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Do interior à capital: diferentes sotaques estão redesenhando a CASACOR RS

Profissionais formados em diferentes locais pelo mundo e trajetórias que passaram pela marcenaria, pela arte ou pela cenografia ajudam a revelar a pluralidade da edição 2026 da mostra

Por Redação

Publicado em 2 de set. de 2026, 16:00

08 min de leitura
Poema Arquitetura - Álbum Bella Decor. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Poema Arquitetura - Álbum Bella Decor. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

Na CASACOR Rio Grande do Sul 2026, nem toda arquitetura começa do mesmo lugar. Um olhar para as trajetórias dos profissionais que assinam a edição revela caminhos que atravessam diferentes caminhos pelo mundo: há arquitetos que nasceram no interior e construíram suas carreiras em Porto Alegre. Outros passaram por Milão, Madri, Londres, Toronto ou Inglaterra. Há ainda quem tenha chegado ao projeto por meio da cenografia, das artes visuais ou de uma marcenaria familiar. Essas experiências ajudaram a formar repertórios distintos — e, consequentemente, diferentes maneiras de pensar e construir os espaços.

O interior como ponto de partida


Gabriela Angonese Arquitetura - Ode ao Delírio Maximalista. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Gabriela Angonese Arquitetura - Ode ao Delírio Maximalista. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

A presença do interior, por exemplo, não aparece apenas como uma origem distante. Em muitos casos, continua sendo parte central da atuação profissional. Gabriela Angonese comanda há 15 anos seu escritório na Serra Gaúcha, onde desenvolveu uma trajetória ligada a uma interpretação pessoal de referências clássicas. Na mostra, essa visão ganha forma em Ode ao Delírio Maximalista.

Renata Costa Arquitetura - Lavanderia e Espaço Pet Refúgio. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Renata Costa Arquitetura - Lavanderia e Espaço Pet Refúgio. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

Renata Costa também construiu sua carreira a partir de outra cidade. Formada pela Universidade Federal de Santa Maria e mestre em Acústica, mantém seu escritório em Torres, no litoral gaúcho, enquanto divide a atuação entre a região e Porto Alegre. É desse percurso que surge a Lavanderia e Espaço Pet Refúgio.

Pâmela Santanna e Carolina Theis - Átrio spa. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Pâmela Santanna e Carolina Theis - Átrio spa. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

A circulação entre diferentes cidades também faz parte da trajetória de Liana Lamare, que há mais de duas décadas atua entre Pelotas e Porto Alegre, e de Pâmela Santanna, formada em Santa Maria e hoje responsável por projetos em diferentes estados e países. Em comum, essas histórias deslocam uma ideia ainda bastante presente no mercado: a de que uma carreira consolidada em arquitetura precisa, necessariamente, ter a capital como centro permanente.

O repertório que se constrói entre diferentes geografias


Poema Arquitetura - Álbum Bella Decor. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Poema Arquitetura - Álbum Bella Decor. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

A edição de 2026 também reúne profissionais cuja formação extrapolou as fronteiras do estado — e, em alguns casos, do país.


Humberto Machado, da HVM Arquitetura, soma à graduação na PUCRS uma passagem pela Universidad Politécnica de Madrid. Mariana Fogliato construiu parte de seu repertório em Londres e Milão, depois de se formar em Porto Alegre e se especializar em arquitetura comercial. No Poema Arquitetura, Ana Paula Mielke e Josué Michels tiveram experiências acadêmicas no Canadá e na Inglaterra antes de consolidarem o escritório no Brasil.

Francéli Ferreira Arquitetura - Coworking Só Escritório. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Francéli Ferreira Arquitetura - Coworking Só Escritório. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

Francéli Ferreira, por sua vez, levou sua formação para Milão depois de desenvolver estudos ligados ao conforto ambiental. São percursos diferentes, mas que têm em comum a experiência de observar outras culturas e práticas profissionais antes de traduzi-las para projetos realizados aqui.

Quando o projeto começa em outros lugares


Augusto Donato e Giuliana Oliveira - Ritmo Interno. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Augusto Donato e Giuliana Oliveira - Ritmo Interno. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

Nem sempre, porém, o repertório de um profissional se constrói apenas dentro da arquitetura. Augusto Donato cresceu em meio ao trabalho da Visão e Arte Móveis, marcenaria familiar que atua há 15 anos em Porto Alegre. Antes mesmo de concluir sua formação em Arquitetura e Urbanismo, sua relação com o projeto já passava pela observação do trabalho com a madeira e pela transformação da matéria em mobiliário e espaços habitados. Hoje, essa experiência encontra outra escala no ambiente Ritmo Interno, assinado ao lado de Giuliana Oliveira.

Viviane Possa e Humberto Machado - Jardim de Dentro. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026.

Viviane Possa e Humberto Machado - Jardim de Dentro. Projeto da CASACOR Rio Grande do Sul 2026. (Cristiano Bauce/CASACOR)

A trajetória de Viviane Possa também atravessa diferentes disciplinas. Formada em artes visuais e arquitetura de interiores, ela passou pela cenografia antes de desenvolver o que define como “design de atmosferas”. À frente da agência Genuinaobra, acumula a realização de mais de uma centena de exposições — experiência que agora se encontra com a arquitetura no Jardim de Dentro, criado em parceria com Humberto Machado.


No fim, talvez seja essa a maneira mais interessante de olhar para a CASACOR Rio Grande do Sul 2026: a mostra reúne profissionais que chegaram à arquitetura por caminhos bastante diferentes e que hoje dividem o mesmo espaço. De diversas cidades pelo mundo, entre a universidade, a marcenaria e a cenografia, essas trajetórias revelam que não existe uma única origem para o projeto. É essa soma de repertórios que dá à edição seus diferentes contornos.