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Geroarquitetura: ambiente da CASACOR BA traz soluções práticas para a longevidade

Diante do envelhecimento da população, a CasaCura-Qualivida, de Milena Saraiva, reúne soluções voltadas à autonomia, segurança e bem-estar

Por Milena Garcia

Publicado em 13 de set. de 2026, 12:00

10 min de leitura
Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

O aumento da expectativa de vida e o avanço da população idosa já começaram a redesenhar não apenas a sociedade, mas também a forma como pensamos os espaços de morar. Nesse cenário, a geroarquitetura ganha relevância ao propor espaços mais atentos às mudanças que acompanham o envelhecimento.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

O conceito pode ser definido como "o planejamento e na adaptação de espaços físicos para promover a segurança, a autonomia e o bem-estar do público idoso". Na CASACOR Bahia 2026, a CasaCura - Qualivida, assinado por Milena Saraiva, apresenta algumas dessas premissas na prática, articulando arquitetura, conforto e longevidade em um mesmo ambiente. A seguir, conversamos com a arquiteta para entender como esses princípios podem funcionar também fora da mostra.

Arquitetura pensada para todas as fases da vida


Um dos fundamentos da geroarquitetura está em compreender o envelhecimento como parte natural da experiência humana — e, portanto, também do planejamento dos espaços. Em vez de esperar que limitações físicas apareçam para então adaptar a residência, a proposta é incorporar desde o projeto recursos que permitam que a casa acompanhe seus moradores ao longo do tempo.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

Inspirado pelo tema Mente e Coração, da CASACOR 2026, a CasaCura - Qualivida se posiciona como o "primeiro loft regenerativo da CASACOR" e reúne –soluções relacionadas à geroarquitetura em uma proposta que associa funcionalidade, acolhimento e bem-estar sensorial.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

"Nossa vida tem diversas fases. E por que a nossa arquitetura não acompanha isso? Foi um pouco dessa provocação que quisemos trazer à CASACOR: mostrar que a casa evolui com a nossa história! Não se trata de adaptar um ambiente para a fragilidade, mas potencializar cada fase da vida, permitindo que todos se sintam integrados e respeitados", afirma Milena em entrevista à CASACOR.

Geroarquitetura: como funciona na prática?


Segurança e autonomia estão entre os pontos centrais da geroarquitetura, mas podem ser incorporadas ao projeto de maneira integrada à decoração. Circulações mais livres, atenção à ergonomia e mobiliários que reduzam riscos de acidentes são alguns dos recursos capazes de tornar a casa mais confortável à medida que os moradores envelhecem.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

Na CasaCura-Qualivida, por exemplo, essas diretrizes aparecem na circulação fluida e na eliminação de quinas e pontas nos móveis. "Tudo foi pensado dentro da proporção áurea. Nosso corpo sabe quando estamos em um lugar seguro. Esse foi um dos princípios para o desenvolvimento do layout".

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

O conceito também estabelece relações com a neuroarquitetura, por meio do uso de texturas, cores e frequências sonoras associadas ao bem-estar. Materiais naturais, como pedra, linho e madeira, fazem parte do ambiente na CASACOR Bahia 2026, enquanto biofilia e estudo do ciclo circadiano aparecem como estratégias relacionadas ao conforto e à longevidade.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

"Tanto os princípios da geroarquitetura quanto da neuroarquitetura foram pensados para ter uma função, porém sem abrir mão da sofisticação. Queríamos quebrar aquela ideia de que um espaço para um idoso, um PCD ou uma pessoa em home care precisa ter um aspecto hospitalar".

Pequenas mudanças, grandes impactos


Pensar uma casa preparada para a longevidade não significa, necessariamente, realizar grandes reformas. Muitos dos princípios da geroarquitetura podem começar com ajustes pontuais no layout, na iluminação e no mobiliário, capazes de reduzir riscos e facilitar as atividades cotidianas.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

"O primeiro passo é a desobistrução de rotas, com a remoção tapetes soltos e possíveis obstáculos. A iluminação também é extramamente importante para o público longívo, vale dar atenção às luzes pontuais e à iluminação guiada [que orienta percusos internos e externos]. Aí entra o design universal integrado, com a inclusão de barras de apoio, por exemplo".

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

O planejamento dos móveis também deve considerar necessidades que podem surgir ao longo do envelhecimento. Áreas de armazenamento acessíveis facilitam a organização de medicamentos, equipamentos hospitalares, cadeiras de rodas e cilindros quando necessários. Ajustar a altura de camas, sofás e cadeiras e priorizar mobiliários com quinas arredondadas são outras medidas que contribuem para uma rotina mais segura.

Tecnologia pode ampliar autonomia e segurança


A geroarquitetura também pode incorporar recursos tecnológicos quando eles contribuem para a independência e a segurança dos moradores. Automações residenciais permitem simplificar determinadas tarefas e oferecer suporte especialmente em situações de mobilidade reduzida, desde que estejam a serviço da rotina.


Um exemplo é o acionamento por voz, citado por Milena como uma solução especialmente útil para idosos acamados ou com dificuldade de locomoção. Sensores de presença também podem tornar deslocamentos noturnos mais seguros, principalmente quando instalados próximos à cama e ao vaso sanitário.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026.

Milena Saraiva Arquitetura e Interiores - Casacura-Qualivida - Loft Regenerativo. Projeto da CASACOR Bahia 2026. (Camila Santos/CASACOR)

Na CasaCura, a Qualivida apresenta ainda um recurso direcionado à identificação de acidentes domésticos. "Eu fiz questão de colocar um sensor de queda. É como se fosse um roteador de internet que faz um mapeamento do espaço e esses registros são monitorados pela Qualivida. Se o morador cai, automaticamente o sensor já aciona a empresa, e também um membro da família, para prestar socorros ao idoso".


Na lógica da geroarquitetura, porém, a tecnologia ocupa um papel de suporte, e não de protagonismo. O objetivo permanece o mesmo que orienta as demais escolhas do projeto: criar condições para que a casa favoreça autonomia, segurança e qualidade de vida ao longo dos anos. "Nossa casa tem que ser analógica para gente se voltar para gente, mas ao mesmo tempo tem que ter a tecnologia nos servindo, não nos distraindo", conclui a arquiteta.