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CASACOR Minas Gerais 2026 entra na reta final: o que ainda descobrir nos últimos dias da mostra

Mostra ocupa a PUC Lourdes até 6 de outubro e reúne 40 ambientes, exposições, lojas, restaurantes, bares e cafés em um percurso que vale ser vivido sem pressa

Por Redação

Publicado em 1 de out. de 2026, 12:00

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Silvia Carvalho Arquitetura – Living Franccino SAFRA 25. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Silvia Carvalho Arquitetura – Living Franccino SAFRA 25. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Cecilia Neves/CASACOR)

Até 6 de outubro, a CASACOR Minas Gerais 2026 ocupa a PUC Lourdes com um grande percurso que reúne arquitetura, design, arte, paisagismo e gastronomia. Em sua 31ª edição, a mostra reúne 40 ambientes assinados por 54 profissionais e ocupa, pelo segundo ano consecutivo, o edifício histórico projetado por Raffaello Berti — um endereço que, por si só, já vale a visita.


Com o tema “Mente e Coração”, a edição propõe diferentes interpretações para a relação entre razão e emoção, tecnologia e sensibilidade, permanência e passagem do tempo. Mas é caminhando pelos espaços, fazendo pausas, entrando nas lojas, conhecendo as exposições e sentando-se à mesa que a experiência da mostra ganha sua dimensão mais completa.

Um edifício histórico como ponto de partida


Atiaîa Lighting Design - Iluminação da Fachada e Externo. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Atiaîa Lighting Design - Iluminação da Fachada e Externo. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Jomar Bragança/CASACOR)

Construído na década de 1940 e marcado pela linguagem Art Déco, o prédio da PUC Minas Lourdes integra o Circuito Liberdade e é tombado pelo patrimônio. Projetado pelo arquiteto italiano Raffaello Berti, o edifício preserva características como a simetria da planta, as formas geométricas e as janelas altas e estreitas que definem sua fachada.


Na CASACOR, essa arquitetura funciona como uma espécie de fio condutor. O projeto de iluminação da Atiaîa Lighting Design valoriza a volumetria e os elementos originais do conjunto, enquanto os ambientes contemporâneos estabelecem novos diálogos com a construção existente.

Greco Design – Paralaxe. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Greco Design – Paralaxe. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Jomar Bragança/CASACOR)

Logo na chegada, o visitante encontra Paralaxe, da Greco Design, uma instalação revestida por espelhos que explora justamente a ideia de imagem, percepção e excesso de estímulos. Pouco depois, o Foyer PUC Minas, assinado por Camila Vilela e Bárbara Pazzini, apresenta uma intervenção que permanecerá no edifício após o encerramento da mostra.

Maycon Altera – Lobby e Bilheteria. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Maycon Altera – Lobby e Bilheteria. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Jomar Bragança/CASACOR)

A experiência segue pelo Lobby e Bilheteria, de Maycon Altera, pensado para transformar a chegada em um momento de permanência, e por ambientes que exploram diferentes maneiras de viver a casa contemporânea.

Ambientes para desacelerar


Se existe um traço que atravessa boa parte da edição, é a vontade de desacelerar. Em diferentes escalas e linguagens, os profissionais criaram espaços que valorizam a permanência, o conforto e os pequenos rituais do cotidiano.

Silvia Carvalho Arquitetura – Living Franccino SAFRA 25. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Silvia Carvalho Arquitetura – Living Franccino SAFRA 25. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Cecilia Neves/CASACOR)

No Canvas, do Estúdio Sala, cozinha, estar, spa e listening room se integram em uma única experiência inspirada na atmosfera das salas de convivência dos anos 1970. No Living Franccino Safra 25, de Silvia Carvalho Arquitetura, a história da marca aparece em uma composição construída em camadas, com hall, adega, estar e jantar articulados por memórias e objetos.

Myrna Porcaro – Living e Jardim de Inverno. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Myrna Porcaro – Living e Jardim de Inverno. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Gustavo Xavier/CASACOR)

O Living e Jardim de Inverno, de Myrna Porcaro, leva a ideia de refúgio para dentro da mostra, combinando arte, mobiliário e vegetação. Já A Última Hora da Casa, de Eduarda Fernandes, transforma o living bar em um espaço dedicado aos rituais do fim do dia, entre livros, arte, xadrez e momentos de silêncio.

Castro Maakaroun Design - Home Office - Entre Performance e Pertencimento. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Castro Maakaroun Design - Home Office - Entre Performance e Pertencimento. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Mariana Araújo/CASACOR)

Há ainda interpretações mais contemporâneas para o cotidiano. A Cozinha Brastemp, de Luisa Mano, reúne diferentes usos em um mesmo espaço, entre trabalho, leitura, refeições e convivência. No Home Office – Entre Performance e Pertencimento, do Castro Maakaroun Design, o ambiente de trabalho deixa de ser apenas um lugar de produtividade e incorpora pausa, vínculo e vida pessoal.

