Com até 40 pavilhões, acervo de três mil obras e paisagismo exuberante, o Museu Bernardo Paz será aberto em fases a partir de 2027
Publicado em 17 de ago. de 2026, 19:35

Bernardo Paz (Daniela Paoliello/Divulgação)
Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim, anunciou a criação de um novo museu que levará o seu nome em Brumadinho (MG). O Museu Bernardo Paz ocupará uma área de 1,26 milhão de m² (equivalente a 176 campos de futebol) e será construído ao lado do instituto. Dedicado à arte contemporânea, o projeto nasce com a proposta de conectar as mais de três mil obras de seu acervo à natureza e à comunidade local.
Pavilhão de Michael Heizer no Museu Bernardo Paz (Paulo Kiyoshi Abreu Miyada/Divulgação)
Um dos pilares do novo empreendimento é a combinação entre arquitetura individualizada e paisagismo extenso. Assim, Bernando Paz pretende repetir a fórmula que consolidou o Inhotim como um dos museus mais apreciados do país: cada artista receberá um pavilhão próprio, concebido especificamente para suas obras – diferente dos museus tradicionais, nos quais diferentes expositores dividem um mesmo prédio.
Vegetação do futuro Museu Bernardo Paz (Photo Niin Content/Debora Guimarães/Divulgação)
A pré-inauguração do Museu Bernardo Paz está prevista para setembro de 2027. Entre os grandes nomes da arte contemporânea que devem compor a primeira fase de exposições estão: Michael Heizer, Anna Maria Maiolino, Sonia Gomes, Pedro Moraleida, Sandra Gamarra, Laura Belém, Frida Orupabo, Mario Garcia Torres, Torkwase Dyson e Giuseppe Penone.
Com previsão de até 40 pavilhões, o museu reunirá instalações, pinturas, esculturas e obras em grande escala. O responsável pela direção artística será Paulo Miyada, ex-diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake. Ele desenvolverá o projeto curatorial, articulando a disposição das galerias, a coleção e a paisagem natural que dá forma à arquitetura.
A estrutura do Museu Bernardo Paz, no entanto, vai além do espaço expositivo. O complexo contará com um centro comuniário com biblioteca e ateliês de arte dedicados à população de Brumadinho; um pavilhão voltado à música e à dança; além de outras ferramentas destinadas a ampliar o programa cultural do parque.
Vizinho da Reserva Particular do Patrimônio Natural do Inhotim (RPPN Inhotim), o Museu Bernardo Paz terá o paisagismo como parte inerente à experiência de visita. O projeto aposta em uma vegetação densa, com árvores frutíferas e floríferas distribuídas estrategicamente para criar diferentes percursos ao longo do parque.
Galeria Laura Belém em meio à vegetação do futuro Museu Bernardo (Niin Content/Debora Guimarães /Divulgação)
Ao todo, está previsto o plantio de aproximadamente 15 mil árvores e 1 milhão de arbustos, cactos e flores. Dessa maneira, o novo museu reforça a proposta de integrar arte, arquitetura e paisagismo em uma única experiência.
Obra de Sonia Gomes (Levi Fanan/Divulgação)
Um dos elementos estruturantes do Museu Bernardo Paz é também a diversidade de origens, gerações, linguagens e práticas entre as obras. Mais do que reunir trabalhos, a proposta é criar relações entre os artistas e o território.
Entre os nomes mencionados acima, três deles têm presença confirmada já no momento de abertura. O norte-americano Michael Heizer é um dos nomes centrais da land art, vertente que trabalha a terra como material escultórico, e ganhará um pavilhão exclusivo. Já Anna Maria Maiolino, italiana radicada em São Paulo, apresentará uma versão de "De Vita Migrare", peça que já havia sido exibida na Bienal de São Paulo nos anos 1990.
A mineira Sonia Gomes também receberá um espaço para as suas esculturas feitas com tecidos costurados e remendados – incluindo desde pequenos bordados até estruturas suspensas em grande escala.
O investimento estimado para o Museu Bernardo Paz é de R$ 1 bilhão. Com operação e gestão independentes do Inhotim, o espaço está sendo estruturado como organização sem fim lucrativos. O empreendimento deverá utilizar os próprios recursos privados do fundador.
Vale mencionar que, em 2022, Bernardo Paz doou todo o acerto, as galerias e o terreno do Inhotim para um instituto independente. O gesto marcou a maior doação privada da história dos museus brasileiros. Desde então, o empresário seguiu adquirindo obras e reunindo um novo conjunto de obras – que, somado à primeira coleção, colocam Brumadinho em uma posição única no mapa da arte contemporânea.