Conheça mais sobre o projeto vencedor do MVRDV, que visa transformar a arquitetura em um marco de transformação ecológica em Roterdã
Publicado em 18 de ago. de 2026, 14:00

O Rotterdam ROCKS!, projeto do MVRDV para a Shift Embassy, combina formas orgânicas, biomimética, vegetação e soluções sustentáveis. (MVRDV/Divulgação)
A arquitetura pode assumir um papel importante na transformação das cidades, não apenas pela forma como ocupa o espaço, mas também pela maneira como estimula novos comportamentos e reflexões. É essa a proposta do Rotterdam ROCKS!, projeto do escritório holandês MVRDV vencedor do concurso internacional para a Shift Embassy, novo destino cultural planejado para o distrito de Waterkant, em Roterdã.
Rotterdam ROCKS! – projeto do MVRDV para a Shift Embassy, em Roterdã. (MVRDV/Divulgação)
Às margens do rio Maas, o edifício combina áreas verdes, espaços públicos, experiências imersivas e estratégias de construção de baixo carbono para transformar a própria arquitetura em uma ferramenta de conscientização ambiental.
Rotterdam ROCKS! – projeto do MVRDV para a Shift Embassy, em Roterdã. (MVRDV/Divulgação)
Em vez de criar um volume único e fechado, o MVRDV imaginou o Rotterdam ROCKS! como uma grande paisagem rochosa. A proposta é formada por sete volumes empilhados, que criam cavernas, terraços e áreas verdes entre si. A composição busca fazer com que o edifício pareça uma extensão do futuro parque de marés previsto para aquela região, estabelecendo uma relação mais direta entre a arquitetura e a paisagem.
Rotterdam ROCKS! – projeto do MVRDV para a Shift Embassy, em Roterdã. (MVRDV/Divulgação)
A vegetação não aparece apenas ao redor do projeto, mas também como parte da própria arquitetura. Jardins, água e espaços destinados a pássaros e insetos serão distribuídos pelos diferentes níveis da construção, criando pequenos habitats ao longo do percurso. O resultado é um exemplo de como a arquitetura biofílica pode ir além da simples presença de plantas e incorporar biodiversidade, luz, água e contato com o ambiente natural desde a concepção do edifício.
O Rotterdam ROCKS! será implantado no distrito de Waterkant, na margem sul do rio Maas, em uma área que integra um novo bairro de uso misto, com moradias, comércio, equipamentos culturais, escolas e espaços públicos. (MVRDV/Divulgação)
Outro destaque está na circulação externa, que transforma o deslocamento pelo edifício em uma experiência convidativa. Os visitantes poderão subir por jardins e terraços até alcançar plataformas de observação com vistas panorâmicas de Roterdã. Em vez de separar o público da arquitetura, a proposta utiliza escadas, caminhos e espaços abertos para criar diferentes possibilidades de permanência, contemplação e encontro entre os cidadãos.
The Elysium – experiência imersiva de aproximadamente 5 mil m² que explora futuros possíveis por meio de arte, narrativas e instalações interativas. (MVRDV/Divulgação)
O complexo terá como um de seus principais espaços o The Elysium, um espaço para experiências imersivas com aproximadamente 5 mil m². Por meio de arte, narrativas e instalações interativas, o ambiente pretende apresentar questões relacionadas às transformações ecológicas de maneira mais sensorial. A ideia é fazer com que o visitante não apenas receba informações sobre sustentabilidade, mas reflita sobre como essas mudanças podem transformar seu próprio cotidiano e o futuro.
Usos mistos: o projeto reúne hotel, espaços educativos, áreas para eventos, restaurantes, encontros comunitários e mirante em um mesmo complexo. (MVRDV/Divulgação)
Além da área imersiva, a Shift Embassy reunirá hotel com 200 quartos, espaços educativos, áreas para eventos, encontros comunitários, restaurantes, praça de alimentação e um mirante. Esses usos serão organizados em duas torres interligadas, esculpidas como formações rochosas. Aberturas e vazios ajudam a levar luz natural, vegetação e circulação pública para dentro do conjunto, criando uma arquitetura mais permeável e conectada à cidade.
Revestimentos porosos: a fachada do projeto incorpora cavidades e superfícies permeáveis que recebem vegetação, água e pequenos habitats para pássaros e insetos. (MVRDV/Divulgação)
A preocupação ambiental também está presente na maneira como o edifício será construído. Segundo o MVRDV, a Shift Embassy funcionará como um laboratório para testar métodos construtivos de baixo carbono, documentando o que funciona e o que pode ser aprimorado. A proposta considera construção circular, materiais de menor impacto, biodiversidade e estratégias que possam ser adaptadas ao longo do tempo. O projeto parte de uma ideia importante para a arquitetura sustentável: muitas vezes, aproveitar e transformar estruturas existentes pode ser mais eficiente do que construir novamente.