comScore
CASACOR
Notícias

1º Fórum de Arquitetura e Urbanismo discute mobilidade, revitalização urbana e transformação social na CASACOR São Paulo

Evento apresentado pela Prefeitura de São Paulo e realizado pela CASACOR reuniu representantes do poder público e do mercado imobiliário para debater os principais desafios e oportunidades para o futuro de São Paulo

Por Tiago Cordeiro

Publicado em 5 de ago. de 2026, 21:45

10 min de leitura
1º Fórum de Arquitetura e Urbanismo discute mobilidade, revitalização urbana e transformação social na CASACOR São Paulo

(Adriana Barbosa/CASACOR)

A CASACOR reuniu representantes do poder público e do mercado imobiliário na manhã de 5 de agosto para o 1º Fórum de Arquitetura e Urbanismo, um debate qualificado sobre os rumos do desenvolvimento urbano da capital paulista. Três painéis levaram dez lideranças ao palco para discutir mobilidade e infraestrutura urbana, a revitalização de áreas centrais e a transformação em curso em Paraisópolis.

Fórum

(Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

O pano de fundo da conversa é um número expressivo: ao longo dos próximos dez anos, São Paulo vai precisar gerar 700 mil novas unidades habitacionais, segundo estimativa do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP). A demanda resulta da soma de diferentes fatores, do crescimento demográfico à necessidade de reduzir um déficit de imóveis na capital — isso apesar de a cidade ter registrado um aumento expressivo de lançamentos anuais, de 19,4 mil em 2016 para 139 mil em 2025.

Fórum

(Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

A dificuldade representa um desafio, mas também a oportunidade de transformar a vida de moradores e empreendedores da maior metrópole do país. E o processo atual de resgate do centro — com base em incentivos urbanísticos, requalificação dos espaços públicos e investimentos em moradia — exerce um papel fundamental neste momento, já que permitiria reposicionar a ocupação para uma região que já oferece infraestrutura e empregos.

Fórum CASACOR

Jorge Cury Neto, presidente Secovi-SP (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

"Nenhuma cidade se constrói sozinha. O desenvolvimento urbano é resultado da capacidade de construir em conjunto. Esse fórum é um espaço qualificado para refletir sobre os desafios do desenvolvimento de São Paulo e, sobretudo, para formular decisões com base em um debate técnico, sério e plural", disse, na abertura, Jorge Cury Neto, presidente do Secovi-SP.

Mobilidade integrada à moradia


Fórum

Edy Wertheim, Presidente-executivo Secovi-SP (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

O presidente executivo do sindicato, Ely Wertheim, reforçou: "Na última década, mais de 1 milhão de pessoas na cidade de São Paulo foram beneficiadas pela construção de imóveis novos via programa Minha Casa Minha Vida. Há espaço e demanda para produzir mais".

Fórum

Maria Teresa Diniz, Diretora de Projetos e Programas da CDHU. (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

"Trabalhamos para que os moradores tenham não apenas habitação, mas também infraestrutura e mobilidade, de acordo com as diferentes demandas de cada região", declarou, no painel de abertura, Maria Teresa Diniz, diretora de projetos e programas da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). "Não basta fazer a transformação urbana dentro do lote, é importante aproveitar a oportunidade para transformar o entorno. Para isso, diferentes secretarias e órgãos precisam atuar de forma integrada".

Fórum

Ao centro, Elisabete França, Secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Arquiteta e Urbanista. (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

A arquiteta e urbanista Elisabete França, secretária municipal de urbanismo e licenciamento, citou um exemplo de solução viária que apoia moradores de bairros mais afastados do centro: o Aquático-SP, primeiro sistema público de transporte hidroviário de São Paulo, que opera na Represa Billings, na Zona Sul, ligando o terminal Cantinho do Céu ao Parque Mar Paulista Bruno Covas em cerca de 17 minutos — trajeto que, de ônibus, leva mais de uma hora. "Na medida em que você qualifica a estrutura e estende a mobilidade, você traz mais qualidade de vida para as famílias e valoriza o entorno onde elas vivem. O plano hidroviário pode ser expandido para os nossos principais rios, o Tietê e o Pinheiros."

Fórum

Sandra Santana, Vereadora do Município de SP, Advogada, pós-graduada em Urbanismo Social (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

A proposta, em análise pela prefeitura, de instalar um teleférico entre a estação Brasilândia do Metrô e o CEU Paz — região de relevo desafiador na Zona Norte — foi detalhada pela vereadora Sandra Santana, advogada e pós-graduada em urbanismo social. "A cidade tem territórios que cresceram de forma desordenada e em locais que o poder público tem dificuldade para acessar. É muito difícil levar uma linha de ônibus até o CEU Paz. Daí a proposta de instaurar o teleférico, nos moldes da iniciativa já realizada em Medellín, na Colômbia", argumentou.

