imaginárias, objetos e símbolos. Já a série Constelações (1940-1941), apresenta figuras delicadas distribuídas em superfícies repletas de sinais e movimentos.
O Carnaval de Arlequim, Joan Miró (Divulgação)
Essas produções revelam a capacidade de transformar elementos comuns em universos poéticos, característica que atravessa diferentes fases de sua carreira.
Constelações, Joan Miró (Divulgação)
A relevância de Miró está principalmente na maneira como rompeu com as convenções tradicionais de representação. Ao reduzir figuras a sinais e explorar composições abstratas, ajudou a ampliar as possibilidades da linguagem artística.
Le Lézard aux plumes d’or (1989–1991), tapeçaria de Joan Miró e Josep Royo. (Fundació Pilar/Divulgação)
Sua experimentação também estabeleceu diálogos com a escultura, a cerâmica e a arte pública. A influência de Miró ultrapassou a pintura, alcançando gerações posteriores de artistas interessados na relação entre cor, gesto, símbolo e imaginação.
Em 1975, foi inaugurada a Fundação Joan Miró, em Barcelona, instituição dedicada à preservação de sua obra e à promoção da arte moderna e contemporânea.
A exposição Miró: Mestre das Formas apresenta pinturas, gravuras, esculturas e tapeçarias, além de registros fotográficos e audiovisuais. Dividida em cinco núcleos temáticos, a mostra percorre diferentes períodos da produção do artista, incluindo trabalhos inéditos no Brasil.
(Reprodução/Fever/Divulgação)
Com curadoria de Jordi J. Clavero, a exposição reúne peças provenientes de instituições europeias e de coleções particulares, permitindo conhecer a diversidade técnica e a inventividade que marcaram a trajetória de Miró.
Onde: Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB FAAP)
Endereço: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Quando: até 13 de dezembro de 2026
Horários: terça-feira a domingo, das 9h às 20h, com última entrada às 19h
Ingressos: de R$ 25 a R$ 60, conforme o dia e a categoria
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