Bárbara Antunes Arquitetura - Refúgio Entre Tempos. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Bárbara Antunes Arquitetura - Refúgio Entre Tempos. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Osvaldo Castro/CASACOR)

Para quem gosta de observar materiais e detalhes, vale dedicar tempo a espaços como Interlúdio, de Estela Netto, que combina madeira, quartzitos brasileiros, tecidos e uma curadoria de design nacional, e Refúgio Entre Tempos, de Bárbara Antunes, marcado por curvas, materiais naturais e uma atmosfera de sofisticação silenciosa.

Jardins que fazem parte da experiência


Na área externa, o paisagismo deixa de ser pano de fundo e assume papel ativo no percurso. Os jardins criam transições, áreas de permanência e momentos de pausa — e mudam conforme a luz, o vento e o próprio desenvolvimento da vegetação.

Flávia D’Urso Paisagismo – Jardim Entretempos. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Flávia D’Urso Paisagismo – Jardim Entretempos. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Mariana Araújo/CASACOR)

No Raízes da Terra, de Cynthia Silva e Kat Rosa, madeira, paisagismo e arquitetura criam um espaço pensado para desacelerar e favorecer a convivência. Já o Jardim Entretempos, de Flávia D’Urso, parte da ideia do “imperfeito intencional”: em vez de uma natureza excessivamente controlada, o projeto cria a sensação de um jardim que se desenvolveu ao longo do tempo.

Nãna Guimarães - Jardim Bem-Estar. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Nãna Guimarães - Jardim Bem-Estar. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Gustavo Xavier/CASACOR)

Outro destaque é o Jardim Bem-Estar, de Nãna Guimarães, que envolve a Cabana Wellness, de Fabíola Constantino. Lavanda, alecrim e outras espécies aromáticas participam da experiência, que não se limita ao olhar e incorpora diferentes estímulos sensoriais.

Play Arquitetura - Rivino Bar Banca. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Play Arquitetura - Rivino Bar Banca. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Studio Teluria/CASACOR)

O percurso externo também guarda algumas das intervenções mais marcantes da edição. O Pavilhão Oca, da BCMF Arquitetos, combina concreto impresso em 3D e uma grande estrutura de vergalhões, reinterpretando referências da arquitetura indígena e do modernismo. Já o Rivino Bar Banca, da Play Arquitetura, transforma uma antiga banca de jornal em um bar, propondo um novo uso para um equipamento tradicional da paisagem urbana.

Arte para além dos ambientes


Flávia Gamallo e Joana Veloso - Criatura Galeria. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Flávia Gamallo e Joana Veloso - Criatura Galeria. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Criatura Galeria/CASACOR)

A arte também merece atenção especial. Além de aparecer integrada aos projetos de interiores, ela ocupa uma posição própria na Criatura Galeria, que recebe exposições ao longo da temporada.


Nos últimos dias da mostra, de 29 de setembro a 6 de outubro, o espaço recebe uma exposição individual de Leonora Weissmann, apresentada pela AM Galeria de Arte. A programação reforça uma das características da edição: a possibilidade de encontrar diferentes linguagens artísticas ao longo de todo o percurso.


Nos ambientes, obras de artistas como Ricardo Carvão Levy, José Alberto Nemer, Daniel Mansur, Leopoldo Martins, Diego Rodrigues, Sandra Motta, Eduardo Recife e Pé de Pavão aparecem em diálogo com arquitetura, mobiliário e paisagismo.

Fernando Godoy – Galeria Auá. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Fernando Godoy – Galeria Auá. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Alexandre Rezende/CASACOR)

Na Galeria Auá, de Fernando Godoy, essa relação ganha uma dimensão especialmente interessante. O projeto aproxima arte e design brasileiro e incorpora trabalhos de Marcos Coelho Benjamim, enquanto as obras também inspiram peças de vestuário da marca, levando a experiência estética do espaço para o corpo.

Uma pausa para comer, beber e ficar


É justamente a gastronomia que melhor ajuda a transformar a visita em um programa para passar algumas horas. A CASACOR Minas 2026 reúne restaurante, cafés e bares em diferentes pontos do percurso, criando motivos para fazer uma pausa entre um ambiente e outro.

