Chancela criada pela Fundação Vanzolini reconhece estabelecimentos comerciais e de serviços comprometidos com públicos prioritários e ressalta o envolvimento da mostra na promoção de espaços confortáveis, seguros e até surpreendentes
Publicado em 30 de jul. de 2026, 17:50

(Adriana Barbosa/CASACOR)
Acessibilidade é palavra-chave em CASACOR há muitos anos. Desde 2016, a mostra paulistana é 100% acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida e, a cada edição, vem ampliando seu conjunto de ações focadas no cumprimento dos princípios do desenho universal e das normas técnicas relacionadas a acessibilidade. Ao longo de todo o percurso, o evento adota soluções inclusivas para garantir que pessoas com deficiência auditiva, visual e/ou motora aproveitem a experiência completa com liberdade, autonomia e dignidade.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Rampas, carrinhos motorizados, elevadores, plataformas elevatórias, mapas táteis, recursos de audiodescrição, mobiliário acolhedor e equipes treinadas para receber bem quem precisa de atenção especial estão entre as soluções presentes em CASACOR São Paulo. Não à toa, esses esforços renderam à edição deste ano, pela quarta vez consecutiva, o Selo de Acessibilidade, certificação concedida pela Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) da Prefeitura de São Paulo a equipamentos públicos ou privados que garantam o acesso respeitoso a esses públicos prioritários.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Em 2026, a mostra apresenta mais uma conquista, o Selo Acolhe, lançado em junho pela Fundação Vanzolini e baseado em um referencial técnico desenvolvido como resposta à crescente demanda por espaços comerciais e de serviços que ofereçam conforto, segurança e qualidade para pessoas idosas e com baixa mobilidade. “Com o envelhecimento e o aumento da expectativa de vida da população, a arquitetura e o design precisam aguçar o olhar para esses públicos, buscando soluções de projeto que expressem mais empatia em relação a essas pessoas”, comenta Luiza Salomé, gestora do selo na Fundação.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Ela conta que a equipe técnica responsável pelo selo visitou a mostra e logo percebeu que a marca estava apta a receber a chancela. “CASACOR não apenas cumpre as normas técnicas exigidas como também conta com pessoas treinadas para acolher de maneira muito respeitosa os idosos e as pessoas com mobilidade reduzida. A qualidade no atendimento humano é notável”, ela afirma.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Para o arquiteto Darlan Firmato, diretor de operações de CASACOR São Paulo, todos nós poderemos precisar de uma atenção especial em algum momento da vida. “O que temos trabalhado em CASACOR é esse despertar em todo o masterplan do evento, buscando mostrar que é possível traduzir esses princípios em espaços que não parecem adaptados nem têm cara de hospital, mas revelam sutilezas importantes, acolhimento e integração entre arquitetura, design e acessibilidade, de maneira a serem confortáveis para qualquer pessoa”, conta.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Em termos de bilheteria, as ações de acessibilidade também mostram bons resultados: enquanto em 2018 o evento recebeu 40 pessoas com deficiências (PCDs), em 2025, já no Parque da Água Branca, o número saltou para 823 ingressos destinados ao público prioritário – sem contar os tickets referentes a pessoas 60+. “Há um valor social importante em toda essa história e que precisamos reforçar cada vez mais. Os arquitetos, aos poucos, estão se preocupando mais com essa questão e isso é benéfico para todos nós”, diz Firmato.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Um bom exemplo de como conceber um projeto acessível é o Estúdio Universal Âmbar, assinado por Letícia Nannetti, em exposição na CASACOR SP. A arquiteta buscou um olhar inovador sobre acessibilidade, visando integrá-la com naturalidade ao projeto. “Acessibilidade costuma aparecer como adaptação posterior. Eu quis incorporar esse cuidado desde o início do projeto, que foi concebido para qualquer pessoa que valoriza conforto, oferecendo bem-estar em todas as fases da vida”, argumenta Nannetti.
Leticia Nannetti - Âmbar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
No ambiente de 54 m², ela conta que trabalhou elementos como funcionalidade, ergonomia no mobiliário, iluminação, contraste dos materiais, uso intuitivo do espaço, conforto tátil e alturas adequadas, mas sem que eles apareçam como protagonistas. “Para mim, acessibilidade é aquela que não precisa ser explicada, sabe? Foi desafiador realizar isso em um espaço pequeno, mas posso dizer que é possível alcançar resultados esteticamente agradáveis, bonitos, elegantes, intuitivos e sem que tenham aparência hospitalar”, afirma.
Leticia Nannetti - Âmbar. Projeto da CASACOR São Paulo 2026. (Bia Nauiack/CASACOR)
Durante o período de visitação, a arquiteta diz ter recebido retornos muito satisfatórios de cadeirantes, idosos e familiares. “As pessoas me procuram para agradecer e algumas até viraram clientes. São pequenos detalhes, como bancada livre sob a pia, que apenas quem sente as dificuldades no dia a dia consegue perceber. É muito importante pensarmos em autonomia e não privarmos o idoso das tarefas diárias, como se ele fosse incapaz. Acessibilidade não limita a arquiteta, ela amplia a capacidade de acolher”, reforça a arquiteta.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Para conquistar o selo, é necessário atender a requisitos rigorosos de acessibilidade, gestão e qualidade no atendimento, baseados nas diretrizes das normas ABNT NBR 9050 e NBR 9077. O objetivo é acolher de forma plena os indivíduos que mantêm a autonomia e a independência, incluindo aqueles com deficiências sensoriais e que utilizam tecnologias assistivas, como bengalas, aparelhos auditivos e cadeiras de rodas. “O selo é um compromisso com a dignidade e a inclusão social de uma parcela da população que merece circular com total autonomia e segurança”, explica Luiza Salomé.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
A chancela é aplicável a uma gama de setores que inclui restaurantes, bares e praças de alimentação; clínicas, hospitais, laboratórios e consultórios; supermercados, shoppings, farmácias, bancos e hotéis. “Nossa expectativa é promover dignidade e evitar que pessoas fiquem em casa por falta de acessibilidade. Todos têm direito de entrar nos estabelecimentos pela porta da frente”, defende.
(Adriana Barbosa/CASACOR)
Entre os pontos considerados no Selo Acolhe estão circulação, segurança dos materiais, mobiliário acolhedor, sinalização objetiva, banheiros acessíveis, vagas de estacionamento exclusivas, conforto acústico, manutenção de sistemas de climatização por meio do Plano de Manutenção, Operação e Controle, e a oferta de uma alternativa ao atendimento digital (como cardápios impressos em restaurantes, por exemplo).