Fórum

Claudio Bernardes, Vice-presidente do Secovi-SP, engenheiro civil (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

Nesse contexto, as parcerias são estratégicas, lembrou Claudio Bernardes, vice-presidente de Urbanismo do Secovi-SP: "As cidades inovadoras não conseguem tirar grandes projetos do papel sem parcerias entre poder público e iniciativa privada". Para ele, atender à demanda habitacional com qualidade passa pela reapropriação de territórios mal aproveitados. "Não há recursos suficientes para implementar, nas áreas periféricas, toda a infraestrutura que já existe nas áreas centrais. Mas é possível atrair mais moradores para o centro."

Obras no centro


Em sua participação no evento, Elisabete França citou como solução promissora de mobilidade o Veículo Leve Elétrico (VLE), projeto que busca reorganizar a mobilidade do centro e teria capacidade para atender mais de 130 mil pessoas por dia — iniciativa também mencionada ao longo do segundo painel da programação.

Fórum

Guilherme Afif Domingos, administrador e empresário, Secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo. (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

Guilherme Afif Domingos, administrador e empresário, secretário extraordinário de projetos estratégicos do estado de São Paulo, participou do debate com o engenheiro civil Marcos Monteiro, secretário municipal de infraestrutura urbana e obras da prefeitura de São Paulo, e Fabrício Cobra, secretário municipal das subprefeituras (SMSUB). "O governo estadual está se deslocando para o centro, o que vai levar 22 mil funcionários a trabalhar na região. Além disso, a segurança melhorou. Há um grande choque de reurbanização acontecendo na região, que conta com o maior equipamento cultural concentrado da cidade", lembrou Afif.

Fórum

Marcos Monteiro, Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo e Engenheiro Civil. (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

A região, de fato, vem recebendo uma série de investimentos em infraestrutura. Na República, as mudanças envolvem reforma das calçadas, instalação de novo mobiliário urbano, nova sinalização turística, nova iluminação funcional e cênica de edifícios históricos, reestruturação da infraestrutura subterrânea de drenagem e implementação de valas técnicas para ordenar as redes de telecomunicações. O investimento é de R$ 36,6 milhões, com impacto sobre 12 ruas e 37 mil metros quadrados de área, e entrega prevista para junho de 2027.

Fórum

Fabrício Cobra, Secretário Municipal das Subprefeituras (SMSUB) (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

No triângulo histórico, o investimento é de R$ 89,6 milhões em 23 ruas, que cobrem 63,3 mil metros quadrados, com conclusão prevista para dezembro de 2026. Outros R$ 75,5 milhões serão aplicados ao Viaduto do Chá, à Praça do Patriarca e ao Theatro Municipal, com obras em fase final de licitação e prazo de 24 meses para execução. Valor equivalente foi utilizado na recuperação e no reforço estrutural do Viaduto Santa Ifigênia, entregue em outubro de 2024. "O caminho está sendo traçado", declarou Monteiro. "Temos como meta levar 220 mil novas pessoas a morar no centro", informou Cobra.

Urbanização de Paraisópolis


Fórum

Fabio Silva, CEO da Rede Muda Mundo, reconhecida pela ONU como uma das principais plataformas de voluntariado do mundo. (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

Fabio Silva, CEO da Rede Muda Mundo — reconhecida pela ONU como uma das principais plataformas de voluntariado do mundo —, detalhou a implementação da Casa Zero 11, na Avenida Rio Branco, região central da capital. "Começamos em Recife (PE). Agora São Paulo é nossa vitrine para o Brasil. Propomos um ecossistema que conecta poder público e iniciativa social ao qualificar pessoas para empreender e acessar o mercado de trabalho."

Fórum

Pedro Fernandes, Presidente da SP Urbanismo, arquiteto e urbanista, mestre em Gestão e Políticas Públicas. (Nadson Barbosa/RN Imagem/CASACOR)

Quando os esforços se somam — em habitação, mobilidade, infraestrutura e segurança —, áreas inteiras da cidade se fortalecem. O caso de Paraisópolis, que exemplifica essa lógica, foi detalhado no terceiro painel pelo arquiteto e urbanista Pedro Fernandes, mestre em gestão e políticas públicas e presidente da SP Urbanismo. Segundo ele, a região desafia os modelos tradicionais de planejamento urbano e, ainda assim, experimenta avanços iniciados com um processo de urbanização realizado há 15 anos.


"A transformação passa também por gerar mais oportunidades de empregos qualificados. Nesse sentido, é estratégico o investimento na Praça da Paz, que representa um espaço de recuperação social, ambiental e econômica", disse ele, referindo-se ao projeto de implementar um novo equipamento urbano de aproximadamente 6 mil metros quadrados no encontro da Rua Herbert Spencer com o Córrego do Antonico, que será requalificado.

Serviço


O evento foi apresentado pela Prefeitura de São Paulo e realizado por CASACOR, CBN e Editora Globo, com apoio institucional da São Paulo Negócios e chancela do governo de São Paulo como estado anfitrião. O Parque da Água Branca, onde o fórum foi realizado, recebe também a 39ª edição da CASACOR São Paulo, até 9 de agosto, de terça a domingo (incluindo feriados), das 11h às 22h. A entrada no Parque da Água Branca (Rua Dona Ana Pimentel, 37) é permitida até às 20h; a bilheteria presencial e o acesso à mostra funcionam até às 20h15.