Balsa Arquitetura – Agnes. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Balsa Arquitetura – Agnes. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Jomar Bragança/CASACOR)

O restaurante Agnes é um dos grandes destaques. Em sua décima participação na mostra, a chef Agnes Farkasvölgyi ganha pela primeira vez um restaurante que leva seu próprio nome. Projetado pela Balsa Arquitetura, o espaço tem como elemento central uma grande mesa comunitária para cerca de 70 pessoas, revestida com diferentes composições de azulejos artesanais.


A própria trajetória da chef chega ao cardápio: os pratos são associados a anos que remetem a momentos de sua carreira, viagens e memórias. É uma experiência que também transforma o restaurante em ponto de encontro durante a programação da mostra.

Moretzsohn Arquitetura - Listening bar - Bar Rivo. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Moretzsohn Arquitetura - Listening bar - Bar Rivo. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Moretzsohn Arquitetura/CASACOR)

Outra parada é o Rivo, que ocupa dois pavimentos e assume propostas diferentes em cada nível. No piso inferior, o restaurante explora referências brasileiras, argentinas, italianas e latino-americanas. No andar superior, o espaço se transforma em um listening bar, com música, coquetelaria e pratos exclusivos.

Esc Arquitetura - Cria Café. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Esc Arquitetura - Cria Café. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Estúdio Teluria/CASACOR)

Nos jardins, o Rivino Bar Banca ocupa uma antiga banca de jornal e propõe uma pausa mais informal, com petiscos, drinques, sidras, chope e outras bebidas. Já o Cria Café retorna pelo segundo ano consecutivo, agora em um espaço maior, com 40 lugares e uma programação que vai além do café, incluindo coquetéis, degustações e experiências de harmonização. A curadoria de bebidas também amplia o roteiro, com sidras artesanais da ApareSidra, cervejas da Verace e seleções de vinhos da Liber Wines e Casa Valduga.

Lojas e descobertas pelo caminho


Holdlianh Beiró - Loja Maison Deboá – Raízes Sensoriais. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Holdlianh Beiró - Loja Maison Deboá – Raízes Sensoriais. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Jomar Bragança/CASACOR)

A visita também pode ser aproveitada para conhecer as operações comerciais que integram o circuito. Na Maison Deboá, Holdlianh Beiró criou Raízes Sensoriais a partir de referências à ancestralidade brasileira e portuguesa, ao artesanato e ao trabalho de mulheres artesãs.

Isabella Almeida Arquitetura – Loja Gustavo Eyewear. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Isabella Almeida Arquitetura – Loja Gustavo Eyewear. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Mariana Araújo/CASACOR)

Na Gustavo Eyewear, Isabella Almeida Arquitetura transforma a escolha dos óculos em uma experiência mais próxima de um ritual, com pedras naturais mineiras, um grande espelho e uma ambientação que aproxima moda e design.

Flávia Gamallo e Joana Veloso - Criatura Galeria. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Flávia Gamallo e Joana Veloso - Criatura Galeria. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Criatura Galeria/CASACOR)

Já a Criatura Galeria, assinada por Flávia Gamallo e Joana Veloso, apresenta o design colecionável como experiência, reunindo produção autoral contemporânea em um espaço que se aproxima mais de uma galeria de arte do que de uma loja tradicional.

Em Cena Arquitetura - Empório Origem Minas - Arte popular Origem Minas. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026.

Em Cena Arquitetura - Empório Origem Minas - Arte popular Origem Minas. Projeto da CASACOR Minas Gerais 2026. (Jomar Bragança/CASACOR)

Também vale passar pelo Empório Origem Minas e pelo espaço Arte Popular Origem Minas, que aproximam gastronomia, artesanato e produtos locais em uma leitura contemporânea da identidade mineira.


No fim das contas, a melhor maneira de conhecer a CASACOR Minas Gerais 2026 é não tentar atravessá-la com pressa. São 40 ambientes, exposições, jardins, lojas e operações gastronômicas que funcionam como partes de uma mesma experiência.


A 31ª edição fica aberta ao público até 6 de outubro, na PUC Minas Lourdes. Para quem ainda não foi, estes são os últimos dias para conhecer a mostra e também o edifício histórico que a recebe.

Serviço — CASACOR Minas Gerais 2026


  • Quando: de 12 de agosto a 6 de outubro de 2026

  • Horários: de terça a sexta, das 14h às 22h; sábados, das 12h às 21h; domingos, das 12h às 19h. A CASACOR Minas Gerais não altera o horário nos feriados.

  • Onde: Rua da Bahia, 2020 – Lourdes – Belo Horizonte – MG

  • Ingressos: de terça a sexta, R$ 50 (meia) e R$ 100 (inteira); sábados e domingos, R$ 55 (meia) e R$ 110 (inteira).

  • Bilheteria: online, pelo aplicativo oficial da CASACOR e presencialmente no local.

  • Redes sociais: @casacorminas